Pesquisas que chocam com dados duvidosos
Por Raimundo Borges
O Imparcial – No último dia 20/08, o Instituto IPSensus divulgou uma pesquisa de intenções de voto para governador do Maranhão, na qual o candidato do MDB, Orleans Brandão, aparece com 41,01% e seu concorrente mais próximo, Eduardo Braide (PSD), com 37,84%. Na última segunda-feira, 24/08, o Instituto Quaest/Nirante divulgou a mais nova consulta sobre a mesma disputa ao Palácio dos Leões. Os resultados marcam profunda contradição: Eduardo Braide tem 44% e Orleans Brandão, 25%. É óbvio que são duas empresas que adotam metodologia e critérios próprios, mas o que choca é a larga margem entre seus números. Parece até que foram realizadas em estados diferentes ou entre outros candidatos.
No mundo todo, as pesquisas divergem em dois pontos essenciais: 1 – em relação ao que cada instituto apura; e 2 – sobre o que as urnas revelam. Como as pesquisas são resultados de uma ciência estatística, significa que devem ser aplicadas com rigor científico. É inadmissível que sejam manipuladas para distorcer a vontade do eleitor. Existem parâmetros que não podem ser ignorados nas pesquisas: orientar o voto consciente, impedir o eleitor de anular o voto ou levá-lo a se abster de votar. É com o voto consciente que a democracia opera como o sistema político mais importante do mundo. Logo, a pesquisa não visa antecipar resultado, mas mostrar a fotografia da mobilidade política durante a campanha eleitoral e levantar discussão.
Toda eleição, as pesquisas tanto incendeiam o debate eleitoral quanto geram polêmica durante a campanha. Porém, elas sofrem um processo de desgaste estrutural contínuo. Em 2026, observa-se que a proliferação descontrolada dos robôs de IA agrava a questão da credibilidade. “As empresas de estatística perdem a capacidade de distinguir um humano real de um perfil automatizado. Essa manipulação deliberada direciona a narrativa do voto útil de forma enganosa. O rumo da eleição acaba alterado com base em índices forjados, deslocando fatias de até 10% do eleitorado”, constata o jornalista Régis de Oliveira Júnior, em análise no portal Congresso em Foco, especializado em política.
Em junho passado, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, sustou uma pesquisa por trazer um bloco de perguntas que, em sua visão, poderiam prejudicar o candidato Flávio Bolsonaro. Trazia relação com o escândalo do Banco Master, poucos dias depois de o site Intercept Brasil publicar conversas do candidato do PL cobrando R$ 134 milhões de Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. O ministro enxergou “possível comprometimento da neutralidade metodológica do questionário”. É possível, sim, que a vontade popular possa desaparecer diante de pesquisas fabricadas.
No Maranhão, aparecem pesquisas dos institutos Econométrica, DataIlha, Til, Quaest, Paraná Pesquisas, Veritá, AtlasIntel, Vox Brasil, Inop, IPPI e mais alguns desconhecidos que registram e realizam pesquisas e incendeiam a guerra do vale-tudo eleitoral. A presidente do Conselho Regional de Estatística, Hildete Costa, cobra rigor na fiscalização das pesquisas eleitorais no Maranhão. Ela está assustada com tantos institutos pesquisando, alguns sem profissionais habilitados para o trabalho, que exige inúmeros requisitos técnicos e legais. Atualmente, são 29 empresas pesquisando, algumas no estilo “ao gosto do freguês”.
Dessa forma, o processo eleitoral sofre interferências de quem paga certas pesquisas e coloca em risco a própria democracia. Vira uma farsa perante, por exemplo, o eleitor indeciso que busca um rumo. Pior quando as pesquisas são produzidas por um exército de avatares, com números direcionados, impossíveis de serem desmentidos. Diz Miguel Fonseca Faro, no site Migalhas, que 30% das pesquisas analisadas por ele apresentavam sobrerrepresentação de grupos demográficos favoráveis a determinados candidatos; formulação tendenciosa de perguntas para favorecer certas respostas; e estratégia para divulgação em momentos cruciais da campanha.

