20 de agosto de 2026
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A JUVENTUDE VOTANDO

Tyrone Silva
Desembargador do TJ/MA

A partir da Constituição de 1988, facultou-se aos jovens, a partir dos 16 anos, o direito de votar. É bom que se lembre que não se tratou de uma simples ideia do constituinte brasileiro. A inserção desse direito na Constituição partiu de um movimento da própria juventude, na época liderado pela UBES – União Brasileira dos Estudantes Secundaristas – e pela UNE – União Brasileira dos Estudantes. Essas bravas instituições já se movimentavam desde o começo da década de 1980 para verem reconhecido o direito ao voto popular da nossa juventude. Inclusive, em março de 1988, fizeram-se presentes na Assembleia Nacional Constituinte para expressarem, em viva voz, esse propósito da  juventude brasileira.

Aqui no Maranhão, por iniciativa do Tribunal Regional Eleitoral,  na qual também tive participação, foi implantado, ainda em 2009, o Projeto Voto Jovem na Escola. Por meio dele, juízes e técnicos do Tribunal vão até as escolas fazer palestras sobre as eleições e a importância do voto da juventude nesses pleitos. Participei pessoalmente dessas palestras, voltando a colaborar quando do período em que fui Presidente daquela Corte Eleitoral, entre os anos de 2020 e 2022.

Efetivamente, a inclusão desse direito pelos constituintes brasileiros reitera o espírito democrático com que foi edificada essa nossa Constituição, que em tão brilhante e oportuno momento, foi proclamada pelo saudoso presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Deputado Ulisses Guimarães de “Constituição Cidadã”.

De fato, essa força jovem hoje no Brasil representa 23% de nossa população, um contingente de aproximadamente 47 milhões de pessoas. No Maranhão esse percentual chega a 25%, ou aproximadamente 1,8 milhão de  pessoas. O que não é pouco para o Estado de mais de 7 milhões de pessoas. Se passarmos para análise do quantitativo do eleitorado, vamos alcançar uma cifra de 17% de um contingente de mais 5 milhões de eleitores.

Esses números dizem muito bem o que pode ser alcançado com a participação de nossa juventude nas eleições. Sejam em eleições gerais, como a que vai acontecer em outubro deste ano, em que serão eleitos deputados estaduais e federais, senadores, governadores e Presidente da República; sejam em eleições municipais,  que ocorrerão daqui a dois anos, para eleger prefeitos e vereadores.  Se um ou dois votos mudam uma eleição, veja-se  o que pode mudar com quase um milhão de votos, quantitativo esse que representa o percentual acima de eleitores do Estado do Maranhão.  Portanto, em cenário  como este, em que a juventude pode  participar, convém que participe. E participe com todo o vigor  de suas convicções.

A juventude que aqui se fala e se apresenta os números, não é só aquela dos 16 aos 17 anos, mas toda a população jovem do nosso País e do nosso Estado. Da análise das expressões políticas que podem fazer, espera-se  brotarem novas ideias, novos conceitos e  um novo perfil ideal de quem nos deve representar. É importante que nesse momento  em que o eleitorado vai escolher os seus representantes políticos, ninguém abra mão disso. O voto dos jovens, por sua vez,  pode dizer sempre  algo a mais.  Pode fazer uma enorme diferença. Da essência do voto dessa juventude poderá se extrair  as  inovações do conhecimentos; as novas experiencias  do mundo moderno; a expansão da visão de vida;  o conhecimento e as experiencias das novas tecnologias; os novos ideais de humanidade e de convivência social; os ensinos mais avançados nas escolas e nas universidades. Enfim, uma gama de fatores que podem formar uma nova  estrutura moral e racional que todos nós propugnamos.

A juventude, portanto, deve se convencer dessa responsabilidade, notadamente no aprimoramento do desempenho dos nossos políticos. E este é um momento por demais propício de exercitá-la. Não vão prevalecer só as críticas ou as censuras. Maior preponderância terá a ação e a atuação com esse meio democrático que dispomos: o voto. Ele representa nossa vontade, nossa proposta, nossa pretensão de mudança daquilo que achamos não estar correto. Não vamos subestimar a sua importância e nem olharmos as eleições com indiferença ou com pessimismos. Precisamos dar a nossa contribuição. Não basta estabelecer conceitos e padrões negativos aos nossos políticos. Ao contrário. Precisamos atuar no sentido de criar bons conceitos e bons padrões nesse universo. Em um País como nosso, de dimensões continentais e de uma grande diversidade de raças, origens e culturas, não é de se supor uma unanimidade  de  perfeição. Aliás, em nenhum País do mundo essa unanimidade existe.

A democracia é feita dessa maneira e das diferenças.  E a nossa democracia é uma das mais completas do mundo. Em todo grupo social tem esses graus de perfeição e imperfeição. No meio político não é diferente. Contudo, não é a regra. Temos exemplos da grande políticos na história  do nosso país. E continuamos a tê-los. As críticas são próprias dessa democracia que vivemos e que queremos. O homem público sempre está exposto às críticas e à censura popular. às vezes com razão e às vezes não. Convém ponderar para que não transformemos o nosso voto em um mero dever cívico ou uma obrigação que a lei nos impõe. 

Precisamos encarar as eleições como um momento patriótico, em que vamos dar a nossa contribuição ao País e ao nosso Estado.  E essa contribuição consubstancia-se exatamente  no nosso desejo de aprimorar as instituições que compõem o seu comando governamental. Nessa hora,  essa plêiade de bons propósitos que deve se compor em cada voto dos nossos jovens, sem dúvida,  fará muita diferença.

 

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