Roseana espera momento de definir disputa ao Senado
Por Raimundo Borges
O Imparcial – A 140 dias das eleições gerais de 4 de outubro, o noticiário dominante em todo o país trata da disputa presidencial e dos governos estaduais e do Distrito Federal. Porém, a eleição dos 2/3 do Senado Federal está logo atrás desse movimento político que vai desaguar nas convenções dos 33 partidos, cujas regras estão definidas no artigo 8º da Lei 9.504/1997. O prazo também é irremovível em todos os pleitos: entre 20 de julho e 5 de agosto. No Maranhão, há um grupo de pré-candidatos agindo nos bastidores ao lado dos concorrentes ao Palácio dos Leões, com o objetivo de ver seus nomes indicados para o Senado, cargo mais importante e mais cobiçado do Poder Legislativo brasileiro.
Como representantes dos estados e do Distrito Federal, com mandato de oito anos e eleitos pelo voto majoritário (ao contrário dos deputados, que representam o povo, têm mandato de quatro anos e são eleitos pelo voto proporcional), os senadores têm o poder de julgar o presidente da República em processos de impeachment, aprovar indicados ao STF e embaixadores, propor leis e revisar decisões da Câmara dos Deputados. Até agora, no Maranhão, só estão definidos para o Senado os atuais Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PSD). No jogo, contudo, estão os deputados federais Roseana Sarney (MDB), André Fufuca (PP), Pedro Lucas (UB), Duarte Jr. (Avante) e a deputada estadual Iracema Vale (MDB), além do ex-senador Roberto Rocha (Novo).
Os partidos de esquerda que nunca elegeram um senador no Maranhão — PT, PSOL, PSTU e PCdoB — vão ter que tomar uma atitude ao lado da senadora Eliziane Gama, eleita em 2018 pelo PPS, em coligação com o PSB, já sob o comando de Flávio Dino, reeleito governador. Ela e Weverton foram os primeiros nomes levados ao Senado Federal pelos respectivos partidos no estado. O caso raro aconteceu em 2022, com Flávio Dino sendo eleito pelo PSB, tendo Ana Paula Lobato como suplente, a quem passou o mandato inteiro em 2023, ao ser indicado pelo presidente Lula para o Supremo Tribunal Federal.
No Brasil, existem atualmente 33 partidos políticos registrados na Justiça Eleitoral, os quais possuem duas fontes de recursos públicos que podem ser usadas para financiar as campanhas de seus candidatos: o Fundo Especial de Financiamento de Campanha, ou Fundo Eleitoral; e o Fundo de Assistência Financeira aos Partidos Políticos, conhecido apenas como Fundo Partidário. Para 2026, a verba orçamentária desse fundo passou de R$ 1,126 bilhão, em 2025, para R$ 1,099 bilhão, valor a ser rateado entre 19 legendas. Já o Fundo Eleitoral sofreu um aumento robusto: de R$ 1 bilhão, em 2025, para R$ 4,9 bilhões, em 2026, pelo projeto normativo do Congresso. Toda essa dinheirama tem peso na hora das coligações partidárias para as eleições de outubro.
Quando os líderes se reúnem para debater as eleições, um dos pontos considerados é o volume de recursos a que os partidos têm direito na campanha. Os maiores repasses deste ano cabem ao PL bolsonarista, com R$ 192,2 milhões, seguido do PT lulista, com R$ 140,5 milhões — as duas maiores bancadas no Congresso. O fundo partidário só é acessível aos partidos com o mínimo de 3% dos votos válidos para a Câmara dos Deputados ou que tenham ao menos 15 deputados federais, distribuídos em um terço dos estados. Na contramão, os 10 menores partidos, inclusive o Novo, de Lahesio Bonfim e Roberto Rocha, ficaram de fora do rateio.
Voltando à eleição do Senado no Maranhão, se Roseana concorrer e for eleita, o MDB sarneísta estará ressurgindo das cinzas de 2014 e com chance de ela tentar, em 2030, retomar a corrida ao Palácio dos Leões, centro do poder maranhense no qual ela foi a única mulher eleita e, acima de tudo, em quatro mandatos, todos pelo voto popular. Até agora, Roseana não anunciou seu desejo de disputar o Senado ou apenas lutar pela reeleição. Mas não lhe falta incentivo. Ela saiu de cirurgias complexas de câncer de mama, mas está provando que o apelido de “Guerreira” tem motivos para existir.

