17 de julho de 2024
DestaquesGeralPolítica

O crime organizado infiltrado na política

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Em ano eleitoral como este 2024, as pesquisas de intenção de voto têm enorme potencial de influenciar o eleitor sobre a escolha dos candidatos. Mas quase sempre esse tipo de consulta acaba desmoralizada pelas urnas na sua relação direta e objetiva com o dono do voto.

Por quê isso ocorre? Porque os institutos não levam em conta as conjunturas mais abrangentes nas quais o eleitor tem seus próprios parâmetros de avaliação, sem considerar a questão financeira, política ou a competência dos candidatos. Hoje, por exemplo, o avanço das organizações criminosas na vida da população terá sim peso na decisão do voto.

A violência dos dias atuais está extrapolando todos os limites toleráveis com imenso poder de interferir nas eleições, com suas relações promíscuas com o poder político em várias escalas. O crime organizado se infiltrou na política, na polícia e nos negócios, a ponto de corroer o aparelho do Estado.

As tecnologias digitais são tão bem utilizadas pelo crime ao grau de surpreender até a União e os estados brasileiros no modo adotado para combatê-lo. Diferente do que se imagina, o crime organizado não está apenas na estrutura do PCC ou do Comando Vermelho, mas também em dezenas de facções espalhadas pelo país afora.

Portanto, as eleições também são visadas pelo crime organizado, do mesmo jeito que conseguem investir em faculdades para formar advogados, criar bancos digitais, se infiltrar na jogatina eletrônica, no contrabando de armas, no comércio de importados, principalmente, nas redes sociais, hoje um terreno onde tudo é possível.

Ademais, ninguém tem dúvida de que as mazelas sociais, onde a pobreza se alastra, são fontes de operação do crime organizado, que controle tanto as favelas do Rio de Janeiro, quanto qualquer aglomerado urbano ao redor dequalquer capital ou mesmo nas atividades do meio rural, com a garimpagem ilegal e a exploração madeireira.  

A política e o crime organizado estão a caminhar lado a lado em das vertentes de poder, unindo suas estruturas para se fortalecerem numa engrenagem que, quanto mais confundem o Estado, mais penetram em sua estrutura de segurança. Em muitas comunidades o crime organizado faz o papel do estado, interferindo nas famílias e na juventude para controlá-las e dominá-las.

Está provado que, onde o Estado fecha os olhões para as organizações do crime, mais elas vão ampliando seus tentáculos, ditando regras e cobrando por serviços que o Estado deixa de fazer ou faz de péssima qualidade.

É nessa paradoxal inversão de papel que, o crime avança na diversificação de suas atividades criminosas, comovendendo internet, tv a cabo, participando do transporte público, atuando em imobiliárias, na educação e na política.

Não adianta o aparelho de segurança pública ficar pisando no mesmo terreno, buscando prender ladrão de celular e entregadores de maconha no delivere, enquanto o crime organizado investe em fábrica de cachaça dentro dos presídios, como ocorreu em Mato Grosso; avança em roubo de carga, cria banco digital e ousa promover a maior caçada da história do país, dando proteção aos fugitivos de Mossoró, para debochar do Estado.

PÍLULAS POLÍTICAS 

Encrencado

O presidente Lula já deve estar no limite da tolerância com tanta encrenca envolvendo o ministro das Comunicações Juscelino Filho (UB). Desta vez é a intimação para ele depor no inquérito da PF que apura desvio de recursos de emendas do tempo em que o ministro era deputado federal.

Cara nova no 1º escalão

Mais uma cara nova no primeiro escalão do governo Carlos Brandão. É o Thiago Prado, titular da Secretaria da Juventude, que já trabalhou na área em Ribamar. Ele substituiu a secretária Tatiana, que se desincompatibilizou para disputar cadeira na Câmara de São Luís.

Nova crise instalada

O ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin atendeu o pedido da Advocacia Geral da União (AGU) e suspendeu o fim da desoneração da folha de diversos setores da economia, contrariando a decisão do Congresso Nacional. Rodrigo Pacheco reagiu duro, ontem.

Valeu!!

Sem pagar o resgate, a Polícia Civil do Maranhão trouxe de volta à família, o promotor aposentado Raimundo Reis Viana, que foi sequestrado por bandidos esta semana. Agora a Polícia quer prender os sequestradores. Parabéns à Polícia Civil.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *