15 de agosto de 2026
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Pesquisas como vilãs ou como um gato que subiu no telhado

Por Raimundo Borges

O Imparcial – As pesquisas eleitorais estão rodando a todo vapor para praticamente todos os níveis de candidaturas às eleições de 4 de outubro. No Brasil, em que as campanhas estão em todo lugar e em todas as conversas, as pesquisas tanto protagonizam candidaturas quanto as secundarizam ou avacalham o processo eleitoral com números disparatados que assustam mais o eleitor do que orientam. Cientificamente, um dos objetivos das pesquisas eleitorais é auxiliar a população a tomar decisões e os candidatos a montarem estratégias rumo aos objetivos de suas campanhas. Até investimentos na economia e seus planejamentos do presente e do futuro precisam desses levantamentos eleitorais.

Mas será que elas realmente cumprem a função de mensurar candidatos e apontar temas relevantes pelos quais o eleitor pode se interessar ou que pode desconsiderar? Esta semana, dois institutos divulgaram pesquisas de intenção de voto sobre a disputa ao Palácio dos Leões que são diametralmente opostas entre os dois principais candidatos. Na quarta-feira, 12/08, dados do Instituto IPPI apontaram Eduardo Braide (PSD) liderando a disputa pelo Governo do Maranhão com ampla vantagem. No cenário estimulado, ele cravou 44,0% das intenções de voto, e Orleans Brandão (MDB), em segundo lugar, com 25,9%; Felipe Camarão (PT), 5,1%; Roberto Rocha (PRTB), 5,0%; e André Luís (Missão), 1,1%.

No dia seguinte, 13/08, o Instituto Véritas divulgou pesquisa com números de profunda divergência. Orleans Brandão é quem aparece na liderança, com 47,5% das intenções de voto. É seguido por Eduardo Braide, com 39,1%, o que resulta numa diferença de 8,4 pontos percentuais. No IPPI, a vantagem de Braide é de 18,1 pontos percentuais na dianteira, o que não é pouca coisa. Os demais candidatos no Véritas, comparados ao IPPI, estão em situação menos dramática, com mais equilíbrio: Felipe Camarão, 4,3%; Roberto Rocha, 3,3%; André Luís, 1,6%; Reginaldo Lima (PCB), 0,4%; e Saulo Arcangeli (PSTU), com 0,1%. Os registros de praxe são: Véritas (MA-01632/2026) e IPPI (MA-02810/2026).

Para o cientista político Geraldo Tadeu Monteiro, em análise no portal da Câmara dos Deputados, as pesquisas desempenham papel importante na decisão do eleitor. “Existe tanto o voto útil, quando o eleitor quer ajudar alguém com mais chance, quanto o voto de veto, quando o eleitor quer fazer com que um candidato específico perca”. A pesquisa, como é sabido, não determina o voto de ninguém. Mas influencia. Monteiro arremata: “Se o eleitor quiser votar no candidato que está ganhando ou acha que o voto útil para a sua tendência política é mais interessante, ele tem o direito de ter essa informação”.

Como as pesquisas eleitorais no Brasil e no mundo são mais propensas a erros do que a acertos, o que esperar delas em 2026? Alguns números desses levantamentos viraram anedóticos diante das disparidades em relação ao que é apurado nas urnas. Inúmeros candidatos apontados como favoritos acabam perdendo feio. Num cenário de polarização como o que ocorre hoje em relação a Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) e, no Maranhão, com Eduardo Braide e Orleans Brandão, as pesquisas acabam carregando o fardo de suas inconsistências, apontadas como inerentes à dinâmica da própria política.

Na semana que encerrou o prazo para pedido de registro de candidaturas no TRE-MA e que marca, neste domingo, o início da campanha eleitoral de fato, ocorreu um embate de arrepiar. Num sítio de política local, o candidato a governador do PRTB Roberto Rocha abriu o verbo contra o candidato a senador Lahesio Bonfim (Novo), taxando-o de “pior verme que existe no Maranhão”. Ironicamente, os dois já foram aliados e agora disputam, em chapas opostas, o mesmo eleitorado bolsonarista. Rocha acusa Lahesio de haver passado pelo PT, PDT e PSB. No total, já foram nove partidos, e Roberto Rocha, 10, sendo duas vezes no PSDB.

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