Marqueteiro de Flávio Bolsonaro tem pagamento do PL interrompido por dívida de R$ 108 milhões
DCM – A Justiça de São Paulo determinou um novo bloqueio de pagamentos do PL ao publicitário Eduardo Fischer, consultor de comunicação da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. A decisão envolve uma dívida de R$ 108 milhões cobrada por um fundo de investimentos desde 2017.
A ordem foi assinada pela juíza Danielle Paravani, da 15ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo, na última segunda-feira (8). De acordo com informações da Veja, ela determinou a “penhora de todos os valores, créditos, recebíveis, honorários, remunerações, comissões, parcelas contratuais, adiantamentos, reembolsos ou quaisquer pagamentos devidos” a Fischer ou à sua agência.
Com a decisão, o PL e Flávio Bolsonaro deverão depositar em uma conta judicial os valores que seriam pagos ao publicitário até que a dívida seja alcançada. Eles também terão de informar os repasses já realizados, comprovar a origem dos recursos e apresentar à Justiça o contrato firmado com Fischer.
Os pagamentos do PL ao marqueteiro já haviam sido alvo de bloqueio em outro processo. Na semana passada, o juiz Christopher Alexander Roisin, também do TJ-SP, determinou a retenção de valores em ação movida pela empresa DFB Participações, que cobra uma dívida de R$ 114 milhões do publicitário.
Fischer assumiu a comunicação da pré-campanha de Flávio em meio à crise provocada pela revelação da relação do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A troca foi oficializada após a saída de Marcello Lopes, conhecido como “Marcellão”, que deixou o posto depois da repercussão negativa dos áudios envolvendo o presidenciável do PL.
“O publicitário, que é amigo pessoal do parlamentar, decidiu, neste momento, focar na própria empresa e priorizar os seus negócios. Lopes volta para os Estados Unidos para cumprir agenda familiar”, afirmou Marcellão em comunicado divulgado na ocasião.
Nos bastidores, aliados de Flávio avaliavam que a pré-campanha demorou a reagir à crise causada pelas revelações do Intercept Brasil. A leitura de parte da coordenação era de que faltou uma estratégia mais agressiva de comunicação nas primeiras horas após a divulgação de áudios e documentos sobre a relação entre o senador e Vorcaro.

Em uma das mensagens reveladas, Flávio cobrou o banqueiro por repasses que teriam sido combinados para patrocinar um filme sobre Jair Bolsonaro. “Tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso e eu fico preocupado com o efeito contrário ao que a gente sonhou pro filme”, disse o senador em áudio enviado a Vorcaro.
Outro contato ocorreu dois meses depois, um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez na Operação Compliance Zero, que apura supostas fraudes bilionárias, corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro. “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, escreveu Flávio.
Eduardo Fischer é considerado um dos principais nomes da publicidade brasileira. Ele integra o “Hall da Fama” da Academia Brasileira de Marketing e ficou conhecido por campanhas como “A número 1”, da Brahma, após a Copa de 1994.
Apesar da trajetória no mercado comercial, sua experiência eleitoral é limitada: em 2018, participou da campanha de Álvaro Dias à Presidência pelo Podemos, quando o candidato teve 0,8% dos votos.


