Os entrançados políticos que se atam e desatam nas eleições do Maranhão
Por Raimundo Borges
O Imparcial – As convenções partidárias estão remodelando o jogo de xadrez das eleições no Maranhão, com mudanças que surpreendem até as próprias lideranças políticas envolvidas. Cada reunião convencional ocorre em clima de expectativa sobre nomes que entram e saem das listas de candidatos majoritários e proporcionais. Muitos, considerados certos até o dia da convenção, perdem relevância para a entrada de outros escalados de última hora. Nessa movimentação, não existe filtro ideológico capaz de identificar e separar os ajuntamentos pelo crivo que divide o país em tendências eleitorais de esquerda, centro e direita.
Os critérios mais fortes que prevalecem nas disputas por mandatos no Maranhão são os laços consanguíneos e de parentesco. São dezenas de candidatos, principalmente a deputado federal e estadual, que estão nas eleições com ligações familiares entre maridos e esposas, pais, filhos, filhas, tios, sobrinhos etc. Os únicos partidos que não adotam esse sistema são pequenos, de baixa representação eletiva, quase sempre fora dos mandatos legislativos e executivos. O PSOL, como legenda de esquerda, é uma exceção no país. Em 2022, chegou a eleger 13 deputados federais, sendo nove mulheres.
Em 2026, o Partido Socialismo e Liberdade, liderado no Maranhão por João Carlos, integra uma aliança de esquerda com o PT, do candidato a governador Felipe Camarão, focada na unificação de forças políticas locais. O professor Enilton Rodrigues retirou a pré-candidatura ao Palácio dos Leões para concorrer ao Senado Federal, cujo objetivo é estratégico: fortalecer os partidos de esquerda, de mãos dadas com a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB. A senadora Eliziane Gama (PT) vai para o projeto de reeleição, com a candidatura reforçada pelo apoio do presidente Lula.
A base política do Maranhão é sustentada por oligarquias municipais que se interligam às estaduais. Esse sistema, porém, vem se moldando ao longo dos anos, desde o coronelismo, na sua interligação com o poder municipal e regional, até chegar à capital por meio dos mandatos parlamentares. Há, portanto, todo um aparato de poder interligado, sustentado pela máquina pública municipal, por empregos, programas sociais e outros meios que garantem a fidelidade eleitoral. Não é novidade que o mando dos chefes políticos locais se estabelece e se expande para outras regiões e pode chegar até o centro do poder estadual, sempre escorado na baixa escolaridade do eleitor, alimentada pela dependência econômica.
Hoje, o fator rede familiar é mais forte politicamente do que as redes sociais das plataformas digitais. Em centenas de municípios, os sobrenomes de clãs políticos passam de geração em geração no comando de prefeituras e câmaras de vereadores, sempre escalonando a esfera de poder para a Assembleia Legislativa e a Câmara dos Deputados. Há uma interação política de poder entre candidatos que buscam mandatos estaduais nos municípios em troca de apoio às administrações locais. O deputado Josimar do Maranhãozinho (PL), hoje condenado no STF e inelegível pelo TSE, é um dos mais traquejados nessa engenharia política.
Começou como prefeito de Maranhãozinho entre 2005 e 2012, quando foi eleito com 85% dos votos; passou pela Assembleia Legislativa em 2014, como o mais votado, com 99 mil votos. Em 2018, tornou-se o deputado federal mais votado do Maranhão, com 196 mil votos. Na eleição de 2022, fez da esposa, Detinha, a campeã de votos, e ele ficou em 3º lugar. É tio da deputada estadual Fabiana Vilar e do vereador de São Luís Aldir Júnior, ambos candidatos a deputado federal em outubro. Josimar é ainda tio da prefeita de Zé Doca, Flavinha Cunha, substituta da irmã, Josinha Cunha. É um clã político encalacrado no sistema estadual. Fala-se nos bastidores que Detinha será candidata a deputada estadual para disputar a presidência da Alema.

