
Convenções fazem fervura política subir e Brandão se diz ameaçado
Por Raimundo Borges
O Imparcial – A três dias das primeiras convenções partidárias e a uma semana de o MDB definir seus candidatos em 2026, com Orleans Brandão na cabeça da chapa, o ambiente político do Maranhão ganhou um ritmo alucinante. O prefeito de Imperatriz, Rildo Amaral (PP), anunciou apoio ao candidato Eduardo Braide (PSD); o Avante nega legenda ao Senado para o deputado federal Duarte Júnior, e o Novo deixou Roberto Rocha na chuva, depois que o bolsonarista Lahesio Bonfim desistiu da corrida ao Palácio dos Leões e se tornou candidato a senador na chapa de Braide.
Informação de bastidor diz que o senador Weverton Rocha (PDT) teria agido junto ao presidente nacional do Avante, Luís Tibé, para impedir a candidatura de Duarte Jr. Nas pesquisas mais recentes, ele aparece na dianteira das intenções de voto, ou empatado com o mesmo Weverton e a deputada Roseana Sarney (MDB). A emedebista, porém, desistiu de concorrer às próximas eleições, encerrando o ciclo da segunda geração dos Sarney, mas estaria pronta para trabalhar pela sobrinha Maria Fernanda Sarney à Assembleia Legislativa. Com isso, a família Sarney retomaria com a 4ª geração, depois que o deputado estadual Adriano não conseguiu se reeleger em 2022.
Em meio a esse clima de salve-se quem puder, o governador Carlos Brandão revelou, na quinta-feira à noite, em encontro político em São Luís, com Orleans Brandão, Weverton Rocha e Edivaldo Holanda Júnior, que não quiseram que ele fosse senador. “Eles diziam o seguinte: se sair do Governo, vai ser preso. Era ameaça para todo lado. Tem que fazer o que a gente quer. Eu fiquei esperando ser preso”, desabafou Brandão, sem citar nomes dos ameaçadores, limitando-se a chamá-los de “eles”. Era o evento para oficializar o deputado federal Pedro Lucas Fernandes, da União Brasil, como segundo candidato ao Senado na chapa de Orleans.
O partido de Pedro Lucas está federalizado com o PP do também deputado federal André Fufuca, pré-candidato a senador na chapa do ex-prefeito Eduardo Braide. Como o segundo deputado federal mais votado em 2022, Lucas se junta ao pedetista Weverton Rocha. Assim, a campanha de senador e governador do Maranhão, na faixa dos dois candidatos que lideram as pesquisas, já antecipa o clima incendiário do dia 25, quando a convenção do MDB definirá seus concorrentes a todos os mandatos. Enquanto isso, o PT segue com Felipe Camarão, até agora sem encontrar o vice e apenas com a senadora Eliziane Gama no páreo da reeleição. A convenção será no dia 1º de agosto.
Ao dizer que não se intimidou e que ficou esperando ser preso, Brandão deixou para outro momento identificar os que trata como “eles” na esteira das ameaças. No entanto, no dia 31 de março deste ano, a Procuradoria-Geral da República emitiu parecer contrário ao pedido de afastamento de Carlos Brandão do cargo de governador, proposto pelo PCdoB, presidido pelo deputado federal Márcio Jerry, inimigo dos Brandão, mesmo sendo todos de Colinas (MA). A peça alega descumprimento de decisões do Supremo Tribunal Federal sobre supostos casos de nepotismo com o presidente da Emap, empresa pública gestora do Porto do Itaqui. Ele é casado com uma sobrinha de Brandão, mas foi exonerado no prazo determinado pelo ministro Alexandre de Moraes.
Tem outro processo do partido Solidariedade, de autoria da senadora Ana Paula Alves, hoje presidente regional do PSB. Os autores são ligados ao ministro Flávio Dino que, na avaliação dos brandonistas (de Carlos Brandão), estaria atuando para derrotar o hoje adversário que o substituiu no Palácio dos Leões. Na defesa, Brandão argumenta que o STF nunca deverá ser usado “como arena de rixas eleitorais”. Seja como for, o fogaréu das convenções continua sendo atiçado por várias mãos, inclusive saídas da Federação “União Progressista”, entre Pedro Lucas, com Orleans, e André Fufuca, com Braide, enquanto Duarte Júnior sente o tapete do partido Avante, sorrateiramente, escorregar de suas mãos.

