17 de junho de 2026
DestaquesGeralPolítica

Na crise entre Poderes, voto para senador fica mais valorizado que o de governador

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Como acontece em todos os estados e no DF, o Maranhão tem duas vagas em disputa no Senado Federal, para as quais já somam quase 10 pré-candidatos. No meio dessa movimentação, existem regras às quais nem todos estão atentos sobre as candidaturas. Até agora, apenas o PSOL oficializou seus candidatos majoritários para outubro: Enilton Rodrigues para o Governo do Estado e Antônia Cariongo para o Senado Federal. Já o PSTU lançou o ativista e professor Hertz Dias à Presidência da República, Saulo Arcangeli ao Governo do Maranhão e Zé Batista ao Governo do Ceará. O objetivo é não deixar a esquerda mais radical sem voz na campanha estadual e nacional.

Já os pré-candidatos Orleans Brandão (MDB), Eduardo Braide (PSD) e Felipe Camarão (PT) não concluíram as respectivas chapas majoritárias. O MDB, que lidera uma coligação de 11 partidos, também não oficializou o vice de Orleans nem os candidatos a senador. No grupo estão Roseana Sarney (MDB), Pedro Lucas (UB) e Weverton Rocha (PDT). André Fufuca, do PP, federalizado com a União Brasil, caiu fora do grupo Brandão e deve ser acomodado na chapa do ex-prefeito Eduardo Braide. Orleans foi surpreendido com a decisão, mas, em tom pragmático, disse que é hora de “cada um procurar seu time”.

Braide e Elaine Carneiro, sua vice, também do PSD

Senado supervalorizado

Braide só oficializou a vice, Elaine Carneiro, também do PSD, assim como fez em São Luís com Esmênia Miranda nas duas eleições. É o jeito dele de fazer política. Enquanto isso, avalia as chances reais de Duarte Júnior (Avante), contra quem disputou o segundo turno em 2020 e venceu o primeiro turno em 2024 com 70,12% dos votos; Cesar Pires (Novo), Hilton Gonçalo (Mobiliza) e até Roberto Rocha, também filiado ao Novo. Finalmente, o PT de Felipe Camarão ainda não tem vice, e apenas a senadora Eliziane Gama está oficializada para concorrer à reeleição, com o apoio de parte dos petistas, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem é vice-líder no Senado, e de segmentos evangélicos.

Na última terça-feira, espalharam, em grupos de WhatsApp, uma fala de Camarão anunciando que iria a Brasília fazer reunião com a cúpula nacional do PT, sugerindo, para alguns, que estaria desistindo da candidatura ao governo. Na tarde do mesmo dia, o próprio Camarão deu a sua versão aos companheiros do PT estadual: “O vídeo é verdadeiro, só que é do dia 20 de abril. Portanto, antes da vinda de Edinho Silva a São Luís e do presidente Lula. Não adianta espalhar vídeo como atual. Sou candidato a governador do Maranhão e do presidente Lula”.

André Fufuca, do PP, federalizado com a União Brasil, caiu fora do grupo Brandão

Importância do Senado

Por outro lado, os partidos que debatem a escolha das candidaturas ao Senado não atentaram para a regra da chamada “candidatura avulsa”. Por isso, gera-se polêmica sobre a possibilidade de haver candidato sem partido. A legislação prevê que, nessa situação, os partidos coligados para o governo podem optar por caminhos diferentes na disputa ao Senado: mantê-la na coligação ou lançar candidaturas individuais. Nesse cenário, um partido pode disputar a eleição com sua própria chapa, apoiar um candidato ao governo de outra coligação e ainda lançar um nome ao Senado de forma isolada. Mas tudo isso dentro de uma estratégia eleitoral com alguma chance de êxito.

Em entrevista ao programa Band Cidade, da Band Maranhão, na segunda-feira, dia 15, a senadora Eliziane Gama disse que, no PT, tem o apoio total do partido, de Lula e da Assembleia de Deus, na qual seu pai e seus irmãos são pastores, e ela já nasceu evangélica. Também destacou sua atuação no Senado e a motivação da candidatura de Felipe Camarão ao governo. Quanto aos candidatos independentes, o TSE decidiu que partidos que compõem a mesma coligação na disputa por um governo estadual podem apresentar mais de um candidato a senador. Da mesma forma, um partido fora de qualquer coligação pode lançar, individualmente, concorrente ao Senado.

Grupo de Orleans Brandão ainda não oficializou o vice e nem os candidatos a senador

Eleitorado quer moderação

Para os especialistas, as candidaturas individuais ao Senado são um tanto quanto arriscadas. Assim como hoje fica difícil a busca do “voto casado” para o governador e as duas vagas de senador. Em 2022, a coligação liderada por Carlos Brandão e Flávio Dino para o governo e o Senado, respectivamente, com nove partidos, fez com que o chamado “casamento de urna” funcionasse plenamente. O governador recebeu 1,7 milhão de votos e o senador, 2,1 milhões. Em 2018, Dino, como governador, foi reeleito com 1,8 milhão de votos, mas foi superado por Weverton Rocha, com 1,9 milhão, enquanto Eliziane ficou com 1,5 milhão.

Portanto, a disputa pelo Senado agora ganhou muito mais importância. Exige estratégias tanto dos partidos coligados ou isolados quanto dos próprios candidatos. O Senado Federal está, neste ano, no centro do embate político como nunca se viu antes. As eleições de 2026 desenham-se em um cenário de forte indefinição, polarização e crise de desconfiança do eleitorado. Há crescimento da rejeição entre os principais cotados aos governos estaduais e ao Palácio do Planalto, influenciado pelas crises, pelas redes sociais e pelo descontrole sobre as fake news. O eleitor está focado em moderação, economia e resultados concretos.

O grupo de Orleans tem Roseana Sarney (MDB), Pedro Lucas (UB) e Weverton Rocha (PDT)

Instituição historicamente mais discreta que a Câmara dos Deputados, o Senado ganhou os holofotes das eleições em razão da polarização ideológica do país. A intenção dos partidos é eleger o maior número possível de senadores alinhados aos campos da direita ou da esquerda, num cenário de completa imprevisibilidade institucional quanto à governabilidade do presidente, à sua relação tensa com o Congresso e à relação deste com o Supremo Tribunal Federal, frequentemente atacado pelo inconformismo diante de decisões de cunho político que é obrigado a proferir.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *