17 de julho de 2024
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Brandão já transita entre lulismo e bolsonarismo

Por Raimundo Borges 

O Imparcial – A campanha eleitoral no Maranhão está logo ali na esquina do tempo, com o bolsonarismo ofuscado numa zona cinzenta da política, sem herdeiro oficial e sem divorciado de papel passado.

Como as eleições de outubro são municipais, o PT e o lulismo andam embaraçados em articulações a perder de vista. É a tentativa de não fazer feio, mesmo sem concorrer à sucessão do prefeito Eduardo Braide.

Já o bolsonarismo enfrenta as contradições locais, sem uma liderança sustentável na corrida ao Palácio La Ravardière – nem com alguém saído  das congregações evangélicas, fiéis às pregações do casal Jair-Michelle Bolsonaro.

Esta semana, a presidente nacional do PT Gleisi Hoffmann esteve em São Luís para orientar as estratégias do partido sobre as eleições, mas sem arriscar candidatura própria.

O PT é federado com o PCdoB e o PV – todos com presença no governo Carlos Brandão, do PSB que, como líder maior da política do Maranhão, fechou questão no apoio à candidatura de Duarte Júnior, que já vem de um 2º turno em 2020 contra Eduardo Braide.

Não ficou claro, porém ,se o PT vai indicar o vice de Duarte, a exemplo do que fez com o próprio Brandão em 2022, sacramentando a secretário de Educação Felipe Camarão como seu vice.

Nos dias 19 e 20 de abril, o casal Bolsonaro estará em São Luís para evento político do PL Mulher, que Michelle preside nacionalmente, organizado pela deputada federal mais votada em 2022, Detinha, mulher do também deputado Josimar do Maranhãozinho, o mandachuva da legenda bolsonarista.

Sem nenhuma expressão eleitoral em São Luís, o PL pode abrigar o deputado estadual Yglésio Moises (PSB), único socialista no Brasil a bandear para o bolsonarismo. Por falta de opção partidária, ele tenta alinhamento com os Bolsonaro, até oferecendo título de cidadania maranhense à ex-primeira dama do Brasil.

Yglésio precisa de um partido forte para concorrer à prefeitura e o PL tem falta dessa figura na capital para se unir à força de Josimar de Maranhãozinho, o maior aglutinador de prefeitos no interior, com os quais deita e rola nas eleições em que participa. Assim como Josimar é um liberal do PL, mas sem a convicção de bolsonarista, Carlos Brandão também é um socialista do PSB, sem qualquer traço de esquerdismo.

O deputado Rodrigo Lago(PCdoB) reclamou de uma suposta oferta de cargos no governo para a deputada Mical Damasceno, bolsonarista roxa. E ela ironizou, chamando o colega de “Jabuti que caiu da árvore”, referindo-se a eleição de Lago, totalmente apoiada no governo de Flávio Dino em 2022.

Seja como for, até o MDB está tentando pôr a cabeça para fora desse ambiente carregado de contradições e mergulhado num mar de incertezas. O partido está sob o comando de Marcus Brandão, irmão do governador, de olho nas eleições de 2026.

Com toda essa movimentação intrapartidária, Brandão acaba de nomear o deputado Neto Evangelista seu líder na Assembleia Legislativa. Em 2022, Neto se uniu ao candidato Weverton Rocha (PDT), alegando afinidade ideológica, com foco nas questões dos mais vulneráveis.

Não será surpresa de o pedetista também virar a casaca e se juntar a Brandão, de olho na eleição de 2026, quando haverá duas vagas no Senado e o seu mandato estará chegando ao fim.

PÍLULAS POLÍTICAS

Buscando espaço (1)

Para o distinto público, a senadora Eliziane Gama (PSD) aparece cada vez mais próxima do governo Lula. Ela sabe que 2026 terá uma pedreira política pela frente, quando tentará se manter no mandato conquistado em 2018.

Buscando espaço (2)

São Duas vagas em disputa no Senado, para as quais tomam posição o governador Carlos Brandão, o senador Weverton Rocha, a própria Eliziane Gama, o prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo. Nenhum do universo bolsonarista, muito menos contra.

Apostas do Novo

Em São Luís, o Novo vai de Wellington do Curso para prefeito; em Paço do Lumiar levará o empresário Francisco Neto; e em São José de Ribamar, lançará o ativista Guilherme Mulato. Na pequena cidade de Raposa, o Novo ainda não encontrou um nome.

Juntos e misturados

Na festa de seu aniversário, dia 19, em Brasília, o deputado Rubens Júnior (PT) fez uma salada ideológica daquele jeito. Reuniu Flávio Dino, Roseana Sarney, André Fufuca, Zé Dirceu, Carlos Brandão, Iracema Vale, Eliziane Gama e Kim Kataguiri.

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