8 de abril de 2026
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Geografia do voto faz disputa do governo valorizar os vices

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Ao decidir não começar sua pré-campanha por São Luís, onde obteve 70% dos votos na reeleição em 2024 e se projetou como gestor público, mas sim por Imperatriz, para indicar a comerciante Elaine Carneiro, vice de sua chapa, Eduardo Braide (PSD) optou pelo critério territorialista do voto. Ele considerou o peso político do segundo município mais importante do Maranhão na eleição de governador, com seus 200 mil votos e um antigo histórico de ressentimento por se achar desprezado pelos governadores. Há 50 anos, o então jornalista político Edison Lobão, filho de Mirador, deu a senha. Candidato a deputado, colocou em seu palanque, em Imperatriz, o general-presidente Ernesto Geisel. E, na reeleição em 1982, levou o general João Batista Figueiredo, por ter estreita relação com o regime militar.

O resultado foi espetacular. Dos 25 mil votos de então no município, Lobão obteve 20 mil. Ao disputar o governo em 1990, ele colocou o juiz José Ribamar Fiquene, de Imperatriz, na vice, ato repetido em 2006 pelo pedetista Jackson Lago, quando derrotou Roseana Sarney com o vice Pastor Luís Porto, de Imperatriz. Como governadora, Roseana tremia na base quando viajava àquela cidade, no auge da campanha de criação do Maranhão do Sul, com a capital em Imperatriz. Hoje, sabendo que o candidato do MDB, Orleans Brandão, é muito forte na cidade comandada pelo aliado Rildo Amaral, Braide foi buscar a empresária Elaine Carneiro na região de maior poder econômico no agro e rejeição ao restante do Maranhão lulista.

No sentido inverso, políticos experientes que apoiam a candidatura de Orleans defendem a indicação do vice sendo uma figura de relevância na região da cidade de São Luís. O médico, ex-prefeito de Imperatriz e candidato a estadual Sebastião Madeira, é defensor dessa ideia. “Precisamos tirar o maior percentual possível de voto na região de São Luís, onde as pesquisas indicam Braide muito mais forte”. Historicamente, a escolha do vice-governador do Maranhão tem sido marcada por muita negociação, tensão a posteriori e surpresas, como aconteceu com Roseana Sarney e José Reinaldo na vice, como último ato da convenção do PMDB. Ao ser eleito governador, Zé Reinaldo e Roseana acabaram rompidos.

Assim como ocorreu em 2020, quando Braide escolheu a professora, negra e policial militar Esmênia Miranda para vice, agora escolhe uma empresária sem mandato e sem participação política significativa em Imperatriz. Já Orleans Brandão pode ler a geografia do voto com outros olhares. Prefere uma visão mais ampla da distribuição estadual do eleitor, sem se fixar na questão socioeconômica, ideológica, religiosa ou racial. O fator econômico tem, sim, peso significativo, mas outros funcionam melhor, como o poder da máquina estadual, o palanque presidencial, as coligações com tempo de TV e as redes sociais, incluindo a novidade da IA, usada na política em 2026 como nunca ocorreu antes.

Um estudo acadêmico do deputado federal Rubens Pereira Jr. (PT) sobre as eleições de 2018 e 2022 no Maranhão detalha o que significa a geografia do voto presidencial. Lula ganhou com folga nas regiões do Nordeste (69,7%) e Norte (51,9%), enquanto o presidente Jair Bolsonaro (PL) perdeu no geral, mas venceu no Sudeste (65,4%), Centro-Oeste (66,5%) e Sul (68,3%). Em comparação ao resultado obtido por Fernando Haddad em 2018, Lula recebeu cerca de 13 milhões de votos a mais em 2022. Importante frisar que 7,8 milhões dos votos adicionais obtidos por Lula foram da região Sudeste, onde, em termos absolutos, obteve sua melhor votação, com 22,7 milhões, superando o Nordeste, com 22,5 milhões de votos.

Até agora, a questão ideológica praticamente foi anulada no Maranhão, com total indefinição entre esquerda ou direita entre os principais pré-candidatos Eduardo Braide, Orleans Brandão e Lahesio Bonfim – todos de centro e centro-direita. Com isso, a expectativa da candidatura de Felipe Camarão (PT), apoiada pelo PCdoB e PSB, pode ser um tiro no pé para a candidatura de Lula no estado em que ele sempre obteve as maiores votações. Já a direita parece deserdada do “mito”, tanto na região metropolitana da capital quanto no interior, especialmente no sul, onde o agro bolsonarista não encontra uma identidade direitista e pode acabar vestindo o verde-amarelo desbotado, mesmo em ano de Copa do Mundo.

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