3 de setembro de 2026
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A história de 57 anos na Redação de O Imparcial

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Já se passaram 20.805 dias, transformados em 57 anos, daquele 1º de setembro de 1970, auge da ditadura militar e do ufanismo depois da conquista do Tricampeonato Mundial de Futebol no México e da posse definitiva da Taça Jules Rimet pela seleção canarinho.

Com cara de compreensivo espanto, subi os lances da escadaria em madeira de lei do prédio 46 da Rua Afonso Pena (Centro de São Luís), sede do jornal O Imparcial e da Rádio Gurupi. Na mão, uma câmera fotográfica Yashica Mat, no bolso, a carteira profissional ‘marronzinha’ e, na cabeça, muitas ideias soltas de quem ingressa no fascinante universo do jornalismo.

O Imparcial havia completado 44 anos em maio, e o Maranhão estava sob o comando do governador Antônio Dino, que substituíra José Sarney na desincompatibilização para disputar o Senado Federal. São Luís passava por transformações urbanas, com a inauguração da Ponte José Sarney, da Barragem do Bacanga e a expansão do Porto do Itaqui, que deram um novo perfil econômico ao Estado.

Implantava-se, na cidade de 265 mil habitantes, a cultura do reggae pelos LPs trazidos da Jamaica. Surgia a cara do chamado “Maranhão Novo”, com a transição da provinciana São Luís para os inúmeros bairros, como Anjo da Guarda, São Francisco, Cohab, Cohama, Vila Palmeira e o inevitável abandono do Centro Histórico.

Em 3 de outubro de 1970, o médico Pedro Neiva de Santana era eleito em votação indireta da Assembleia Legislativa, tornando-se o primeiro governador biônico da ditadura no Maranhão.

A Redação de O Imparcial, localizada no segundo andar daquela majestosa obra de arquitetura única em São Luís, contava com Benedito Buzar, Oliveira Ramos, Mauro Campos, Antônio Henrique Braga Polary, Raimundo Paixão, João Batista Braga, José Cirilo, Pedro Freire, Josemar Lopes (revisores), Alfredo Galvão, Batista Lopes (copidesques), Ferreira Bati (secretário da Redação), Jâmenes Calado, Aurílio Vieira de Andrade, Merval Melo, José Vera Cruz Santana, Maria Inês Sabóya, Josias Nobre de Mesquita, Raimundo Barnabé e eu, compondo o quadro de repórteres fotográficos.

O jornalista Adirson Vasconcelos era o superintendente; José Pires de Saboia, diretor-geral; e Arthur Almada Lima, diretor-assistente. Adirson retornou a Brasília, tornando-se o maior escritor da história da capital federal, lançando dezenas de livros, inclusive duas enciclopédias.

Saboia virou deputado federal, e Almada, diretor-geral até reaver na Justiça o cargo de juiz de Direito, do qual estava em indisponibilidade pela ditadura. Ascendeu a desembargador e, como tal, se aposentou. Em 1973, O Imparcial fez a maior revolução na imprensa maranhense, colocando o sistema de impressão offset.

Como jornalista, cobri inúmeros eventos que transformaram a história do Maranhão e alguns que permanecem, como os conflitos agrários que resistem há séculos. Em 1973, o avião que caiu ao lado do Aeroporto de São Luís, com 23 mortos. Caí de avião com o arcebispo D. Motta, o padre canadense Victor Asselin e o juiz Ribamar Heluy, cobrindo conflito agrário em Cândido Mendes. Em São Luís, garantimos o surgimento do bairro Coroadinho, de uma invasão em meio a várias derrubadas de casebres, e da Vila Padre Xavier.

Estive em todas as aldeias Guajajara com os jornalistas Luiz Pedro e Ademário Cavalcante, apoiando a luta dos indígenas sitiados por invasores, madeireiros e grileiros. Fui correspondente de O Globo por onze anos, trabalhei no Diário da Noite, Diário de São Paulo e Correio Braziliense.

Ajudei a fundar a Associação dos Cronistas Esportivos (Aclem), a reestruturar o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Luís, com Jâmenes Calado; fui criador do Comitê de Imprensa da Assembleia Legislativa; fui à posse de José Sarney como presidente do Brasil, em 1985, e de todos os governadores eleitos desde 1982. Em 1994, assumi a diretoria de Redação de O Imparcial, a convite do presidente Pedro Freire.

Na Redação, conheci Elda Borges como estagiária e, juntos, ampliamos uma família linda. Sem ela, não teria chegado aonde cheguei, vindo de onde vim: de Jaguarana, 3º Distrito de Caxias, lavrador sem-terra até os 16 anos. Desculpe, mas tenho orgulho de participar, até hoje, da história de 20.805 dias de O Imparcial.

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