Cláudio Castro ganha cargo no PL com salário de R$ 38 mil após desistir da candidatura por elo com Refit e Master
Revista Fórum – Alvo de duas operações da PF, por elo com os escândalos do Master e da Refit, Castro entrou no cabide de emprego do PL, pago com recursos públicos do fundo partidário, junto com Jair, Michelle e Carlos Bolsonaro.
O Alvo de duas operações da Polícia Federal (PF), por ligação de seu grupo político, comandado por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com os escândalos do grupo Refit e do Banco Master, Cláudio Castro(PL-RJ) ganhou um cargo no Partido Liberal, com salário de R$ 38 mil mensais brutos, após abrir mão da disputa ao Senado pelo Rio de Janeiro.
Líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que teve mais de R$ 400 mil em dinheiros apreendidos em operação de busca e apreensão pela PF em uma de suas residências deve entrar na disputa ao Senado. Ele disputa a preferência de Jair Bolsonaro (PL) com Carlos Jordy (PL-RJ), que também foi alvo da mesma operação. Agentes federais suspeitam que assessores de Cavalcante e Jordy movimentaram mais de R$ 28 milhões em emendas de forma suspeita.
Castro receberá o mesmo salário – de R$ 27,8 mil líquidos – pago pelo PL a Carlos Bolsonaro (PL-SP), que também ganhou um cargo no partido após abandonar o sexto mandato como vereador na Câmara Municipal do Rio de Janeiro para fazer a pré-campanha a senador por Santa Catarina.
O cabide de emprego do partido de Valdemar da Costa Neto, que inclui ainda Michelle Bolsonaro (PL) e o próprio Jair Bolsonaro (PL) – que recebem salários acima de R$ 40 mil mensais -, é bancado com recursos públicos do fundo partidário.
Figura tóxica na pré-candidatura Flávio Bolsonaro, Castro foi limado da disputa por expor o elo do clã com os dois principais escândalos de corrupção no país, que investigam as conexões políticas de Ricardo Magro e Daniel Vorcaro.
Classificado como “irmão” por Flávio Bolsonaro, o banqueiro teria prometido 24 milhões de dólares ao clã, supostamente para financiar o filme Dark Horse, uma narrativa da ultradireita sobre Bolsonaro. Desse valor, ao menos 10 milhões de dólares – cerca de R$ 61 milhões – teriam sido enviados ao fundo Havengate, administrado por Paulo Calixto e Altieris Santana, que atuam como operadores de Eduardo nos EUA.
O avanço das investigações da PF sobre Castro revela que a PF encontrou o elo entre o escândalo do Master e o caso Refit, atuação do grupo político que deu guarida aos crimes das duas organizações, cujos tentáculos chegam à lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) e fornecimento de fuzis ao Comando Vermelho.
A saída de cena de Castro, bancado com recursos do fundo partidário, é parte da estratégia de Flávio Bolsonaro de tentar se descolar dos escândalos, ainda mais com aliados próximos, como Gutemberg Fonseca, que faziam a interlocução com figuras como TH Joias e o traficante Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio do Lixão, um dos chefes do Comando Vermelho, que seria o responsável pela receptação das armas.
Dinheiro para deixar a candidatura
O caso lembra ainda as investidas do grupo ligado a Flávio Bolsonaro para afastar candidatos indesejáveis nos Estados. Em fevereiro, anotações do senador expuseram uma suposta negociação em que o deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) teria pedido R$ 15 milhões para abandonar a candidatura ao Senado ou ao governo de Mato Grosso do Sul.
O próprio Flávio admitiu ser o autor das anotações, feitas em um papel que reunia avaliações sobre a situação eleitoral nos estados.
Eleito deputado federal em 2022, Marcos Pollon baseou sua campanha na pauta armamentista. Advogado de formação, ganhou visibilidade nas redes sociais defendendo o armamento civil e pautas associadas à direita mais ideológica.
No Congresso, manteve o mesmo tom extremista. Uma de suas propostas mais bizarras foi o projeto “Minha Primeira Arma”, que sugere criar incentivos para facilitar a compra do primeiro armamento por cidadãos.
Pollon também protagonizou episódios de golpismo dentro da Câmara. Em 2025, passou a ser investigado pelo Conselho de Ética após participar de um motim promovido por deputados bolsonaristas que ocuparam a Mesa Diretora e bloquearam o funcionamento do plenário como forma de chantagem e pressão para que o projeto de anistia a golpistas fosse à votação. A representação apontou possível quebra de decoro parlamentar.


