18 de julho de 2024
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Fala cifrada de Brandão posta Iracema Vale na rota de 2026

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Ao cobrar, de corpo presente, do PT maranhense uma participação mais forte na eleição municipal de outubro, com candidatos a prefeitos onde for possível, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acabou deixando os dirigentes do seu partido no Maranhão naquilo que se convencionou chamar de “saia justa”.

Ele não entende porque o partido que está na quinta vez na presidência da República, no período de 22 anos e tem a segunda maior bancada na Câmara dos Deputados, e, no entanto, no Maranhão tem sido uma decepção eleitoral, por pura falta de renovação de quadros e perda da liga com os meios sociais e universitário.

O tema é fascinante até para estudiosos da política. Como o segundo estado que mais deu voto para Lula em 2022 (perdeu para Piauí), repetindo as vezes anteriores dele e de Dilma Rousseff – duas vezes cada – hoje sua representação está reduzida a um deputado federal (Rubens Pereira Júnior) e um suplente (José Inácio) na Assembleia Legislativa.

Em 2022, só elegeu um único prefeito, Luiz da Amovelar Filho em Coroatá, município de baixa densidade eleitoral. Obviamente, que o presidente da República já tem o mapeamento do PT para as eleições municipais em todo o país.

Até agora, apenas em Codó, com 114,2 mil habitantes, o PT tem o empresário ricaço Chiquinho da FC Oliveira como candidato definido entre os grandes colégios eleitorais. Porém, entre os municípios de FPM dobrado, o PT não tem candidato a prefeito.

Em São Luís, apoia Duarte Jr (PSB); em Imperatriz, onde teve dois prefeitos (Jomar Fernandes e a esposa Terezinha Fernandes) vai com  Marco Aurélio (PCdoB); em Caxias, São José de Ribamar, Timon, Paço do Lumiar, está  indefinido. Estranhamente, no Estado com 1,2 milhão de pessoas, no Bolsa Família, de enorme apelo eleitoral, o PT de Lula esteja tão de baixo-astral.

Mas o que chamou mesmo a atenção da política maranhense, foi a fala do governador Carlos Brandão nos atos com o presidente Lula em São Luís, ordenando obras no Maranhão e renovando por 30 anos a concessão do Porto do Itaqui, ao governo estadual (Emap).

Em tom coloquial e de empolgação, Brandão disse: “Você pode contar com o povo do Maranhão, Lula. Esse povo te ama. Você teve a segunda maior votação aqui. Por pouco perdemos para o Piauí. Mas na próxima, em 2026, nós vamos ganhar, não vamos, Iracema?

Como Brandão se dirigiu à ex-petista presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale, sua companheira de PSB e de andanças políticas pelo interior do Maranhão, e não ao vice Felipe Camarão, que é do PT, quem analisa com cuidado a fala dele, encontra duplo sentido nas entrelinhas.

Será que Brandão passou um recado de corpo presentes ao companheiro Felipe Camarão, também naquele ato, de que pode se animar a lançar Iracema ao governo em 2026? Se essa foi a intenção, só o tempo dirá. Afinal, a política é também a arte de dizer tudo, mas, de preferência, falando o mínimo possível.

Não é só o PT que padece no Maranhão da falta de massa muscular rejuvenescida. O MDB também sofre das mesmas dores nas juntas. A idade é fator predominante em todas as atividades da vida moderna. A partir da era dominada pelas tecnologias digitais, o mundo passou a viver de outro modo.

O telefone virou celular e o celular um potente computador que chega às crianças antes mesmos de elas falarem. A mudança é tamanha que, até pelo jeito de digitar o teclado do celular se percebe que as pessoas está ou não encaixada no mundo atual, já atormentado pela tal inteligência artificial.

Teclar com um dedo só no celular é o mesmo que delatar a si mesmo: “não sei lidar com essa ferramenta”. O MDB mandou no Maranhão desde quando Sarney chegou à Presidência em 1985 e hoje só tem Roseana Sarney como deputada federal.

O ex-governador João Alberto é candidato a vereador em Bacabal, mas já o avisaram: “Não entre nessa”. O mundo está dividido entre o analógico e o digital. Até o dinheiro físico sumiu dos bancos porque o celular resolve tudo no pix. Fazer política hoje sem rede social controlada por jovens, é o mesmo que cavar a cova e se enterrar.  

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