3 de junho de 2026
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Os gargalos do Maranhão voltam à campanha de 2026

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Ano eleitoral no Brasil, coincidentemente, é ano de Copa do Mundo, como acontecerá em 2026. Politicamente, o país conquistou uma democracia robusta. Porém, como o “país do futebol”, longamente festejado mundo afora, já não é o mesmo. Até o técnico da Seleção, que nesta terça-feira desembarcou nos Estados Unidos para o torneio mundial da Fifa, pela primeira vez não é brasileiro. Foi importado da Itália: Carlo Ancelotti. A última Copa em que o país se sagrou campeão, conquistando o penta, foi em 2002, na Coreia do Sul e no Japão. Coincidentemente, foi o ano em que Luiz Inácio Lula da Silva ganhou sua primeira eleição presidencial, depois de sofrer três derrotas. Agora, o Brasil corre atrás do hexa, e Lula, de seu quarto mandato.

Na semana passada, pela primeira vez na história, o Brasil apareceu no grupo de países com “muito alto desenvolvimento humano”, alcançando a marca de 0,805 no IDH, medido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). A análise dessa evolução ocorreu ao longo de 13 anos (de 2012 a 2024), abrangendo o país como um todo e, em particular, os 26 estados e o Distrito Federal.

O índice subiu de 0,744 para 0,805 no período, mesmo diante do recuo registrado em 2020 e 2021 em decorrência de fatores estruturais e da pandemia de Covid-19. Os motores responsáveis por essa alavancagem foram, sem dúvida, as políticas de inclusão social, como o Bolsa Família, além das melhorias na saúde pública, na renda e na permanência escolar. Só em 2025, cerca de 2 milhões de famílias deixaram o programa Bolsa Família. A principal motivação para o desligamento foi a melhora da renda familiar, impulsionada pela educação, pela capacitação profissional e pela conquista de estabilidade por meio do emprego formal.

O Maranhão, embora tenha avançado no IDHM para a faixa de alto desenvolvimento humano, não deixou de permanecer como o estado de menor IDH do país, com 0,745, o que significa ser o mais pobre do Brasil. Já o Distrito Federal, primeiro colocado no ranking, tem IDH de 0,864, evidenciando uma distância socioeconômica entre regiões e estados, marcada pelas desigualdades de renda e por outros fatores. No índice de qualidade de vida, medido pelo Instituto Amazin, o Maranhão perde apenas para o vizinho estado do Pará.

Esses indicadores precisam estar no debate sobre as eleições no Maranhão, e não a enxurrada de pesquisas eleitorais que inundam o imaginário popular e nada somam à conscientização do eleitor sobre a melhor escolha de seus representantes no Executivo e no Legislativo, com vistas ao enfrentamento da pobreza, que parece uma chaga social crônica arrastada há décadas.

Em artigo publicado em janeiro de 2026, o governador Carlos Brandão colocou o dedo na ferida dessa questão socioeconômica do Maranhão. “Quem vive o dia a dia sabe: números bonitos em relatórios não enchem prato nem pagam as contas. Dado econômico só faz sentido quando chega à vida real, quando melhora o cotidiano das pessoas. É por isso que faço questão de voltar a esse assunto. Porque o que estamos vivendo hoje no Maranhão não é só estatística. É mudança concreta.” Ele cita dados do Imesc sobre a conjuntura do estado. “Dá para perceber o comércio mais movimentado, o campo produzindo e o trabalhador voltando para casa com o salário garantido no fim do mês”, acrescentou.

Ouvido por estes Bastidores sobre a pobreza enraizada na população maranhense, o ex-governador José Reinaldo Tavares, atual secretário de Projetos Estratégicos, elencou alguns pontos fundamentais para destravar o desenvolvimento: criar escolas que deem prazer à criança em estudar, e não que a façam preocupar-se com a merenda escolar; ampliar a infraestrutura portuária do Itaqui, abrindo espaço para investimentos pesados; atrair projetos industriais que gerem riqueza e emprego; promover a união política das bancadas parlamentares em prol do Maranhão, com projetos compartilhados; e pôr fim à cooptação política, cujo preço é alto demais e faz com que ninguém confie em ninguém.

José Reinaldo, 87 anos; José Sarney, 96; e João Alberto, 90, são figuras políticas que acumulam vasto conhecimento da realidade social, econômica e política do Maranhão e do Brasil. Os três ainda têm muito a contribuir com as gerações que estão no poder ou disputando mandatos em outubro. Todos foram governadores e tiveram atuação na vida pública, seja no Congresso Nacional, seja nas estruturas federal, estadual e municipal. João Alberto é ainda vereador em Bacabal, e José Sarney chegou à Presidência da República, foi senador pelo Maranhão e pelo Amapá, além de escritor com dezenas de títulos publicados e jornalista em atividade. Portanto, em política, eles tanto disputaram bolas divididas quanto ainda podem oferecer palpites valiosos à beira do campo.

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