Dia de Fachin fazer história ou ser engolido pela farsa
Por Raimundo Borges
O Imparcial – Vinte dias e um destino. Parece nome do faroeste “Sete Homens e um Destino”, estrelado por Steve McQueen e Charles Bronson, mas o assunto não é diversão cinematográfica. É a história viva do Brasil de 2026 no momento dramático.
Faltam 20 dias para a eleição mais importante da história contemporânea do maior país da América Latina e não há quem não se preocupe com o destino da democracia brasileira, quatro anos depois da tentativa de golpe de Estado pelo mesmo processo político. O putsch bolsonarista foi derrotado, mas seus personagens voltam, como se fosse a regravação do bangue-bangue com aqueles personagens ocupando os mesmos papéis na trama: Flávio Bolsonaro e Lula da Silva.
A crise do STF antecipou até a cobertura da imprensa internacional para este período pré-eleições, com ingredientes para impactar a história do Brasil, no estilo dos “Dez Dias que Abalaram o Mundo”, de John Reed. Reportagem do jornal Financial Times, publicada no domingo (13/9), afirma com todas as letras que a crise político-jurídica sem precedente na Suprema Corte do Brasil terá impacto decisivo na eleição presidencial no próximo dia 4 de outubro.
O diário inglês descreve a situação como uma “disputa acirrada entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça”, mas deixa de lado o presidente Edson Fachin, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Flávio Dino.
Não passa despercebido o fato de o filho do principal personagem do golpe de 2022/2023, Jair Bolsonaro, que tentou impedir a posse de Lula da Silva, estar tecnicamente empatado com ele nas pesquisas eleitorais, fato que faz evaporar ainda mais o redemoinho político que açoita o ambiente da Praça dos Três Poderes, na capital da República.
Diz a BBC News Brasil: “Embora Lula não tenha sido acusado no caso Banco Master, o episódio atinge um ponto sensível do veterano líder de esquerda, que no passado foi preso acusado de corrupção em condenações posteriormente anuladas pelo mesmo STF”.
Flávio Bolsonaro tem tentado tirar proveito da crise ao renovar as exigências pela destituição de Moraes, que condenou seu pai. “Um voto em Lula é um voto em Moraes”, disse ele a seus apoiadores na semana passada. No entanto, Flávio passou a ser investigado pelo STF por suspeita de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas no financiamento do filme “Dark Horse”, sobre seu pai, Jair Bolsonaro.
Não é difícil, pois, perceber-se que o roteiro do longa, se pretendesse ser algo de real, não deixaria de fora os desdobramentos do explosivo escândalo envolvendo Daniel Vorcaro e seu banco Master, liquidado em novembro do ano passado pelo Banco Central, depois de colocar R$ 65 milhões no filme.
A sessão extraordinária do STF, às 10h de hoje (15/09), tem uma pauta tão ampla quanto explosiva. Até foge ao entendimento dos especialistas, pela abrangência de implicações e desdobramentos imprevisíveis sobre as eleições.
Na guerra inédita na história do STF, cada dia tem um rolo cruzando ou passando por cima de outros rolos. Domingo passado, Flávio Dino entrou no jogo, puxando para si os calhamaços sobre suspeitas de desvios de recursos públicos no financiamento do filme “Dark Horse”, ao levantar o sigilo de cinco mil páginas de apurações feitas pela Polícia Civil de São Paulo e o compartilhamento consigo de todos os documentos, celulares e computadores apreendidos.
Afinal, a data das eleições em 4 de outubro entrou para a história do Brasil, 96 anos atrás, como o início do movimento armado contra o governo de Washington Luís, em uma operação conjunta articulada entre o Rio Grande do Sul, Paraíba e Minas Gerais, que encerrou a República Velha e colocou Getúlio Vargas no poder, no qual se transformou em ditador.
Karl Marx já dizia que a “História se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”. O Brasil, neste quarto de século XXI, está cheio de farsantes tentando desviar o curso da história da maior democracia latino-americana. Só o STF pode impedir isso, hoje.

