22 de agosto de 2026
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O valor do voto na pobreza e na riqueza das campanhas

Por Raimundo Borges

O Imparcial – O eleitor é um tolo? Ele pode direcionar o seu voto pelo discurso bonito, promessa elaborada, acusação infundada, candidato ou candidata de padrão de beleza adequado, estar metido em crimes comprovados, ter conduta ilibada ou ser vítima de armação escancarada? São duas indagações de abrangentes formulações que, mesmo sem o caráter científico, são balizadoras do voto popular numa eleição histórica, como a de 4 de outubro. O Maranhão revive uma crise política como tantas outras que mexem com o imaginário do eleitor tão perto da hora do voto para os diferentes níveis de poder. A eleição é dominada por intrincadas maquinações para capturar quem vota na escolha dos mandatários políticos.

As campanhas eleitorais passam pelo filtro de quem vota, usando sofisticadas formas de atraí-lo, convencê-lo ou burlar a sua consciência. No Maranhão, 572 candidatos, de um total de 602, tiveram o registro confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Entre eles, existem alguns com patrimônio acumulado acima de R$ 20 milhões e outros sem nada a declarar. Dos oito concorrentes ao Palácio dos Leões, três – André Luís (Missão), Dimas Cassimiro (PCO) e Reginaldo Lima (PCB) – declararam não possuir nada que possa chamar de patrimônio. Também os vices do trio estão na mesma situação de pobreza.

Já os dados do TSE sobre o Brasil, no total de 20.506 candidatos, mostram que 6.933 deles, 1/3, estão na campanha com zero bens patrimoniais. Chama a atenção outro fato relevante: entre os 14 presidenciáveis, dois foram registrados no TSE, com os respectivos vices, dizendo não possuir qualquer patrimônio. São eles, o maranhense Hertz Dias (PSTU) e Rui Costa, candidato pelo PCO, dois partidos de esquerda. Já entre os postulantes à Câmara dos Deputados, 32,74% não declararam bens, o equivalente a 2.500 dos 7.636 registrados. Para o Senado, a proporção cai para 16,19%, ou 51 dos 314 candidatos.

O limite da linha da pobreza no Brasil, conforme os parâmetros oficiais adotados pelo IBGE, é de R$ 694 por mês (US$ 6,85 diários), e de R$ 218 por pessoa/mês para o critério de extrema pobreza (US$ 2,15 diários). Não significa que os candidatos que disseram ter zero patrimônio estejam realmente na pindaíba total. São professores, profissionais liberais e técnicos em vários setores, que aproveitam as brechas na lei eleitoral, achando que o eleitor vai se sensibilizar com a pobreza. Porém, uma máxima popular e recorrente em estudos sociológicos, que não caduca, ensina: “Pobre não vota em pobre”. E rico também não.

Estudos acadêmicos indicam que a busca do voto possui enorme poder de repercutir na economia, durante as campanhas movidas a farta distribuição de dinheiro público, contado em bilhões de reais, do Fundo Especial de Campanha. A monetização do voto a partir dos partidos e dos candidatos envolve tanto dinheiro público e privado que chega a mexer até com indicadores econômicos. O PL, com a maior partilha do Fundo Especial, tem R$ 881 milhões; o PT, R$ 615 milhões; e os menores partidos sem representação no Congresso, R$ 3,3 milhões. O total distribuído do Orçamento chegou a R$ 5 bilhões.

Significa que o eleitor, para não passar por tolo na hora de votar, tem que estar consciente sobre a importância de seu ato, não para prejudicar alguém e beneficiar quem simpatiza ou deve favores. É preciso saber que o voto é a favor do Brasil, do Estado e da população de cada município. O voto não muda a vida, muda a nação. Portanto, o preço dos minutos que o eleitor gasta digitando seis teclas da urna eletrônica tem imenso valor para a democracia, a liberdade, a segurança, a educação de qualidade, a infraestrutura e a saúde pública. Tem muita gente gastando fortuna na campanha, e nenhum desses candidatos está rasgando dinheiro. Está investindo no curto prazo.

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