23 de outubro de 2026
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Braide mantém distância da eleição da Assembleia

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Antevéspera da eleição presidencial, com o Brasil vivendo os momentos mais dramáticos de uma campanha eleitoral em décadas, com os dois finalistas empatados e em guerra aberta, no Maranhão o governador eleito Eduardo Braide (PSD) mantém-se equidistante, como se portou no primeiro turno.

Como não poderia ser de outra forma, ele está cuidando da transição do novo governo, tomando pé de tudo que vai encontrar, acertando a engrenagem da máquina pública e escalando os secretários e demais escalões inferiores. “O Maranhão tem pressa para a transformação nos 217 municípios”, disse ele em suas redes sociais, onde conta com um milhão de seguidores.

Embora sem apoiar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem Flávio Bolsonaro (PL) na campanha do segundo turno, Braide foi eleito por políticos de centro – exemplo de André Fufuca – e da direita bolsonarista (Lahesio Bonfim). Quando ele diz que recebeu votos de todos os espectros ideológicos, não está exaggerando. É possível que até petistas descontentes com a candidatura de Felipe Camarão ou com a de Orleans Brandão (MDB) tenham – aqui e acolá – votado em Braide. São especulações que rolam dentro do próprio ambiente do PT, principalmente quando se referem aos votos que reelegeram Rubens Pereira Jr. como federal e elegeram as duas estaduais Cricielle Muniz e Luanna Rezende.

Outro ponto em que Braide ainda não demonstra interesse é no movimento dispersivo sobre a eleição dos cargos dirigentes da Assembleia Legislativa. Para presidente, já existem balões de ensaio no ar e articulações para valer de Catulé Júnior, Ariston Ribeiro (MDB), Daniella Jadão (MDB), Maedja Campos (PDT) e Antônio Pereira (MDB).

Como ainda falta decidir o próximo presidente do Brasil, o cenário da Alema só terá clareza mais adiante. Eduardo Braide terá todo o mês de janeiro no cargo, com a caneta e o Diário Oficial prontos para decisões importantes, como a eleição da Alema no dia 1º de fevereiro.

A deputada Iracema Vale (PSB) foi eleita em 2023 e reeleita em 2024 com o trunfo de ser a primeira mulher na história da Casa Legislativa a presidi-la, em 198 anos, e ainda como campeã de votos em 2022 pelo partido do governador Carlos Brandão, com quem manteve o mais elevado grau de apoio recíproco. Agora, com quatro deputados do PSD no Plenário da Alema, nada impede o novo governador de ter na presidência um aliado.

O médico Dino do Aldenora Belo foi o primeiro nome a aparecer como pré-candidato ao cargo, pela proximidade e relação estreita com Eduardo Braide, um apoiador do Hospital do Câncer desde deputado estadual, depois como federal e prefeito de São Luís.

Nos seis anos como prefeito da capital, Braide nunca se envolveu na eleição da Câmara Municipal de São Luís, onde sempre manteve uma bancada governista reduzida e a maioria esmagadora, com mais de 25 dos 33 vereadores, na oposição. Os projetos do Executivo – inclusive peças orçamentárias – sempre foram objeto de polêmica, alterações substanciais nos textos e atrasos propositais na votação.

A LOA de 2026, por exemplo, ele mandou em agosto do ano passado e só foi aprovada em fevereiro de 2026, depois de uma batalha na Justiça – assim mesmo com emendas. O próprio Braide recorreu à população pedindo pressão sobre o Legislativo para fazer o que lhe cabia.

Todos esses fatos no âmbito municipal, o novo governador terá de avaliar com relação à Alema, onde o seu partido só tem quatro deputados. Porém, ele, que foi deputado estadual, sabe como articular o governo frente ao Legislativo que, obviamente, terá que levar em conta a sua votação.

O MDB, com a maior bancada, de 17 deputados, nunca foi partido de radicais. Muito pelo contrário, as décadas de comando na política do Maranhão o fizeram uma legenda madura e conhecedora de todos os problemas estaduais, apesar da renovação ocorrida no parlamento na eleição deste ano. Braide vai ter, sim, que interferir – mas no seu jeito de ser. Sem toma lá dá cá.

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