Como fazer brilhar o olhar dos eleitores na campanha
Por Raimundo Borges
O Imparcial – A eleição no Brasil é um processo longo, tenso, burocratizado e, acima de tudo, dentro de um cipoal de regras ditadas pela Justiça Eleitoral. Depois de encerrado o prazo das convenções partidárias e do registro dos candidatos, a partir deste domingo (16/08), finalmente marca-se o início da campanha para presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais. Só então é permitida a publicidade explícita dos candidatos e de suas propostas, tudo explicitado na Resolução 23.610/2019, do Tribunal Superior Eleitoral. É quando os registros de candidaturas estaduais já deverão estar definidos no TRE-MA.
Além dos dirigentes partidários e seus candidatos, a eleição movimenta um exército de cabos eleitorais, assessores, marqueteiros e advogados para contestar, defender e acusar perante o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MA). Toda essa movimentação tem uma direção única: não apenas chegar ao eleitor, apertar-lhe a mão, abrir sorrisos e tirar fotos. É preciso muito mais: convencê-lo sobre o conteúdo de suas propostas e transformar esse momento de curta “camaradagem” em voto. Especialistas recomendam o seguinte: “falar com muitos ao mesmo tempo é como jogar sementes ao vento”.
Usar as ferramentas tecnológicas de redes sociais e Inteligência Artificial na campanha tem regras rígidas a serem obedecidas. O engajamento do candidato com o eleitor é o oposto de lançar sementes ao vento, onde a maioria se perde e poucas germinam. O ideal é plantar a semente no lugar certo e na medida certa. Significa que um bom discurso nem sempre é tudo numa campanha. O candidato precisa entender o eleitor, compreender o seu perfil social para, só então, tentar dizer o que ele realmente quer ouvir em troca do voto. Os marqueteiros já advertem que gastar o engajamento de forma errada pode ser desperdício de tempo, de dinheiro e de oportunidade eleitoral.
Um artigo sobre estratégias de marketing político no site República dá dicas importantes: o candidato deve conhecer os cinco tipos de eleitores mais comuns e saber como abordá-los de forma estratégica, tanto no digital quanto nas ruas. Engajar com o eleitor é respeitá-lo e fazê-lo valorizar o significado da democracia; com o eleitor volátil, que muda facilmente de opinião; com o indeciso, convencendo-o de que é a melhor opção; com o eleitor indignado, canalizando a indignação e transformando a insatisfação em voto; e com o eleitor distante, focando na vida real, como transporte, saúde e segurança. Nunca confrontá-lo em suas diferentes formas de reagir à abordagem ou às mídias eletrônicas.
Dados atualizados do TSE em 2026 indicam que a participação de jovens de 16 a 18 anos caiu 14,5% desde 2024, enquanto o número de eleitores acima de 60 anos subiu quase 14% em relação a 2022. É estarrecedor saber o quanto a população jovem entrou num processo de redução e a considerada idosa avança no sentido inverso. O “País do futuro” virou o modelo europeu do presente. Isso é ruim tanto para o Brasil quanto para entender como a democracia se impõe perante esses dois segmentos opostos e na faixa da meia-idade. Por exemplo, o palanque de Orleans Brandão, 31 anos, pedindo voto ao lado de Roseana Sarney, 73. Ambos falando para o mesmo público, prometendo ações para dois mundos distantes.
Logo, fazer o olhar do eleitor brilhar diante dos candidatos é o maior desafio. Passa, acima de tudo, pela força do conhecimento da realidade vivida por cada um, em cada lugar e todos ao mesmo tempo. Significa gerar conexão real, empatia profunda e esperança para uma sociedade complexa em fatores como idade, meio social, cor, nível escolar e entendimento da política. Portanto, é preciso ouvir mais do que falar, mostrar autenticidade, ser verdadeiro na comunicação e apresentar uma visão clara de futuro que faça sentido para as mulheres, que representam 53% do eleitorado, para os jovens e para a população adulta.

