5 de junho de 2026
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O Centenário de Papel

Por Raimundo Borges

O papel vive em mim,
Nem de aluguel, nem de favor;
É papel que se abriga
Sem licença, sem carimbo, sem temor.

Papel letrado no dia a dia do jornal,
Papel de bobina desenrolado na impressão,
Papel encadernado que se faz informação,
Ganha cores, fotos, letras,
Memórias e anotação.

Sua importância é a mesma:
Na cédula, no couché ou na resma.

O mundo é de papel.

Papel do cartório,
Da máquina de escrever,
Da impressora, da agenda
Sobre a mesa do escritório.

Papel do Diário Oficial,
Da passagem de avião,
Do nascimento na certidão,
Do casamento de papel passado,
Do ator em seu papel principal,
Do envelope endereçado.

Papel que nasce da fibra do eucalipto,
Do Brasil ou importado;
Do livro publicado,
Do jornal diagramado,
Da notícia antecipada,
Do verbo bem conjugado
Ou do texto mal pontuado.

Papel dos versos desassombrados,
Das cartas apaixonadas,
Do jornalista realista,
Da notícia apressada,
Do jornaleiro da esquina
Que grita a todo pulmão:

“Olha O Imparcial!
Primeiro jornal do Maranhão!”

São cem anos de história,
Passando de mão em mão;
Respeitado, valente e, às vezes, odiado,
Por não se prestar ao papelão.

Não é mercadoria:
É fonte de informação.

Água limpa da verdade,
Mãe gloriosa do jornalismo,
Que atravessa o devaneio e o realismo,
E se alimenta no peito da liberdade.

Cem anos de papel,
Mas, sobretudo, de coragem;
Cem anos registrando o tempo,
Escrevendo a própria passagem.

E enquanto houver liberdade,
Haverá palavra e opinião;
E enquanto houver verdade,
Viverá a alma do jornal
No coração da população.

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