30 de maio de 2026
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O diabo veste Prada e grifes americanas

Por Raimundo Borges

O Imparcial – O Diabo, o Capiroto, veste Prada italiana e Ralph Lauren americana. Neste primeiro quarto do século XXI, o mundo se vê diante de uma “autocracia em construção”, sob o comando do bilionário Donald Trump. Ele transmite uma aparente calma política, mas não encobre a sensação de um governo anormal, com atitudes e práticas que colocam os Estados Unidos diante de um processo de remodelação, mesmo sendo a mais forte democracia do planeta. O Diabo, portanto, não veste só Prada e não usa apenas chifres para ser infernal. O filme e o livro homônimo fazem o leitor e o telespectador refletirem sobre a ambição, o preço do sucesso e a importância de manter a identidade e os valores pessoais acima de tudo.

Realmente, a obra critica o conceito de “falso empoderamento” e o perigo de se perder no caminho para o topo. Donald Trump age como um imperador do mundo quando extrapola os limites de presidente de uma nação, sujeito às leis e subordinado às instituições democráticas estadunidenses, sem poderes sobre outras nações. Mas ele usa o poderio militar, bélico e científico da nação que governa para humilhar, invadir, ameaçar e interferir em assuntos de outros países, sem pedir licença. Por pressão dos irmãos Bolsonaro — o ex-deputado cassado Eduardo e o pré-candidato presidencial Flávio — Trump classificou a bandidagem do PCC e do CV como terrorismo internacional, sem sequer informar ao “amigo” Lula.

Para estudiosos de política internacional e de combate a esse tipo de organização, as regras de Trump têm o poder de transferir investigações de criminosos para a Defesa dos EUA, como as Forças Armadas, e ampliar a atuação da CIA no Brasil sem pedir licença a ninguém. Ele pode atrapalhar a cooperação com o Brasil, gerar sanções financeiras e afetar a soberania do país. É uma afronta sem meias palavras e sem disfarce. Os Estados Unidos poderão promover ações, sanções e outras práticas no auge da campanha eleitoral no maior país da América Latina. A polarização política entre Lula e Flávio Bolsonaro tem tudo a ver com essa classificação do PCC e do CV como organizações terroristas.

O avanço da extrema direita no cenário global é impulsionado pela desilusão com o sistema político tradicional e por crises econômicas, migratórias e de segurança pública. Tudo isso junto gera o ambiente de polarização que atinge a campanha eleitoral. A decisão de Trump ocorre quando a PF avança sobre elo de grupo político bolsonarista com facções que ampliaram as ações de contrabando, pirataria, tráfico de armas e drogas para o centro do mercado financeiro, na Brigadeiro Faria Lima (SP). A ação do ministro Marco Rubio ocorre no momento em que Flávio Bolsonaro despencou nas pesquisas, após o escândalo de sua relação com o banqueiro do Master, Daniel Vorcaro.

Para o sociólogo e escritor Leonardo Sakamoto (UOL), o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) celebrou como vitória pessoal a decisão de Trump de classificar o PCC e o CV como organizações terroristas. “Com a terceirização da soberania, o parlamentar sinaliza que, se eleito, vai ter bandeirão, sim, dos EUA na Avenida Paulista para celebrar a Independência do Brasil, em todo 7 de Setembro, tal como a multidão bolsonarista fez no ano passado”, diz ele. Parece até que, na conversa de Bolsonaro com Trump sobre as terras raras, ele poderia entregar a produção do mineral aos americanos em troca da classificação do PCC e do CV e tentar mudar o rumo da pré-campanha, na qual está descendo ladeira abaixo.

Não há quem não queira, no Brasil, um combate duro às organizações criminosas que operam sob o manto da organização de Marcola e de Escadinha, bem como àqueles que vestem grifes famosas, gravatas de luxo, tomam uísque de US$ 2 milhões o litro, moram em mansões milionárias e não usam chifres para não confundir o diabo. O ator Richard Gere classificou Trump como um “rufia” em 2025, e Robert De Niro usou o termo em 2016 para descrever o comportamento do então candidato. Analistas o comparam, com frequência, a um “rufião escolar”, por adotar a intimidação e a humilhação como método para assustar adversários.

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