
As escaramuças dos candidatos às duas vagas de senador do MA
Por Raimundo Borges
O Imparcial – As eleições de outubro no Maranhão estão entrando na fase da campanha eleitoral, cheias de encontros, desencontros, amarras e desatracação para todos os lados. No princípio, o grupo Carlos Brandão-Flávio Dino estava com tudo pronto para repetir, em 2026, o sucesso de urna de 2014, 2018 e 2022. Deu tudo errado. Em pouco tempo, o bloco virou farelo e hoje se espalha mercê das circunstâncias que levam à corrida ao Palácio dos Leões e ao Congresso. Orleans Brandão seria candidato a deputado federal e acabou liderando a disputa pela sucessão do tio Carlos Brandão, enquanto os dinistas batem pernas ao lado de Orleans, de Felipe Camarão e de uma menor parte, a do PSB, sem candidato a governador.
Inicialmente, Roseana Sarney (MDB) não seria candidata a nenhum mandato. Depois, iria para a reeleição na Câmara, mas, finalmente, se definiu pelo Senado Federal. O deputado André Fufuca andava de braços dados com o ex-secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão, como pré-candidato a senador. Porém, não resistiu ao chamamento de Braide, que vinha aparecendo ora como líder, ora em empate técnico nas pesquisas. Pulou do barco de Orleans para o de Braide, palanque que atraiu também Lahesio Bonfim, até então pré-candidato a governador e depois ao Senado pelo Novo. O próprio ex-prefeito de São Luís só anunciou a sua candidatura em 31 de março, quando não havia mais tempo a perder.
Os deputados federais Pedro Lucas (União Brasil) e Duarte Júnior estavam prontos para disputar o Senado: o primeiro na chapa de Orleans Brandão e o segundo tentando se chegar para Braide. Nenhum acertou o alvo. Pedro Lucas foi surpreendido com a entrada de Roseana Sarney no páreo, liderança máxima do MDB estadual, ao lado de Weverton Rocha, do PDT, apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem é vice-líder no Senado. Já Pedro Lucas, apoiado pelo pai Pedro Fernandes, prefeito de Arame, adiou o projeto do Senado para 2030 e optou pela reeleição, possivelmente muito mais fácil.
Duarte ficou na rua. A deputada federal Amanda Gentil agiu fortemente para ele não entrar na União Brasil, federalizado com o PP de Fufuca, temendo disputa desigual pelos votos. Duarte teve de sair do PSB, presidido por Ana Paula Lobato, hoje atuando na oposição ao grupo originário das três eleições gerais passadas. Como também lhe trancaram a porta da Federação União Progressista, ele ingressou no Avante. Novamente, viu forças ocultas agindo nos bastidores para rifá-lo como candidato a senador, baseado no seu potencial matemático de tirar votos dos concorrentes. Resultado: Duarte teve que se contentar com a disputa da reeleição na Câmara dos Deputados.
Outro personagem nesse enredo intrincado é a deputada estadual e presidente da Alema, Iracema Vale. Por longo tempo, foi citada como pré-candidata ao Senado ou à vice na chapa de Orleans Brandão. Sua relação de aliada próxima do governador Carlos Brandão alimentava as especulações. No entanto, sem dizer sim nem não, ela segurou a onda até, finalmente, decidir concorrer à Câmara dos Deputados, outra casa do Congresso Nacional na qual o Maranhão tem direito a 18 cadeiras e pode apresentar mais 300 candidatos ainda pendentes de registro no Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
Ajeita daqui, desarruma dali, a eleição de senador bateu em onze candidatos no final do prazo das convenções, último dia 05. Gravem estes nomes, que vão aparecer na telinha da urna eletrônica no dia 4 de outubro: Weverton Rocha (PDT), Roseana Sarney (MDB), Hilton Gonçalo (Mobiliza), André Fufuca (PP), Lahesio Bonfim (Novo), Eliziane Gama (PT), Enilton Rodrigues (PSOL), Wilson Leite (PSTU), Cidônio Gonçalves (PL), Simplício Araújo (DC) e Raimundo Corrêa (PCB). Roseana Sarney segue com duas vice-prefeitas na suplência: de Colinas (Valberlene Lopes) e de Imperatriz (Carol Dualibe). A senadora Eliziane Gama leva Lene Rodrigues (PCdoB) e Patrícia Carlo, militante do PT.

