27 de agosto de 2026
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Por que o Google perdeu US$ 700 bilhões em valor de mercado desde maio

Invest News – Durante boa parte do último ano, a Alphabet, controladora do Google, foi a ação de Big Tech a ser batida, à medida que os investidores apostavam que a empresa seria a principal vencedora do boom da inteligência artificial.

As ações da Alphabet atingiram máxima histórica em 13 de maio, depois de dispararem mais de 150% nos 12 meses anteriores. O desempenho colocou os papéis entre os 25 melhores do índice S&P 500 nesse período e muito à frente das demais gigantes de tecnologia do grupo das Sete Magníficas (Magnificent Seven).

Mas o impulso perdeu força desde então, diante de questionamentos sobre a saída de talentos da controladora do Google e de temores de que a empresa esteja perdendo vantagem na corrida da IA.

A ação acumula queda de cerca de 15% desde o pico, eliminando mais de US$ 700 bilhões em valor de mercado e tornando-se o papel que mais pressionou o S&P 500 nesse intervalo.

No centro da onda de vendas está a posição repentinamente mais frágil da Alphabet na corrida pela IA, com os pesados gastos para construir a infraestrutura necessária ao desenvolvimento da tecnologia e o atraso no lançamento de seu novo modelo de IA Gemini pesando sobre o sentimento dos investidores.

As ações recuavam menos de 1% nas primeiras negociações desta quinta-feira.

Saída de funcionários

E há ainda a questão dos funcionários.

Há alguns meses, o Google perdeu dois funcionários importantes para a Anthropic e a OpenAI. No início deste mês, Jeff Dean, que era peça-chave na estratégia de IA do Google, deixou a empresa para lançar uma startup e levou consigo vários colegas de destaque.

E Demis Hassabis deixou o cargo de CEO do laboratório de pesquisa em IA Google DeepMind, assumindo uma nova função como presidente. Essas movimentações fizeram as ações da Alphabet despencarem 4% em 5 de agosto, eliminando US$ 186 bilhões em valor de mercado em uma única sessão.

“Você teve esse tipo de fuga de talentos”, disse Angelo Zino, vice-presidente sênior e chefe de tecnologia da CFRA. “Isso representa algum risco porque é a área do mercado para a qual todo mundo está olhando neste momento, certo? A questão é: você consegue monetizar a IA?”

É claro que a Alphabet está longe de ser a única empresa afetada pela disputa por talentos entre as Big Techs. No ano passado, a Meta contratou Ruoming Pang, da Apple, onde ele comandava a equipe de modelos de IA da fabricante do iPhone, oferecendo um pacote de remuneração de US$ 200 milhões ao longo de vários anos. Depois, trouxe também dois de seus principais subordinados.

Naquela época, o CEO da OpenAI, Sam Altman, reclamou que a Meta estava oferecendo bônus de contratação de até US$ 100 milhões para atrair funcionários para sua principal equipe de IA. Enquanto isso, a OpenAI atraiu mais de 400 funcionários da Apple com salários elevados e ofertas generosas de opções de ações. A Apple processou a OpenAI por roubo de segredos comerciais.

Na Alphabet, porém, as dúvidas sobre a rotatividade de funcionários são apenas a ponta do iceberg. As preocupações mais imediatas envolvem atrasos no desenvolvimento de seu modelo de IA mais poderoso, o Gemini 3.5 Pro, que está fora do cronograma enquanto a empresa trabalha em melhorias, especialmente em seus recursos de programação. Essa é uma área em que a Alphabet já é considerada atrás da Anthropic e da OpenAI. Há duas semanas, o Google lançou um novo modelo, o Gemini 3.7 Flash, mas não informou um novo cronograma para o Gemini 3.5 Pro.

“Se você é um vencedor da IA, tem um modelo de ponta e o mercado lhe atribui um prêmio de múltiplo, que é o que estava sendo observado na ação nos últimos, digamos, nove a 12 meses. Isso diminuiu um pouco, na margem”, disse Divyaunsh Divatia, analista da Janus Henderson.

Motivos para otimismo

A Alphabet, no entanto, afirma que os avanços estão acontecendo rapidamente.

“Nosso impulso em IA e nossa velocidade de lançamento estão em níveis recordes. Estamos implementando atualizações de modelos com poucas semanas de intervalo, com o Gemini 3.7 Flash se tornando nosso modelo de crescimento mais rápido até hoje, e o Gemma ultrapassando 1 bilhão de downloads”, disse um porta-voz do Google.

O otimismo em relação ao negócio de IA da Alphabet decorre do sucesso de seus chips de unidades de processamento tensorial, ou TPUs, e da enorme capacidade computacional que a empresa acumulou. Mas também há ceticismo em relação aos gastos da companhia, depois que ela levantou US$ 25 bilhões em uma emissão de títulos no início de agosto, oferecendo retornos elevados aos investidores.

A Alphabet não está sozinha nesse cenário, já que os investidores pressionam cada vez mais as maiores empresas de desenvolvimento de IA a apresentar evidências de retorno sobre os gastos destinados à construção de data centers de IA.

O índice Nasdaq 100, fortemente concentrado em tecnologia, não atingiu uma nova máxima desde maio. Ao fundo, estão os temores macroeconômicos relacionados à guerra no Oriente Médio, à guerra comercial dos EUA com o Canadá e à possibilidade de juros mais altos diante da inflação persistente.

Pelo menos parte da migração para longe das ações da Alphabet é apenas uma movimentação normal do mercado. A Microsoft, por exemplo, acumula alta de mais de 25% desde o fim de julho, quando seu balanço mostrou o crescimento mais rápido de sua operação de nuvem em quatro anos.

A Alphabet, por outro lado, caiu após divulgar resultados no fim de julho, quando os investidores reagiram negativamente aos elevados investimentos de capital e ao fluxo de caixa livre negativo.

“O capex vai aumentar significativamente no próximo ano”, disse Divatia. “Eles terão fluxo de caixa livre negativo. Já levantaram capital e estão captando muita dívida. Esse é um dos pontos em que muitas pessoas estão focadas: a empresa está tornando o fluxo de caixa livre negativo e financiando essa intensidade de capital, ou essa corrida rumo à AGI, por meio de capital próprio e também do mercado de dívida, o que deixa muitos investidores nervosos.”

Enquanto isso, alguns investidores otimistas veem um lado positivo na recente movimentação de talentos. E, apesar da queda recente, a ação da Alphabet superou o mercado mais amplo e seus pares das Magnificent Seven nos últimos 12 meses, com ganho de 65%.

“Talvez isso seja algo bom. Talvez seja necessário ter um novo grupo de pessoas tentando fazer sua parte e levar o Google de volta ao lugar que deveria ocupar”, disse Daniel Pilling, gestor de portfólio da Sands Capital Management, que possui ações da empresa. “Eles têm alguns dos melhores chips do mundo, provavelmente têm uma das maiores — se não a maior — estruturas de capacidade computacional do mundo e deveriam realmente conseguir ter sucesso.”

Ainda assim, os investidores esperam continuar cobrando da Alphabet um alto padrão de comunicação sobre sua próxima fase de crescimento em IA.

“Estou menos interessada na pessoa específica e mais interessada no que eles vão dizer na próxima teleconferência de resultados sobre o desempenho da IA e como isso começará a se traduzir de fato em crescimento dos fundamentos”, disse Melissa Otto, chefe de pesquisa de tecnologia, mídia e telecomunicações da Visible Alpha. “Essa é uma questão que ainda está em aberto.”

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