27 de agosto de 2026
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38 dias para o “desenrola” de urna entre dois primos Braide

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Quando faltam apenas 38 dias para as eleições gerais de 2026, não resta dúvida, conforme indicam repetidas pesquisas de intenção de voto, de que o próximo governador do Maranhão será um dos dois principais candidatos, coincidentemente, primos de sobrenome Braide. Ambos vêm se revezando no primeiro lugar, com distância folgada do terceiro colocado, o que sugere um provável segundo turno.

Pela primeira vez na história do Maranhão, dois parentes tão próximos concorrem como opositores a uma eleição de tamanha importância, um com passagem pelo governo do Estado e outro pela Prefeitura de São Luís.

Os dois candidatos só não foram colegas de infância porque Eduardo tem 50 anos e Orleans, 31. O primeiro é filho de São Luís, de pai (Carlos Braide) nascido em Teresina (PI). Orleans é filho de Colinas, mas, desde criança, reside em São Luís. É emblemática a campanha dos Braide rumo ao Palácio dos Leões. Até agora, no ambiente tenso e polêmico da disputa eleitoral, não se observa qualquer ataque entre eles, o que não é comum em tais circunstâncias políticas.

O candidato do PSD acusou o governo Brandão pelo transtorno no trânsito na ponte federal da BR-135, entrada de São Luís, mas não disse nada ainda sobre Orleans, que, no Estado, foi o responsável pela política municipalista. Ele também prima pela polidez.

Sobre a origem política dos dois candidatos, ambos estão inseridos no poder estadual. Eduardo Salim Braide (PSD), 50 anos, ex-prefeito de São Luís e ex-deputado estadual e federal, é filho de Antônio Carlos Braide, ex-deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Legislativa.

Já o concorrente Carlos Orleans Braide Brandão (MDB), 32 anos, é sobrinho do governador Carlos Brandão e filho de Maria do Socorro Braide, prima direta do pai de Eduardo. A família Brandão também tem histórico político, com o pai do atual governador, Orleans Brandão, tendo sido secretário de Saúde do governo Nunes Freire.

Sobre a origem dos Braide no Brasil, existem várias explicações. O livro “Do Líbano ao Maranhão – A Saga dos Braide”, de Gracilene Pinto, fala dos sírios e libaneses, inicialmente chamados de turcos por portarem passaporte turco, em razão do domínio turco-otomano sobre a Síria e o Líbano.

Eles se adaptaram bem ao Brasil no século XX, e seus descendentes formam uma comunidade de milhões de brasileiros de origem árabe. Têm forte influência na vida social do Brasil, com descendentes presentes nas áreas médica, empresarial, política e judiciária. Os maranhenses teriam procedência do Piauí.

Outra fonte aponta a origem do sobrenome Braide como britânica, com raízes que remontam à Escócia e à Inglaterra. Seria considerado um nome toponímico, derivado de localidades específicas, com o termo escocês antigo “braid”, que significa “largo” ou “amplo”.

Ao longo dos séculos, o sobrenome Braide se disseminou para diversas partes do mundo, incluindo o Brasil, onde muitos imigrantes britânicos se estabeleceram. Seja de onde for, um dos dois primos Braide maranhenses certamente vai ser o mandachuva do Palácio dos Leões a partir de 1º de janeiro de 2027, espaço, aliás, bem familiar para qualquer um deles.

Uma pergunta que não quer calar: se houver segundo turno no Maranhão e também na disputa do Palácio do Planalto, vai dar confusão. Os dois líderes daquela eleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro, não são partidários dos Braide. Porém, o petista está superexposto na campanha de Orleans Braide Brandão (MDB), já o bolsonarista tem, no palanque de Eduardo Salim Braide (PSD), o candidato a senador Lahesio Bonfim e a vice Elaine Carneiro, tidos como seguidores do ex-presidente em prisão domiciliar.

Desde que os maranhenses elegem governador pelo voto popular, nunca se viu dois parentes tão próximos concorrendo ao Palácio dos Leões em situação tão desafiadora para os primos Braide.

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