Ufma inaugura laboratório de biotecnologia em S. Luís
Por Raimundo Borges
Diretor de Redação
Com a presença do ministro da Aquicultura e Pesca, Rivetla Edipo Araújo, do reitor da Universidade Federal do Maranhão, Fernando Carvalho Silva, de autoridades convidadas e do presidente da Fundação Sousândrade, Walter Nunes Souza, será inaugurado nesta quinta-feira, 28/05, o Open Lab de Biotecnologia – espaço colaborativo, interdisciplinar e compartilhado que integra universidades, startups, empresas, governos e comunidades no desenvolvimento de soluções biotecnológicas aplicadas. O laboratório permite, por exemplo, o aproveitamento integral do pescado, possibilitando a produção de filés, bexiga natatória seca, colágeno, hidroxiapatita e outros biomateriais derivados da cadeia pesqueira. Vai transformar resíduos antes descartados em insumos estratégicos para os setores de alimentos, cosméticos, saúde, odontologia, farmacêutico, biomédico e nutracêutico.
Segundo a professora Mikele Sant’Anna, coordenadora do projeto, a importância de um Open Lab está diretamente relacionada à capacidade de reduzir barreiras para a inovação. “Muitos pesquisadores, estudantes, empreendedores e pequenas empresas possuem ideias promissoras, porém enfrentam dificuldades de acesso a laboratórios de alto custo, insumos, validações técnicas e apoio regulatório”, explica ela. O Open Lab da Ufma democratiza esse acesso, promovendo a inclusão científica e tecnológica e estimulando o surgimento de novas soluções em áreas como saúde, cosméticos, alimentos funcionais, biomateriais, bioprodutos, fármacos, agricultura sustentável e aproveitamento de resíduos.

Além disso, os Open Labs fortalecem a conexão entre ciência e mercado, acelerando a transformação de pesquisas acadêmicas em produtos, processos e startups de base tecnológica. Essa aproximação reduz o tempo entre a descoberta científica e a aplicação prática, aumentando o impacto econômico da pesquisa e estimulando a geração de propriedade intelectual, empregos qualificados e atração de investimentos.
Agregador de ciência e inovação
No contexto da bioeconomia amazônica e brasileira, um Open Lab de Biotecnologia possui relevância estratégica ainda maior. O Brasil detém uma das maiores biodiversidades do planeta, com enorme potencial para o desenvolvimento de ativos naturais, bioinsumos, terapias, ingredientes funcionais e soluções sustentáveis de alto valor agregado. Entretanto, grande parte dessa riqueza ainda é exportada com baixo nível de transformação tecnológica. O Open Lab possibilita agregar ciência, inovação e valor à biodiversidade nacional, promovendo desenvolvimento regional sustentável e fortalecimento das cadeias produtivas locais.

Outro aspecto fundamental é o estímulo à formação de talentos. Esses ambientes proporcionam experiências práticas, multidisciplinares e empreendedoras para estudantes e jovens pesquisadores, preparando profissionais capazes de atuar na nova economia baseada em conhecimento, tecnologia e sustentabilidade. Os Open Labs também favorecem a inovação colaborativa, permitindo que diferentes instituições compartilhem competências, infraestrutura e desafios reais. Essa lógica de cooperação é hoje adotada pelos principais ecossistemas de inovação do mundo, especialmente em setores altamente complexos e tecnológicos, como a biotecnologia.
Dessa forma, acrescenta Mikele Sant’Anna, “investir em um Open Lab de Biotecnologia significa investir na construção de um ambiente capaz de transformar ciência em impacto social, econômico e ambiental, fortalecendo a soberania tecnológica nacional, estimulando a bioeconomia e posicionando o Brasil como protagonista global em inovação sustentável”. A unidade atuará no desenvolvimento de tecnologia voltada ao aproveitamento integral do pescado, possibilitando a produção de filés, bexiga natatória seca, colágeno, hidroxiapatita e outros biomateriais derivados da cadeia pesqueira. Esse modelo permite transformar resíduos antes descartados em insumos estratégicos para os setores de alimentos, cosméticos, saúde, odontologia, farmacêutico, biomédico e nutracêutico.
A produção da bexiga seca de pescado, por exemplo, possui elevado valor comercial no mercado internacional, especialmente na indústria alimentícia e biomédica. Já o colágeno de pescado desponta como uma alternativa sustentável e altamente valorizada para aplicações em cosméticos, suplementos, engenharia tecidual e terapias regenerativas. A hidroxiapatita, obtida a partir de ossos e resíduos minerais do pescado, possui grande potencial para uso em biomateriais aplicados à odontologia, ortopedia e medicina regenerativa. O processamento de filés agrega valor à produção local e amplia a inserção do pescado regional em mercados mais qualificados.

