A foto de Lula com Sarney fala mais que cem textos
Por Raimundo Borges
O Imparcial – Nesta reta final da campanha presidencial, o vale-tudo abarca e mexe com as emoções do Brasil por inteiro. Desde pesquisas de intenção de votos, debate de 6ª feira na TV Globo, redes sociais, boatos, fake news, não escapa nada. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) estão a menos de 50 horas da definição do futuro do Brasil e de sua democracia, e a tensão é geral.
Na passagem por São Luís, 3ª feira, o presidente Lula não deixou de fazer uma visita de cortesia ao ex-presidente José Sarney, em sua residência. Foi um encontro de velhos amigos e aliados que, longamente, alimentam a história mais fascinante da política brasileira desde a ditadura militar de 1964 até hoje. Dois líderes nordestinos que transformaram o perfil social, econômico e democrático do maior país da América Latina.
Aos 96 anos, José Sarney tem trajetória única desde quando saiu do interior da Baixada Maranhense para estudar em São Luís, de onde se tornou deputado federal, governador do Maranhão, senador (também pelo Amapá), presidente da República e quatro vezes presidente do Congresso Nacional, façanha única no país.

Conduziu a transição da ditadura para a democracia e, como presidente, promulgou a Constituição mais avançada do mundo civilizado em 1988. Além de jornalista desde os 18 anos, quando foi repórter de O Imparcial, Sarney tem 123 livros publicados; é decano da Academia Brasileira de Letras e da Maranhense, onde ingressou com apenas 23 anos, em 1953.
Em 1989, na primeira disputa do Palácio do Planalto contra Fernando Collor, Lula fez comício em São Luís, na Praça João Lisboa, ao lado da deputada estadual Conceição Andrade (PSB), única mulher na Constituinte na Assembleia Legislativa do Maranhão. Na época, em São Luís, havia dois lugares mais requisitados para grandes comícios: Praça João Lisboa e Praça Deodoro/Panteon.
Os políticos governistas da Arena/PDS conseguiam licença para encerrar campanha no amplo Parque Urbano Santos, anexo ao Panteon. Já a oposição ficava no Largo do Carmo ou na Catulo da Paixão Cearense, no Canto da Fabril, espaços menores e de fácil controle social pelo regime militar, sempre atento.
Hoje, porém, nem o projeto de reurbanização da João Lisboa/Carmo a fez recuperar a importância de antigamente para eventos políticos. Precisou Lula vir a São Luís e fazer a velha praça ser tomada por uma multidão jamais vista ali, em pleno meio-dia de semana e de sol escaldante.
Ainda por cima, o petista conseguiu a proeza de colocar o governador Carlos Brandão (MDB) a seu lado, rompido com o vice petista Felipe Camarão. Outro fato marcante naquele dia foi a visita de Lula a Sarney, cuja filha Roseana, quatro vezes governadora, perdeu a eleição do Senado na chapa de Orleans Brandão.
Com 80 anos, Lula não é intelectual, não tem diploma universitário e só publicou o livro “A verdade vencerá: o povo quer saber por que me condenam”, baseado em entrevistas com jornalistas e intelectuais. Ele e Sarney, no entanto, têm filmes de suas trajetórias e outros temas.
O presidente possui 42 títulos de Doutor Honoris Causa concedidos por universidades do Brasil e de vários países. O último foi na Malásia. Ele superou o educador histórico Paulo Freire e se tornou o brasileiro mais homenageado com esse tipo de honraria acadêmica, além de mais de 300 medalhas e diplomas de condecorações.
Aos 80 anos, Lula disse em São Luís que está disputando a última eleição. Sarney já está fora de combate político desde 2015, quando deixou de concorrer à reeleição pelo Amapá, aos 60 anos. Já Lula consegue mostrar vitalidade a ponto de animar seus comícios dançando.
Existem 12 pesquisas para serem publicadas até sábado, 24. Na do Instituto Quaest, divulgada na manhã desta 4ª feira, a vantagem de Flávio Bolsonaro caiu para apenas um ponto: 45% x 44%, com margem de erro de 2 pontos. Com tantos levantamentos em poucos dias, os números já não ganham tanta relevância, diante da tensão para saber quem será o eleito presidente.

