Lula provoca na ONU: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”
Por Raimundo Borges
O Imparcial – Flávio Bolsonaro (PL) desembarcou em São Luís em sua peregrinação pelo Nordeste, tentando reduzir a distância mostrada nas pesquisas de intenção de voto no reduto mais alinhado ao petista Luiz Inácio Lula da Silva. A recepção foi dada pela candidata a deputada federal Mariana Carvalho, o ex-senador Roberto Rocha (PRTB), Cidônio Gonçalves (PL), Yglesio Moyses, Flávia Bertier e Allan Garcês.
A data coincidiu com a indefinição, por enquanto, da presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Maranhão, onde o lulismo está dividido entre o candidato ao governo Felipe Camarão, o palanque de Orleans Brandão, candidato do MDB, apoiado pelo governador Carlos Brandão, e também o de Braide, com o ex-ministro André Fufuca (PP) concorrendo ao Senado.
Lula estava bem longe do Brasil. Na manhã desta terça-feira, 22, ele voltou a discursar pela 10ª vez na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, quando defendeu a soberania dos países e o princípio da não interferência estrangeira em assuntos internos. E aproveitou para dar recados provocativos: “Este Conselho [de Segurança da ONU] agora deve se debruçar sobre temas determinantes para o futuro da humanidade.
Somos chamados a optar entre o multilateralismo e o unilateralismo. Soberania ou subordinação”, afirmou o presidente, num dos momentos mais decisivos para sua candidatura à reeleição, o que significa, se eleito, o 4º mandato no Palácio do Planalto.
Segundo Lula, o Brasil “não cabe no quintal de ninguém” e precisa de parceiros com agenda positiva, que fomente o desenvolvimento. “Diferenças ideológicas”, frisou ele, “não devem ser obstáculo para maior integração entre vizinhos. A democracia está novamente em xeque.
Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais”, prosseguiu, sem citar nomes, nem os Estados Unidos. Porém, abordou outros temas como combate duro ao crime organizado, controle da inteligência artificial, defesa de negociações de paz, do tarifaço dos EUA, o comércio internacional e fez a defesa do Pix.
Já o candidato do PL, em São Luís, repetiu o discurso a favor dos Estados Unidos e a narrativa em que acusa a postura do opositor de ser antiamericano “na busca de transformar o embate econômico em palanque eleitoral”. Ele é contra o multilateralismo defendido por Lula, o fortalecimento dos Brics e faz a defesa incisiva do alinhamento estratégico com Washington e acordos de livre-comércio inspirados no modelo estadunidense.
Flávio promete, se eleito, negociar os tarifaços de Donald Trump e “atrair uma chuva de investimentos” para o Brasil, sem, porém, detalhar como isso seria possível e quem mandaria chover.
No final do discurso, Lula abordou as eleições de 4 de outubro, para as quais os “brasileiros vão decidir entre democracia e negacionismo”. No recado mais direto, o presidente afirmou: “Possuímos um sistema eleitoral moderno e robusto. Sob o olhar atento de uma cidadania plural e de uma imprensa livre, não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular.
A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano. Ninguém nos afastará deste caminho”, concluiu, no evento que pode ser o último para ele, ou mais um como o presidente que, por tradição, é o primeiro orador na Assembleia da ONU.
Como até agora está desenhado nas estrelas, só uma reviravolta espetacular mudaria o cenário das disputas do governador do Maranhão e da Presidência da República e acabaria tudo no primeiro turno. As pesquisas – sempre elas – têm mostrado que as duas eleições vão chegar ao dia 4 de outubro com números relativamente próximos entre os candidatos que dividem as intenções do voto a menos de duas semanas.
Não é impossível, porém, que, perante uma polarização tão significativa, possa fazer o eleitorado usar de artimanhas, tipo o voto útil, no confronto ideológico entre esquerda e direita – ambos os lados agregados ao centro.

