Nem da esquerda, nem da direita: o Maranhão será de Braide e Lula
Por Raimundo Borges
O Imparcial – A dois meses da posse do governador Eduardo Braide (PSD) e do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva, no Maranhão a fervura eleitoral baixou, mas a temperatura política, não. Braide é o dono da bola na transição do governo com suas prioridades para 2027 dentro do programa de “transformação do Estado”, como a definição da equipe de secretários e fazer articulação sobre a eleição da mesa diretora da Assembleia Legislativa.
Como prefeito de São Luís, Braide não teve qualquer influência na eleição da Câmara, onde a bancada de apoio era em média cinco vereadores. Já na Alema ele terá muito mais apoio e parcerias de bancadas dispostas a colaborar, a exemplo do que ocorre com Carlos Brandão.
O MDB, com 17 deputados, presidido por Orleans Brandão, dificilmente ficará todo na oposição a Braide, dado o seu perfil de legenda governista e de centro. Nos dois governos de Flávio Dino (2015-2022), o MDB, do grupo Sarney, se postou na oposição ao “comunista” até o final de 2021.
Porém, graças à ação do ex-presidente José Sarney, na eleição de 2022, o partido fez parte da coligação que elegeu Brandão governador e Flávio Dino senador. No caso de Braide, ele deve se articular para eleger um presidente do Legislativo alinhado com seu programa de governo, como, por exemplo, o deputado Dino do Aldenora Belo (PSD).
Na eleição de 4 de outubro, a esquerda ficou do tamanho de sempre no Maranhão, com a reeleição dos deputados Rubens Júnior (PT), Márcio Jerry (PCdoB), duas deputadas estaduais do PT (Luanna Resende e Cricielle Muniz) e o PDT com Maedja Campos na condição de mais votada e outros dois parlamentares.
O PSB foi engolido pelo MDB e só elegeu o último da lista dos 42, Leandro Bello. No contraponto da vitória acachapante de Lula no segundo turno, a direita maranhense ficou só com o senador eleito Lahesio Bonfim (Novo), quatro deputados federais do PL, Pedro Lucas (UB) e Aluísio Mendes (Republicanos).
A eleição presidencial do segundo turno trouxe um quadro curioso, mas não surpreendente, do eleitorado do Maranhão: Lula ganhou em 211 dos 217 municípios, e Flávio em apenas seis. O petista Luiz Inácio obteve 2.799.470 votos (69,52%) e Flávio 1.227.566 (30,48%) – uma das vitórias proporcionalmente mais expressivas de Lula nos estados.
O petista teve sua votação robustecida com 233.169 votos a mais no 2º turno, enquanto o oponente perdeu 11.474. Vale destacar que, no governo Carlos Brandão, o Maranhão recebeu mais de R$ 130 bilhões em recursos, transferências e benefícios diretos do governo Lula entre 2023 e o final de 2024, além de R$ 94 bilhões do Novo PAC – casas, estradas, energia, etc.
Nem no governo Sarney o Maranhão foi tão prestigiado na Esplanada como fez Lula. Ele colocou Flávio Dino no Ministério da Justiça/STF, André Fufuca (Ministério dos Esportes), Juscelino Rezende (Comunicações) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas). Fufuca foi eleito senador e os outros dois, reeleitos deputados federais.
É nesse cenário que Eduardo Braide, visto como de centro-direita, terá de lidar com Lula no quarto mandato. Ele nunca assumiu qualquer identidade ideológica desde quando foi deputado estadual e federal pelo PMN e prefeito de São Luís pelo Podemos (2020-PSD), legenda pela qual foi eleito governador, cujo presidente, Gilberto Kassab, já liberou a bancada para apoiar Lula-4.
Uma certeza no Maranhão de 2027: entre 2015-2016, Flávio Dino governou com Dilma; de 2016-2018, com Michel Temer (MDB); e até 2022, com Jair Bolsonaro. Com este, não consta sequer um encontro no Planalto. Em outubro de 2020, o presidente veio a São Luís e foi recebido pelo senador Roberto Rocha para entrega de 3,5 km da BR-135 em Perizes; depois, foi a Imperatriz inaugurar o “panelódromo”, local do prato típico Panelada.
Os apoiadores de Bolsonaro o receberam no Maranhão sem usar máscara, imitando-o, mesmo sendo obrigatória na pandemia da covid-19. Agora é Lula e Braide, dois campeões de voto em 2026, que terão um mandato inteiro para parcerias de transformar o Maranhão.

