19 de julho de 2024
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Sucessão de Braide é sacudida pela posição ambígua do MDB

Baleia Rossi, ao lado de Braide, do ex-deputado Hildo Rocha e do deputado Cleber Verde, afirmou que o MDB está firme no apoio “à reeleição de Braide”

Por Raimundo Borges

O Imparcial – O saudoso Magalhães Pinto já ensinava lá atrás, o seguinte: “Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Você olha de novo e ela já mudou”. De fato, é com suas manobras alucinantes que a política muda de lugar, de cor partidária e até da ideologia, tudo tangida pelas circunstâncias do momento.

O MDB maranhense, desde quando foi destronado em 2014 pela eleição de Flávio Dino (PCdoB), passou a viver ao sabor das ventanias que ainda sacodem suas estruturas. Em 2022, por exemplo, o partido que mandou no Maranhão por 32 anos e colocou Sarney no Planalto, elegeu apenas os deputados estaduais (Roberto Costa e Ricardo Arruda) e apenas Roseana Sarney para a Câmara dos Deputados.

Na última segunda-feira, o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi surpreendeu o ambiente político do Maranhão, jogando mais combustível na batalhada prefeitura de São Luís, travada nos dias atuais, entre o prefeito Eduardo Braide (PSD) e o deputado federal Duarte Júnior (PSB).

Com todas as letras e exaltação, Baleia Rossi disse, ao lado de Braide, do ex-deputado Hildo Rocha e do deputado Cleber Verde, que o MDB está firme no apoio “à reeleição do nosso prefeito Braide”. Foi o suficiente para subir uma cortina de fumaça sobre o MDB. Não é segredo que o partido está hoje sob o guarda-chuva de Carlos Brandão.

Marcus Brandão, irmão do governador, recebeu em outubro do ano passado, o comando do MDB oferecido, de mão beijada, por ninguém menos que a deputada Roseana Sarney, até então sua presidente. Dessa forma, os Brandão estão no controle do antigo partido sarneísta, do PSB, além do PSDB e na aliança firme com o PCdoB e Republicanos.

Não sem motivo, o deputado Roberto Costa, emedebista-raiz reagiu à declaração de Baleia Rossi, dizendo que ele não entende do partido no Maranhão nem de sua política. E revelou que o deputado Cleber Verde não é presidente do diretório municipal de São Luís.

De fato, Verde começou sua carreira como vereador da capital maranhense e tem um histórico de troca-troca partidária (PV, PST, PAN, PRB-Republicanos). Só no próximo dia 29 de maio é que ele deve assinar a filiação no MDB e assumir o diretório municipal, até agora sob o comando de Roberto Costa, alinhado com o governador Brandão.

É assim que gira a engrenagem da política em qualquer parte, com os seus personagens se adaptando às circunstâncias, sem ligar para a história, muito menos se apegar às filigranas ideológicas ou a programas partidários, peças tão bem elaboradas, para depois mofar nos arquivos da Justiça Eleitoral.

O MDB, que enfrentou os 21 anos de ditadura militar no bipartidarismo, contra a Arena, tem uma história robusta e o DNA marcado pelo dogma da democracia brasileira. Foi a força políticaBque ajudou derrubar o regime militar, fez surgir o pluripartidarismo, com o PT e dezenas de outras siglas, assim como permitiu que José Sarney substituísse Tancredo Neves em 1985, fez a transição democrática, permitiu a Constituição mais inovadora da história e ainda hoje carrega todo um simbolismo.

Sua imagem é impregnada na figura de José Sarney, assim como o PT tem a cara do presidente Lula, o PDT é tatuado de Leonel Brizola e o PSDB só falta usar o fardão da Academia Brasileira de Letras, para ser o próprio FHC.

PÍLULAS POLÍTICAS

O fundo da briga (1)

A montanha de R$ 462 milhões em fundo partidário seria o motivo da guerra pelo comando da União Brasil, partido resultante da fusão do DEM com o PSL. A UB recebeu em março de 2023 a primeira parcela do seu quinhão no Fundo, de R$ 54 milhões.

O fundo da briga (2)

Esse valor não tem nada a ver com o Fundo Eleitoral que desde 2022 foi mantido em R$ 4,9 bilhões para 32 partidos. A UB tem a 3ª maior parte, atrás do PL e do PT, graças a sua bancada na Câmara dos Deputados. Portanto, a guerra está só começando.

O fundo da briga (3)

Os protagonistas da guerra que resultou no incêndios em duas casa do presidente Antônio Rueda, são Luciano Bivar, cacique da UB, que não quer largar a ossada gorda, mais ainda se a UB se unir com o PP de Arthur Lira e ficar com 115 deputados.

O fundo da briga (4)

Com esse gigantismo, essa nova legenda pode engolir o Centrão, controlar a Câmara e a dinheirama dos fundos partidário e eleitoral. No meio do chafurdo estão: Luciano Bivar, Antônio Rueda, ACM Neto, Ronaldo Caiado e Davi Alcolumbre.

Longe do angu

O ministro das Comunicações Juscelino Filho e os deputados federais Pedro Lucas e Dr. Benjamin, todos da União Brasil estão fazendo cara de paisagem, quando o mundo político debate a guerra na cúpula entre Antônio Rueda, Luciano Bivar, ACM Neto & Cia.

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