CEO da Quaest diz o que pode representar a “virada de jogo” da popularidade do governo
DCM – A desaprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aumentou e chegou a 56% dos eleitores brasileiros, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (2). Este é o pior índice desde o início de seu mandato e a primeira vez que a reprovação supera os 50%.
A aprovação do presidente caiu para 41%, o menor nível registrado desde o início de sua gestão. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.
A pesquisa Quaest foi encomendada pela Genial Investimentos e realizada entre os dias 27 e 31 de março, com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em todo o Brasil.
O levantamento indica que Lula passou a ser mais reprovado do que aprovado entre as mulheres e os pardos; tem agora empate técnico entre os mais pobres, os católicos e os eleitores do Nordeste, grupos nos quais tinha aprovação; viu sua aprovação cair e a reprovação aumentar até entre aqueles que votaram nele em 2022.
O diretor da Quaest, Felipe Nunes, expôs no X o que ele considera fatores que podem representar uma virada de jogo:
Considero crucial para essa virada que o governo consiga mudar a percepção majoritária da população de que o Brasil está indo na direção errada.
Além disso, Lula terá que fazer um governo diferente do que vem fazendo nos últimos 2 anos se quiser mudar esse quadro tão negativo. Não dá pra continuar com as mesmas soluções se quiser alcançar resultados distintos.
Há duas medidas concretas que foram tomadas recentemente pra tentar mudar esse quadro. Primeiro veio a extinção na taxação de alimentos importados. A medida ainda não é tão conhecida e divide o eleitorado sobre sua eficácia.
Entre quem desaprova o governo, 37% acreditam que a medida vai ajudar a reduzir os preços dos alimentos. Mesmo não sendo a maioria, se fizer efeito na percepção, pode alterar a avaliação de um grupo numericamente significativo.
A outra aposta do governo é a reforma da renda. A expectativa de 23% dos brasileiros é que eles sejam integral ou parcialmente beneficiados pela proposta de isenção do governo. Estamos falando de aproximadamente 46 milhões de pessoas que tem a expectativa de algum benefício.
Entre quem acredita que vai passar a ser isento, metade espera que a melhora da renda seja significativa. Entre quem acredita que vai ser parcialmente beneficiado, 35% esperam uma melhora significativa da renda a partir do novo benefício.
A outra parte da proposta tem amplo apoio popular: quase 60% dos brasileiros concordam com a tributação adicional de 10% para quem ganha altos dividendos.
13/ …a maioria acredita que os programas sociais do governo são direitos, que não serão retirados por nenhum governo. Ou seja, acabam virando políticas de Estado, que existirão independentemente do governo de ocasião. É o processo de extinção da gratidão automática. pic.twitter.com/YiJtZ7N7lM
— Felipe Nunes (@profFelipeNunes) April 2, 2025