Tão perto das eleições e tão longe das verdades políticas
Por Raimundo Borges
O Imparcial – Faltam 55 dias para as eleições de 4 de outubro e o cenário da campanha no Maranhão é completamente diferente de quatro anos atrás. Em 2022, no fim de agosto, as pesquisas indicavam os candidatos ao governo, Carlos Brandão e Weverton Rocha, lutando para chegar ao segundo turno. Lahesio Bonfim e Edivaldo Júnior tentavam romper a “bolha” do terceiro lugar nas pesquisas e emparelhar com Weverton ou Brandão, que acabou eleito no primeiro turno. Lahesio estava no PSC, Edivaldo no PSD e Brandão no PSB. Hoje, só Weverton continua no PDT. Brandão está no MDB, apoiando o sobrinho Orleans; Lahesio concorre ao Senado pelo Novo; Edivaldo (Republicanos) é vice de Orleans.
Esses poucos casos são apenas uma pequena amostra de como os políticos trocam de partido sem consultar ninguém, nem se preocupar em deixar o eleitor desorientado, se desejar votar olhando o programa que os candidatos e partidos defendem. No pleito de 2022, o PSD era controlado pelo ex-prefeito Edivaldo Jr. Este ano, está nas mãos de outro ex-prefeito de São Luís: Eduardo Braide, que colocou Lahesio na chapa de senador, enquanto Roberto Rocha, que disputou o Senado pelo PTB e perdeu para Flávio Dino, hoje aparece no PRTB, disputando o governo, se dizendo de direita e tentando atrair os bolsonaristas.
Não sem motivo, esse pula-pula intrapartidário faz as pesquisas retratarem alto percentual de indecisos, ao redor de 20%, principalmente nos redutos maranhenses de maior densidade eleitoral, a partir de São Luís, cidade em que nenhum governador elegeu o prefeito e todos os governadores ou foram reeleitos ou elegeram o sucessor. Quanto à eleição de senador, o único caso em que a candidata derrotada Roseana Sarney conseguiu eleger Epitácio Cafeteira foi em 2006. Jackson Lago ganhou no segundo turno, mas depois foi cassado no TSE por ação de Roseana, que o acusou de compra de voto no governo José Reinaldo.
Agora, tão perto das eleições, o cenário apontado pelas pesquisas é de confusão e indecisão. Não há clareza sobre a polarização entre direita e esquerda no Maranhão, a exemplo do que ocorre no âmbito nacional. As campanhas dos principais concorrentes ao Palácio dos Leões – Orleans Brandão, Eduardo Braide e Felipe Camarão – têm a presença marcante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição. O PT e o MDB disputam quem mais usa a imagem de Lula em seus encontros, enquanto Eduardo Braide, acusado de bolsonarista por seus opositores, faz de conta que não é com ele.
Braide tem André Fufuca (PP), ex-ministro de Lula, disputando o Senado em sua chapa, ao lado de Lahesio Bonfim, um bolsonarista assumido. Orleans propaga o nome de Lula, defende a sua reeleição, as parcerias com o governo Carlos Brandão e a continuidade delas. Felipe Camarão é vice-governador rompido com o titular, mas com o PT atuando em pelo menos quatro secretarias do governo do tio de Orleans. No Debate da Band-MA, realizado domingo à noite em São Luís, Braide não compareceu e foi chamado de “candidato fujão” e bolsonarista pelos adversários. Um debate, aliás, de apenas algumas estocadas, mas nada que tirasse o objetivo da emissora de apresentar as propostas de cada qual.
O modelo de debate na TV segue o velho figurino de anos atrás. O perguntador faz um preâmbulo do que seria a sua resposta antecipada. As perguntas são direcionadas para atingir o perguntado ou para levantar a sua bola, quando não são inimigos. Plano de governo acaba sofrendo nessa lógica reversa. E mais: não há compromisso com a verdade, com a história e com os fatos. Tangenciam números, abusam da irrelevância e da autopromoção. De qualquer maneira, os debates de TV têm sua importância num momento histórico como o atual, em que a democracia vive sob ataques permanentes da desinformação e de mentiras de todos os formatos, principalmente produzidas por Inteligência Artificial e por burrice natural.

