Lahesio desiste dos Leões e abre vácuo na direita do MA
Por Raimundo Borges
O Imparcial – Aos 47 anos, o médico piauiense Lahesio Bonfim já tem uma história política cheia de altos e baixos no Maranhão e uma peregrinação partidária de fazer inveja. Começou pelo PT e hoje está no Novo, duas agremiações de linhas programáticas totalmente opostas. De 2003 a 2026, ele transitou por nove partidos de todos os espectros ideológicos, desde a cartilha social do PT e do PDT, passando pelo centro-direita do PSL e do PTB, até o Novo. É um partido ultraliberal, criado em 2015, que atua na agenda mais obscura da nova extrema-direita, mesmo sem mostrar identidade com tudo o que prega o bolsonarismo nas pautas de costumes, nacionalismo, armamentismo e oposição radical à esquerda e ao progressismo.
Esta semana, o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, que disputou a eleição para governador em 2022 e ficou em segundo lugar, acima de Weverton Rocha (PDT), desistiu da mesma corrida ao Palácio dos Leões para concorrer ao Senado. Achou arriscado entrar no jogo de bola dividida entre Eduardo Braide (PSD) e Orleans Brandão (MDB), dois nomes de centro-direita que polarizam a disputa. Com isso, Lahesio muda a corrida ao Palácio dos Leões e quebra a coluna vertebral da direita. Sem nunca assumir ser porta-voz do bolsonarismo no Maranhão, ele, no entanto, arrasta forte contingente do conservadorismo, principalmente o segmento evangélico, que atua nos moldes de um grande partido político.
Como candidato ao Senado, Lahesio Bonfim abre uma lacuna perante o eleitorado da direita maranhense na disputa ao Palácio dos Leões e deixa o presidenciável do Novo, Romeu Zema, sem palanque no estado historicamente lulista. Já o PT de Felipe Camarão tem o apoio dos dinistas (de Flávio Dino) contra a ala interna CNB, que apoia o MDB sarneísta-brandonista (de Orleans Brandão), com o governador no Palácio dos Leões. Se Lahesio vai ser aceito na chapa de Braide, ninguém sabe, assim como é mistério se Roberto Rocha (Novo), bolsonarista de carteirinha, assumirá a posição de Lahesio na corrida ao governo.
Só entre 2021 e 2022, para se tornar candidato a governador, Lahesio trocou de partido diversas vezes, passando pelo PTB, Agir e, por fim, PSC. Logo depois de perder a eleição, ingressou no Partido Novo. Ele imaginava que a votação de 2022 o credenciava a liderar a direita estadual, vazia de comando no estado, onde o PL da família Bolsonaro é controlado pelo deputado Josimar do Maranhãozinho, dono de uma superestrutura política em 45 municípios, nos quais pinta e borda quando o assunto é voto. Ironicamente, é inimigo dos Bolsonaro, que tentaram, sem sucesso, sacá-lo do partido presidido por Valdemar da Costa Neto. Hoje, Josimar está condenado pelo STF e inelegível até 2030.
Eduardo Braide, no PSD do presidenciável de direita Ronaldo Caiado, não tem identificação com partidos de esquerda, embora tenha sido eleito deputado estadual em 2014 no grupo de Flávio Dino, com quem rompeu em 2016. Seguindo o PSD, Braide sempre foi um político de centro-direita, em cuja gestão na Prefeitura de São Luís foi programador, executor e protagonista. Não fala quem vai levar para o Senado, não quis conversa com Felipe Camarão, não se aproximou de Josimar, muito menos de Roberto Rocha ou de Lahesio. Portanto, o único cenário na direita maranhense é o de Flávio Bolsonaro estar, até agora, sem palanque.
Ao contrário, Orleans Brandão e Felipe Camarão podem até estar no mesmo palanque em um eventual segundo turno, ou ter, no primeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva presente na campanha tanto de um como de outro, embora o PT local faça beicinho sobre tal hipótese. Já o polêmico Lahesio havia dito ter recebido uma proposta em dinheiro do PSD para desistir de concorrer ao governo e optar por uma cadeira na Câmara Federal. Ontem, porém, ele refez a fala, atribuída a um momento de ansiedade. A tal proposta é do Fundo Partidário para custeio de campanha a deputado federal, mas ele fala de Senado. Durma com um barulho desses.

