Representante comercial dos EUA diz querer dialogar com Brasil sobre tarifas
DCM – O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, teve uma conversa rápida nesta quarta-feira (3) com Jamieson Greer, chefe do Escritório do Representante Comercial da Casa Branca (USTR), em meio às reuniões ministeriais da OCDE, em Paris. Segundo a CNN Brasil, Greer disse ao chanceler que há disposição de “continuar dialogando” com o Brasil sobre a possível aplicação de tarifas pelos Estados Unidos.
Os dois se encontraram antes de um dos painéis da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Pessoas que presenciaram a cena relataram que Greer se aproximou de Vieira e afirmou que existe um “contato fluido” com o governo brasileiro.
Vieira, de acordo com esses relatos, respondeu que a disposição do Brasil é a mesma. O chanceler também teria afirmado que as recomendações do USTR para aplicação de novas alíquotas sobre produtos brasileiros tornam necessário intensificar as negociações entre os dois países.
O encontro ocorreu um dia após a divulgação de relatório do USTR que recomenda tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras. A medida foi proposta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento usado por Washington para investigar práticas consideradas prejudiciais ao comércio estadunidense.
Outro relatório, divulgado na madrugada desta quarta-feira, recomenda tarifas de 10% ou 12,5% contra um grupo de 60 parceiros comerciais dos Estados Unidos por suposta tolerância com “trabalhos forçados”. O Brasil aparece na lista dos países sujeitos à alíquota mais alta, de 12,5%.

A investigação sobre trabalho forçado concluiu que 60 países falharam em proibir e fiscalizar a entrada de mercadorias produzidas nessas condições. O USTR classificou a conduta como “irracional” e afirmou que ela restringe o comércio dos Estados Unidos ao criar concorrência desleal para empresas e trabalhadores estadunidenses.
O governo de Donald Trump propôs dois níveis de sobretaxação. A tarifa de 10% seria aplicada a economias com alguma proibição parcial ou compromissos formais em acordos comerciais, como União Europeia, México, Canadá, Indonésia, Paquistão e Equador.
A tarifa de 12,5% ficaria para países considerados sem regimes eficazes de controle. Nesse grupo estão Brasil, China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido, Argentina, Arábia Saudita e outras economias investigadas.
“A falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável”, afirmou Greer. “Isso força os trabalhadores americanos a competir em um campo desigual. Não toleraremos mais”.
As tarifas ainda não entram em vigor. O USTR abriu consulta pública, com prazo para comentários por escrito até 6 de julho de 2026. As audiências públicas estão previstas para 7 de julho. Ainda não está claro se a tarifa de 12,5% poderia ser somada à alíquota de 25% recomendada contra o Brasil em outra investigação.

