Globo divulga que PF faz buscas em endereços de Flávio Bolsonaro; STF nega
Revista Fórum – Supremo Tribunal Federal (STF) teria negado ao Poder 360 que teria dado aval a qualquer operação. O link com a reportagem do G1 foi retirado do ar.
O portal G1, da TV Globo, divulgou uma notícia na manhã desta quarta-feira de que a Polícia Federal estaria realizando buscas e apreensões em endereços ligados ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), atribuindo a investigadores.
A Fórum e o Poder360 repercutiram a informação divulgada em primeira mão pela Globo. No entanto, o Supremo Tribunal Federal (STF) teria negado ao Poder 360 que teria dado aval a qualquer operação. O link com a reportagem do G1 foi retirado do ar.
“Trata-se de falsa a informação veiculada sobre a existência ou cumprimento de qualquer mandado de busca e apreensão direcionado ao senador Flávio Bolsonaro ou a seus endereços. Não há nenhuma decisão judicial nesse sentido, tampouco realização de diligência policial ou de busca e apreensão”, disse, em nota, o STF.
Segundo as informações divulgadas pela Globo antes da negativa do STF, a ação teria ocorrido um dia após o senador deixar o Brasil, depois que Moraes havia determinado a entrega de seus passaportes, e enquanto Flávio e sua família viajavam para os Estados Unidos. O objetivo seria recolher documentos e equipamentos eletrônicos que possam auxiliar na apuração sobre lavagem de dinheiro, especificamente no contexto de negócios envolvendo casas de apostas.

Saída do país e ordem de passaportes
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil depois que o ministro Alexandre de Moraes determinou a entrega dos passaportes do parlamentar. A decisão judicial foi tomada no âmbito da investigação sobre a possível ligação do senador com negócios envolvendo casas de apostas do advogado Willer Tomaz.
Flávio Bolsonaro e sua família viajaram para os Estados Unidos na manhã desta quarta-feira (28). O voo partiu da Argentina, fez breve escala no Equador e seguiu com destino a Miami, com previsão de chegada ao aeroporto Opa-locka Executive.
O governo dos EUA afirmou na terça-feira (27) que emitirá vistos para Flávio e sua família, permitindo a entrada no país, segundo declaração do próprio governo americano. O presidente Donald Trump, por sua vez, voltou a afirmar, sem provas, que houve fraude na eleição brasileira em que Flávio Bolsonaro perdeu para Lula, e disse aprovar a ida do senador aos EUA, segundo Trump.
As investigações contra o senador
Flávio Bolsonaro é alvo de dois inquéritos que tramitam no STF, com relatores distintos e objetos diferentes. O primeiro, sob relatoria do ministro André Mendonça, investiga o parlamentar pela possível prática de crimes relacionados ao financiamento da produção do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Essa apuração mira repasses feitos por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, à produção do longa.
O segundo inquérito, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, apura se o senador cometeu lavagem de dinheiro por meio de uma casa de apostas. Nesse caso, a PF quebrou o sigilo telemático do advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio, e encontrou e-mails que apontam o senador como “usuário master” de uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, de propriedade de Tomaz, segundo relatório da PF. O mesmo relatório afirma haver “elementos indicativos de vínculo de controle ou propriedade de fato de Willer Tomaz sobre a Rede Loto”, empresa que obteve autorização para explorar apostas esportivas no Rio de Janeiro. A estrutura financeira descrita pelos investigadores sugere o uso de pessoas jurídicas interpostas para movimentar recursos de forma opaca.
Os documentos e equipamentos eletrônicos recolhidos nas buscas desta quarta-feira (28) devem alimentar diretamente as investigações em curso no STF, em especial o inquérito sobre lavagem de dinheiro com casas de apostas. A partir dos dados coletados, a apuração sobre a Rede Loto e sua conexão com Willer Tomaz pode ganhar novos desdobramentos.

