29 de agosto de 2026
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Polarização do começo ao fim entre Orleans e Braide

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Companheiros de bar, colegas de construção, palestrantes de empresários, políticos de todas as ideologias, banqueiros que contam dinheiro em bilhões, jornalistas que suam a camisa em busca de audiência, donas de casa atrás de promoções, todos têm a mesma pergunta sem resposta na presente campanha: “Afinal, quem vai ser o próximo governador do Maranhão e o presidente do Brasil?”

A polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), representantes dos dois maiores partidos do Brasil, e, no Maranhão, Orleans Brandão (MDB) e Eduardo Braide (PSD) faz das eleições de 2026 as mais ambíguas em décadas.

As pesquisas mostram Lula na liderança, mas mantêm Flávio Bolsonaro dentro ou na beira da margem de erro. Significa que há prenúncio, por enquanto, de 2º turno. No Maranhão, porém, as consultas de intenção de voto apontam um revezamento entre dois candidatos, o que até levanta suspeita de eventual manipulação.

Mas o que importa para o eleitor é saber se, dentro dos próximos 37 dias, essa dupla polarização no âmbito estadual e federal se mantém, será desfeita por algum fato de repercussão capaz de mudar o rumo do voto, ou empurrada para uma nova eleição no dia 25 de outubro.

Para tentar especular sobre quem decide uma eleição tão polarizada, o caminho é descobrir uma figura capaz de surgir pelo meio e desmanchar os cenários. Esse sujeito da oração é o eleitor indeciso ou indiferente. O típico votante hesitante em busca de uma possível 3ª via. Pode ser o segmento feminino, religioso, classe média, trabalhador, negro ou uma região mais agregada a certos valores realçados.

Pelo lado ideológico, Lula concorre ao quarto mandato, disputando a 7ª eleição num país da importância do Brasil. Tem o nome associado a escândalos de corrupção, tipo Lava Jato, mas com um legado histórico único no Ocidente, inclusive com prisão e condenações, posteriormente anuladas pelo STF.

O seu concorrente, Flávio Bolsonaro, é fruto da indicação pessoal do pai, preso por tentar dar um golpe de Estado e não reconhecer a derrota eleitoral em 2022. Ele é sucessor da dinastia bolsonarista, cujo sobrenome Bolsonaro tem 20 candidatos nas atuais campanhas, contra oito Lula, estes sem nenhum grau de parentesco com o presidente petista.

Flávio tem rejeição visceral ligada ao medo do autoritarismo, da ruptura democrática e da violência, além de herdar não apenas o enorme capital político do pai, mas também os escândalos: rachadinhas, milícias digitais, declarações golpistas e chance de permitir a interferência estratégica dos Estados Unidos na soberania do Brasil.

Quando os analistas fazem um corte institucional da eleição presidencial para a maranhense, a polarização latente entre Orleans Brandão e Carlos Braide está mais na estratégia de cada um do que na associação a escândalos. Braide tenta se sustentar no personalismo e no legado de gestor municipal bem avaliado e em seus projetos urbanos na capital maranhense, com impacto nas vias centrais de trânsito.

Ele garante uma forte atuação nas redes sociais, com postagens em que constrói a sua imagem sempre em primeiro plano, sem dar atenção à questão de grupo ou de partido. Saiu da Prefeitura com alta aprovação e mantém como candidato o mesmo formato centrado na pessoa à frente do político.

Orleans, com 31 anos, tem quatro a menos que José Sarney em 1965, eleito o governador mais jovem em sua época, com 35. Já Braide, 50, tem outro jeito de ser. Prefere não falar nem do candidato presidencial Ronaldo Caiado, de seu PSD, enquanto Orleans promete um governo continuado do tio Carlos Brandão, apoiado por Lula no Planalto, se ele vencer.

Sustenta o discurso sobre as ações municipalistas, conta com vasto apoio de um arco de alianças de 11 partidos, o vice Edivaldo Holanda e outros nomes agregadores de voto, como Roseana Sarney e Weverton Rocha ao Senado. São dois candidatos sem radicalismo de esquerda ou de direita, o que remete a uma disputa equilibrada, a ser resolvida pelo centro. Logo, uma eventual 3ª via não é visível no horizonte da campanha.

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