2 de setembro de 2026
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A briga entre Mendonça e Moraes que quase chegou às vias de fato

Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), teriam protagonizado uma discussão acalorada depois que uma investigação sob relatoria de Mendonça identificou Moraes como interlocutor do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

O encontro, segundo o Metrópoles, ocorreu após Moraes pedir uma conversa com o colega na segunda (31).

O diálogo entre os dois ministros teria evoluído para um bate-boca e quase terminado em agressões físicas. Moraes questionou Mendonça pelo aprofundamento das apurações que levaram a Polícia Federal a esclarecer a identidade de uma pessoa mencionada em conversas de Vorcaro.

Na conversa, Vorcaro teria pedido a Moraes “proteção” do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. A Polícia Federal apurou que Moraes era o interlocutor do empresário.

Durante a discussão, Mendonça quis saber como Moraes tomou conhecimento da investigação sigilosa. Moraes disse que tinha suas fontes e acusou o colega de direcionar a apuração contra ele.

As regras do STF exigem concordância de todos os ministros da Corte para investigar um integrante do tribunal. A exigência coloca o episódio sob análise dos demais membros do Supremo caso surjam medidas formais relacionadas à apuração.

Após o desentendimento, Moraes passou a reunir elementos para reagir a Mendonça.

Vazamentos a granel

O ministro André Mendonça tornou públicos nesta terça-feira (1º) os detalhes da investigação da Polícia Federal que expõe a relação entre Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

O material reúne informações sobre contratos milionários firmados entre o banco e o escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes. Segundo a PF, há indícios de participação direta do ministro nas negociações.

O primeiro contrato foi negociado em janeiro de 2024. No dia 11 daquele mês, Viviane enviou a Vorcaro uma minuta de prestação de serviços advocatícios. A análise dos metadados feita pelos investigadores mostrou que a última alteração do documento havia sido realizada por um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.

Para a PF, o registro indica que Moraes não apenas tinha conhecimento do contrato, mas também teria interferido diretamente na negociação.

Dias depois, Viviane enviou uma nova versão do documento ao banqueiro. Mais uma vez, os metadados apontaram para a participação de Moraes: a última modificação havia sido feita pelo usuário “Ministro Alexandre de Moraes”, em 15 de janeiro de 2024, às 23h04.

O contrato acabou assinado em 23 de janeiro. Ele previa 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões, totalizando R$ 108 milhões.

Contato de Moraes foi repassado por Fábio Faria

A investigação também identificou que Daniel Vorcaro mantinha o número de Alexandre de Moraes salvo em seu celular com quatro identificações diferentes: “Alexandre de Moraes BRASILIA”, “Novo”, “STF TSE NOVO” e “Eu STF”.

Segundo a PF, os contatos foram enviados a Vorcaro por Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações do governo Jair Bolsonaro, em 26 de dezembro de 2023, pelo WhatsApp.

As mensagens indicam que Faria teria feito a ponte entre o banqueiro e o ministro do STF. No dia seguinte ao envio do contato, os dois conversaram sobre um almoço de Moraes em um dos imóveis de Vorcaro, em Campos do Jordão.

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