12 de agosto de 2026
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Entenda como se dará o confronto do lulismo e do bolsonarismo no MA

Por Raimundo Borges

O Imparcial – A fronteira ideológica que divide o eleitorado brasileiro, no Maranhão, ainda está dispersa em uma nuvem de dúvidas, mesmo tão perto das eleições de 4 de outubro. Quando se fala em lulismo, nem os cientistas políticos são capazes de determinar a exata extensão desse terreno de aspecto movediço. Luiz Inácio Lula da Silva é visto mais como de centro-esquerda do que de esquerda definida. Como fenômeno político-eleitoral, ele ultrapassa os limites programáticos do Partido dos Trabalhadores e agrega ampla faixa política que vota e é votada no centro. Os partidos do Centrão no Congresso Nacional se incorporam ao pragmatismo de Lula, o que resulta na governabilidade creditada ao PT.

No Maranhão, a imagem do lulismo não será exclusividade na campanha do PT. Vai ser vista nos palanques de Eduardo Braide (PSD), com André Fufuca disputando o Senado; no de Orleans Brandão (MDB), que exalta o petista presidente tanto quanto faz Felipe Camarão. Ele lidera a chapa do PT com o vereador de Caxias, Ricardo Rodrigues, na vice; e Eliziane Gama (PT) e Enilton Rodrigues (PSOL) no Senado. Significa que Camarão vai dividir a esquerda com Reginaldo Lima (PCB) e Saulo Arcangeli (PSTU). Já Orleans Brandão divide o PT com Camarão e o centro-direita com o primo Eduardo Braide. Nos grotões do interior, porém, o olhar de visão ideológica fica zarolho.

Enquanto Lula tem os palanques de Camarão e Orleans no Maranhão, Flávio Bolsonaro (PL) tem André Luís (Missão), partido de extrema-direita nascido do Movimento Brasil Livre, e Roberto Rocha, do PRTB. O candidato do PL gravou vídeo se dizendo “muito feliz em saber que a direita tem opção para governar o Maranhão”, com Rocha. No Debate da Banda-MA, Felipe Camarão provocou Roberto Rocha, lembrando que ele foi eleito senador em 2014 por Flávio Dino, como seu aliado na eleição de governador. O candidato retrucou, em tom indignado: “Se, na sua opinião, eu fui eleito senador por uma pessoa, essa pessoa é capaz de eleger você governador”, referindo-se a Flávio Dino.

O lulismo não está centrado no PT maranhense, assim como o bolsonarismo não está no PL. O lulismo se faz presente no palanque de Orleans Brandão com Roseana Sarney; uma coligação reforçada, junto com 17 deputados estaduais e três federais do MDB, centenas de prefeitos, vereadores e lideranças municipais. O bolsonarismo, por sua vez, passa bem longe do PL, comandado pelo deputado Josimar do Maranhãozinho, tido como inimigo dos Bolsonaro, mas líder de uma sólida base de prefeitos, deputados e vereadores. Bolsonaro é representado por Lahesio Bonfim, Roberto Rocha, André Luís, Mical Damasceno, Yglésio Moisés, Aluísio Mendes e os suplentes de deputado Mariana Carvalho e Allan Garcês (PP).

Se houver segundo turno com Orleans e Braide e, na eleição presidencial, entre Lula e Flávio, como indicam as pesquisas atuais, no Maranhão a campanha vira um quadro de autêntico surrealismo político. A estas alturas, os deputados federais, estaduais e senadores já eleitos não ficarão de braços cruzados nas disputas finalistas. Esquerda, direita e o centro pragmático, que pende para qualquer lado, vão se misturar para decidir o futuro presidente do Brasil e o ocupante do Palácio dos Leões. Na história brasileira, apenas Jair Bolsonaro perdeu a reeleição no exercício do mandato. No Maranhão, esse revés só jamais ocorreu.

Não é fácil entender o que pode acontecer em 2026 na disputa do governo do Maranhão sem um Sarney (de José), sem um Dino (de Flávio) ou um Lago (de Jackson). Três nomes que, em 60 anos, marcam a política maranhense. Apenas José Sarney tem a filha Roseana disputando o Senado Federal, na chapa liderada pelo emedebista Orleans Brandão. Portanto, a disputa do poder estadual, que projeta um segundo turno eletrizante entre Orleans Brandão e Eduardo Braide, terá um desfecho histórico: se for eleito Orleans, começa o brandonismo e acaba o dinismo. Se der Braide, acaba o iniciante brandonismo e principia o braidismo.

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