
Na corrida contra o atraso, MA tem que vestir a farda escolar
Por Raimundo Borges
O Imparcial – Quinze eleições estaduais no Maranhão em 60 anos, desde quando José Sarney, aos 35 anos, chegou ao Palácio dos Leões até hoje. Muita coisa mudou na política, na economia, na infraestrutura, nos costumes e na cultura. Porém, o sistema de poder estadual passou por uma nova oligarquia. Sarney, durante 49 anos, ultrapassou a ditadura militar de 1964, comandou a retomada da democracia em 1988, mas a política maranhense ainda carrega práticas que, infelizmente, dão a sensação da “cultura” do insucesso. O badalado potencial econômico do Maranhão não se sustenta em um modelo de desenvolvimento social escorado na educação, o que inibe investimentos capazes de gerar riqueza.
Em 2026, com um imenso aparato de poder federal, estadual e municipal atuando na direção da conquista do voto popular, após as eleições a divisão do poder tende a eliminar os projetos anteriores pela descontinuidade e a jogar no esquecimento os discursos de campanha. A engrenagem de poder no Maranhão perde eficácia, e as consequências são divididas entre a população que vota. Quando José Sarney assumiu o comando do estado em 1965, sob o slogan de “Maranhão Novo”, acabou com o vitorinismo de 20 anos e iniciou um novo sistema que só terminou 49 anos depois.
Em 2014, quando Flávio Dino derrotou o sarneísmo e colocou o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) no Palácio dos Leões, onde nunca havia chegado em qualquer estado em seus 92 anos de existência, ignorou tudo o que havia do modelo vigente. A própria Roseana Sarney admitiu o fim da oligarquia da família no estado. “Apesar de tudo, de as pessoas me acusarem, agora vão ter uma coisa boa: vai sair de pauta a oligarquia, né? Vamos ver o que vai entrar em pauta. Sair do governo foi uma opção minha. Deixarei um estado melhor do que peguei”, disse ela, em tom de ironia, à BBC Brasil, em 6 de outubro de 2014.
O estado possui, em operação, 58 unidades do Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA), criado em 2015. A rede de educação profissional e de tempo integral passou por expansões recentes para outras regiões na gestão de Carlos Brandão. Em dezembro de 2025, foi publicado edital abrindo inscrições para 8.639 alunos na rede de IEMAs, nos cursos integrados de ensino médio da capital e do interior, para 2026. Sem dúvida, trata-se de uma revolução educacional no Maranhão, que já apresenta avanços nos indicadores sociais no presente e os projeta para o futuro. Portanto, vestir a farda escolar é um caminho sem volta para o desenvolvimento em qualquer lugar.
Se não for pela educação de qualidade e pela mudança de postura dos governantes, estimulando os jovens e envolvendo as famílias, infelizmente o Maranhão terá dificuldade para ultrapassar os outros estados nos indicadores do PNUD. Dino saiu da cena política e foi para o STF, onde permanecerá até os 75 anos. Carlos Brandão tem uma estratégia própria de governar, mas não deixou de lado os programas do governo do qual fez parte como vice e como substituto em 2022. Por mantê-los no longo prazo, o governador Brandão está suando a camisa para deixar como sucessor o sobrinho Orleans Brandão (MDB).
O MDB é o partido de Sarney desde quando ele se uniu a Tancredo Neves em 1984. Para derrotar Sarney, Dino uniu nove partidos em uma coligação, mas o MDB ficou de fora. Com Brandão no governo, ele controlou e ampliou o PSB, mas acabou perdendo-o para seus opositores, com a senadora Ana Paula Alves à frente, após assumir o mandato como suplente de Dino. A gestão que era, partidariamente, “socialista” hoje é emedebista e dividida. A estrutura política montada em 2014 se desmontou. Agora, a menos de quatro meses das eleições, o Maranhão vive uma nova embaralhada política, com a projeção de um futuro nebuloso diante da corrida ao Palácio dos Leões, disputada cabeça a cabeça entre os primos Orleans Brandão e Eduardo Braide, enquanto o PT de Lula segue em uma faixa própria, deixando o cenário ainda mais desajeitado.

