24 de outubro de 2026
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Brasil chega à urna com Lula e Flávio empatados

Por Raimundo Borges

O Imparcial – A campanha chega à reta final, neste sábado, com o país totalmente dividido e a pesquisa do Datafolha dando empate numérico de 50% x 50% entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A tensão repete a virulência de 2014 entre a presidenta Dilma Rousseff e Aécio Neves (PSDB), no 2º turno.

Na época, os debates de TVs tinham mais peso eleitoral do que agora. A diferença é que, 12 anos atrás, as redes sociais, com o Facebook no topo, não tinham a mesma força política das plataformas de hoje, com várias ferramentas provocando disruptura nas campanhas tradicionais pelo voto.

A eleição deste domingo é histórica em vários sentidos, não só pela cisão social e política entre classes, mas principalmente quanto à expectativa sobre que país sairá das urnas: se será a vitória da democracia acima de tudo ou novo solavanco, como ocorreu em 2022/2023.

Sem dúvida, esta é a eleição mais incerta desde a redemocratização, com a busca de cada voto até o fim. Em 1989, na 1ª eleição presidencial pós-ditadura, entre Lula e Fernando Collor (PRN), a disputa pelo voto não trazia o rancor e a intolerância das redes sociais, nem a divisão geográfica entre eleitores do Sul e do Nordeste, ou a captura da política pelos evangélicos. Vivia-se no ambiente da democracia ainda engatinhando.

Também em 2014, as pesquisas davam empate técnico, o que acabou fazendo a reta final descambar para a virulência verbal e a desqualificação do adversário. O tucano Aécio atacou Dilma com o escândalo da Petrobrás, chamando-o de “Mar de Lama”, evocando, talvez de forma involuntária, mas funesta, as denúncias de Carlos Lacerda que levaram o presidente Getúlio Vargas ao suicídio em 1954.

No debate do SBT, Dilma insinuou que Aécio estava “drogado” ou “bêbado”, ao mencionar um episódio de 2011, em que, detido numa blitz de trânsito no Rio, ele se recusou a fazer o teste do bafômetro.

No debate desta sexta-feira com Lula x Flávio (40 horas antes da votação), a Globo tomou todas as cautelas para os dois não repetirem o que fizeram na Band, com o filho de Jair Bolsonaro tentando desestabilizar o adversário, fazendo mugangos atrás de seus passos.

A Globo buscou evitar abusos entre as candidaturas, desde o formato do debate, com regras diferenciadas e controle da mediação, inclusive checagem do que foi dito. De tão importante para uma campanha de empate numérico, Lula e Flávio se prepararam à exaustão para atrair os indecisos e reduzir a abstenção de 33 milhões de votos no 1º turno.

Num empate numérico de 50% x 50% nas pesquisas, seria possível acontecer também nas urnas? Seria algo mais difícil do que acertar sozinho na Mega-Sena da Virada. Mas, caso eles obtenham o mesmo número de votos, como aconteceu duas vezes na eleição de presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão entre Iracema Vale e Othelino Neto, o Código Eleitoral (artigo 110) ensina que será considerado eleito o candidato mais idoso.

No caso da pesquisa, o Datafolha chegou ao empate nos votos válidos, excluindo os brancos e nulos. É o critério adotado pelo TSE na apuração final. Um impensável empate, portanto, seria algo de imensa repercussão mundial e inúmeros desdobramentos judiciais e políticos.

Independentemente do resultado das urnas deste domingo, o novo presidente vai encontrar um país em que, apesar do avanço na redução da pobreza pelos programas sociais, a desigualdade entre quem tem muito e quem tem pouco é escandalosa.

Basta olhar para os dados econômicos: apenas 1% mais rico da população recebe cerca de 36,2 vezes a renda dos 40% mais pobres, segundo dados da PNAD Contínua do IBGE. Quando cruzados com dados do Imposto de Renda, os 10% mais ricos detêm cerca de 52% a 59% de toda a renda do país. É, portanto, sobre isso e outros dados que cada eleitor deve refletir antes de apertar a tecla da urna eletrônica neste domingo. Pensar no Brasil democrático e soberano.

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