18 de julho de 2024
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Moraes concede liberdade a Mauro Cid após novas delações

DCM – Ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid deve sair da prisão em Brasília ainda nesta sexta-feira (3). A decisão é do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que lida com a investigação sobre a trama golpista do ex-presidente e seus aliados em 2022.

O militar voltou a colaborar com as investigações federais enquanto esteve preso pela segunda vez. “Foram reafirmadas a regularidade, legalidade, adequação dos benefícios pactuados e dos resultados da colaboração à exigência legal e a voluntariedade da manifestação de vontade” do delator, diz Moraes na decisão.

Cid foi preso em 2023 pela Polícia Federal no inquérito que apura a falsificação de comprovantes de vacina contra a Covid-19. Depois, ele acertou um acordo de delação premiada sobre a tentativa de golpe, mas em março deste ano voltou a ser preso após quebrar o sigilo da delação com a PF, homologada pelo ministro, e falar publicamente sobre as investigações.

Moraes também confirmou integralmente o acordo de colaboração premiada firmado por Cid com a PF. A notícia da libertação do militar foi adiantada pelo advogado de defesa, Cezar Bittencourt. “Saiu a liberação do Cid. Ele sairá [da prisão] ao final da tarde”, afirmou Bittencourt.

Na última sexta-feira (26), o tenente-coronel prestou esclarecimentos online para a PF na apuração do caso das joias entregues a Bolsonaro. O depoimento “ao vivo” teve o objetivo de colaborar com a entidade brasileira e a FBI nos Estados Unidos.

Cid foi preso em 22 de março durante um depoimento à Polícia Federal, após o vazamento de áudios nos quais ele criticava a corporação e o STF. Durante o interrogatório, ele desmaiou ao ser informado sobre sua nova prisão.

“O Alexandre de Moraes é a lei. Ele prende, ele solta, quando ele quiser, como ele quiser. Com Ministério Público, sem Ministério Público, com acusação, sem acusação”, disse o bolsonarista na ocasião.

 

A prisão ocorreu devido ao fato de Cid ter quebrado o sigilo da delação com a PF, homologada por Moraes, e ter discutido publicamente sobre as investigações. Nos áudios vazados, Cid afirmou que o STF e a PF já tinham uma narrativa pronta sobre os inquéritos, incluindo a venda de joias e a tentativa de golpe de Estado para impedir a posse do presidente Lula.

Anteriormente, Cid passou quatro meses preso em um batalhão em 2023, quando era investigado em um caso de falsificação de cartões de vacinação de Jair Bolsonaro, seus familiares e assessores.

Embora ainda não tenha sido condenado, a alta cúpula militar optou por não promover Mauro Cid a coronel esta semana. Se condenado a mais de 2 anos, Cid deixará de ser militar, e seu salário será repassado à esposa, seguindo o protocolo em casos de falecimento de militares.

 

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