8 de junho de 2026
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Daniel Vorcaro quer blindar Flávio Bolsonaro e Dark Horse em novo acordo de delação

Revista Fórum – Após divulgação de áudio em que chama Flávio Bolsonaro de “irmão”, Daniel Vorcaro incluiu o suposto patrocínio a Dark Horse no acordo de delação. No entanto, narrativa contraria fatos e provas já descobertos pelos investigadores.

o novo acordo de delação premiada que será entregue à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR), Daniel Vorcaro tenta blindar Flávio Bolsonaro (PL) ao citar o “patrocínio” ao filme Dark Horse, uma narrativa da ultradireita sobre Jair Bolsonaro. A proposta ampliada, após a recusa da primeira versão, deve ser negociada nesta semana e, ao que tudo indica, deve ser novamente rejeitada por contrariar fatos e provas já obtidas pelos investigadores.

Após esconder até mesmo a relação com o grupo político ligado ao ex-presidente, Vorcaro incluiu na nova proposta a relação íntima com nomes como Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil e presidente de fato da era Bolsonaro, e explicações sobre os cerca de 24 milhões de dólares – dos quais 10 milhões de dólares teriam sido transferidos para o fundo Havengate – que seriam destinados à cinebiografia do ex-presidente, produzida pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Vorcaro teria descrito que o patrocínio prometido ao “irmão” Flávio Bolsonaro” não envolveria contrapartidas e seria uma questão privada, o que confronta com as investigações sobre os dutos de dinheiro público transferidos ao Master por governos bolsonaristas, como de Cláudio Castro (PL-RJ) e Ibaneis Rocha (MDB-DF), além do esquema de fraudes em empréstimos consignados via Credcesta.

Vorcaro teria decidido incluir Dark Horse na delação após a revelação do áudio em que Flávio Bolsonaro o cobra sobre parte do dinheiro que não havia sido transferido ao fundo, que supostamente operava a gestão financeiro do filme. A troca de mensagens ocorreu às vésperas da primeira prisão do banqueiro, em novembro. Já com Vorcaro com tonozeleira eletrônica, Flávio visitou o amigo um dia antes de anunciar sua pré-candidatura à Presidência.

R$ 60 bilhões

Vorcaro ainda teria prometido ressarcir os cofres públicos em um valor que varia entre R$ 40 e R$ 60 bilhões. No entanto, a dúvida dos investigadores é de onde o banqueiro do liquidado Master vai tirar o montante. O valor é próximo aos R$ 40 bi que o Fundo Garantidor de Crédito (FCG) teve que dispor para reembolsar investidores que compraram até R$ 250 mil em títulos podres negociados pelo banco.

No acordo, Vorcaro teria se comprometido a ressarcir fundos públicos da Previdência, como o RioPrevidência, que aportou R$ 3 bilhões no Master.

Durante as tratativas, a proposta em discussão prevê que a restituição dos valores considerados irregulares a fundos estaduais e municipais de aposentadoria seja um dos principais pontos na definição da multa a ser aplicada ao banqueiro.

Na semana passada, a Polícia Federal apontou uma coincidência temporal entre os investimentos bilionários realizados pelo fundo fluminense e encontros mantidos por Vorcaro com o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, que também é alvo das apurações.

As investigações, no entanto, não se limitam ao estado do Rio de Janeiro. O Ministério da Previdência Social identificou ao menos 18 fundos previdenciários estaduais e municipais com aplicações no Banco Master.

Além do Rioprevidência, a lista inclui os fundos estaduais do Amapá, que investiu cerca de R$ 400 milhões, e do Amazonas, com aproximadamente R$ 50 milhões aplicados. Também aparecem entre os investidores fundos municipais de cidades localizadas nos estados de Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Alagoas e Pernambuco.

De acordo com os levantamentos iniciais, os investimentos realizados por entidades previdenciárias além do fundo fluminense ultrapassam R$ 1 bilhão.

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