18 de junho de 2026
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Sem pedir, Lula pode ter três candidatos a senador no MA

Por Raimundo Borges

O Imparcial – A disputa pelas duas vagas de senador do Maranhão entra em um clima parecido com o suspense da pré-convocação da Seleção Brasileira por Carlo Ancelotti. Com a definição do deputado federal do PP, André Fufuca, como candidato a senador na chapa de Eduardo Braide (PSD), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já tem três nomes aliados no Maranhão na eleição mais importante de sua carreira. Os outros nomes são Weverton Rocha (PDT), histórico apoiador do governo petista, para quem Lula abriu uma exceção ao nomear Carlos Lupi para o Ministério do Trabalho, pasta historicamente ligada ao PT, que a recuperou com o atual ministro Luiz Marinho.

Por sua vez, a senadora Eliziane Gama (PSD-MA) tem forte influência no governo federal, destacando-se pelas nomeações de familiares e pessoas próximas para cargos estratégicos no Maranhão e no cenário nacional. As principais indicações associadas à parlamentar incluem Inácio Melo, seu marido, que foi presidente do Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM) até o segundo semestre de 2025, quando renunciou para ser nomeado presidente do Instituto de Metrologia e Qualidade Industrial do Maranhão. A sobrinha da senadora, a advogada Elisandra Araújo Gama, de 28 anos, ocupa o cargo de consultora jurídica no Serviço Geológico, vinculado ao Ministério de Minas e Energia.

Já o deputado André Fufuca saiu do governo Lula no prazo de desincompatibilização, mas deixou no Ministério dos Esportes Paulo Henrique Cordeiro, maranhense de Viana, na Baixada Maranhense. Advogado e mestre em Direito Constitucional e Tributário, possui ampla bagagem em gestão pública nas áreas de esportes e serviço público, combinando vivência acadêmica e experiência institucional. Dezenas de municípios foram contemplados com projetos que valorizam atletas de alto rendimento e democratizam o lazer. Ele acaba de receber autorização do Planalto para acompanhar os jogos do Brasil na Copa.

Até abril, Fufuca era ministro dos Esportes, altamente prestigiado pelo Planalto e, no Maranhão, andava de braços dados com o governador Carlos Brandão e com o candidato ao Palácio dos Leões, Orleans Brandão. O estado foi um dos mais beneficiados com recursos federais para desenvolver o esporte por meio de projetos sociais de incentivo a jovens e crianças. Agora, pelo visto, ele perdeu espaço no MDB para Roseana Sarney, que pretende disputar o Senado pelo partido que ela mesma entregou de mão beijada ao empresário Marcus Brandão. Hoje, a legenda é presidida no Maranhão por Orleans Brandão.

Antes de deixar o Ministério dos Esportes, Fufuca direcionou R$ 82 milhões para dezenas de municípios maranhenses, o que representou a maior parte das verbas do orçamento federal aplicadas diretamente sob sua supervisão. À frente da pasta, o ex-ministro comandou programas de políticas públicas de inclusão, como o Segundo Tempo, o Esporte e Lazer da Cidade e o Vida Saudável, além de articular a construção de arenas esportivas em municípios por meio do Programa de Aceleração do Crescimento. Todas essas iniciativas, no contexto de uma eleição majoritária ou proporcional, rendem votos.

Ao ser abraçado, nesta quarta-feira, pela candidatura de Eduardo Braide, o ex-ministro de Lula abre espaço tanto para uma visão mais à esquerda em seu campo político, abarrotado pela direita bolsonarista, quanto distensiona uma aproximação com o Palácio do Planalto em caso de eventual vitória de Lula para um quarto mandato. Como prefeito, Braide manteve uma postura burocrática e equidistante tanto do Palácio dos Leões quanto do governo do PT. Junto com Fufuca, ele embaralha o jogo político do Maranhão, sai do individualismo, não assume o bolsonarismo e tampouco pode ser visto caminhando na direção da esquerda petista. É um nome de centro assumido, assim como, aliás, também são Orleans e Camarão.

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