15 de abril de 2026
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Candidatos a governador ignoram orçamento e história das eleições

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Desde 2025, o assunto mais palpitante no noticiário político do Maranhão tem sido a disputa pela cadeira principal do Palácio dos Leões, onde se senta, desde abril de 2022, o governador Carlos Brandão, hoje sem partido e sem pressa para ocupar um que possa chamar de seu. Ele decidiu permanecer no mandato até o dia 31 de dezembro e tenta realizar um fato inédito: passar a faixa do poder ao sobrinho Orleans Brandão (MDB), hoje, talvez, o principal nome entre cinco concorrentes. O outro nome que aparece tecnicamente empatado com Orleans é Eduardo Braide (PSD), que renunciou ao segundo mandato de prefeito de São Luís antes da metade, para a vice Esmênia Miranda, também do PSD.

O que, porém, ninguém tem colocado no foco do debate das eleições é a verba do orçamento do governo para 2027, que só chegará à Assembleia Legislativa no período da campanha deste ano. Mas a Lei Orçamentária Anual (LOA) do Maranhão em 2026, já em execução, estima uma receita e fixa despesas de aproximadamente R$ 38 bilhões para os poderes Legislativo, Judiciário e Executivo, cujo foco principal é a continuidade dos serviços essenciais de previdência e investimentos. Esse item, “continuidade”, é o mote que move Brandão a desprezar a chance de ser senador para passar o governo a quem confia, de, no futuro, não vir meter os pés pelas mãos – caso seja eleito.

Além da volumosa soma orçamentária que sustenta a cobiça e o esforço desmedido dos pré-candidatos aos Leões e da legião de interessados que os cercam antes, durante e depois das eleições, estão as bilionárias transferências do governo federal. Em 2024, por exemplo, o Maranhão (Estado e municípios) recebeu a volumosa soma de R$ 65,6 bilhões dessas rubricas, quase 80% do orçamento estadual. Só o Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) projeta injetar no Maranhão investimentos que totalizam R$ 44,8 bilhões até 2030, em ações contínuas de infraestrutura e melhorias para a população, como habitação popular. Isso, se o presidente Lula for reeleito.

As emendas parlamentares, fonte de permanente alvoroço político depois que o ministro do STF, Flávio Dino, resolveu exigir transparência e controle sobre a aplicação de robusta parte do orçamento federal, são partes consideráveis dos gastos no Maranhão. A bancada federal destinou para 2026 nada menos do que R$ 415,6 milhões em projetos focados nas áreas de saúde, educação e infraestrutura. É bem provável que alguns dos pré-candidatos ao Palácio dos Leões nem se deem conta de que o resultado das urnas tem tanta importância vital para a política quanto a parte que corresponde a gerir a verba do orçamento.

Quando decidiu, no penúltimo dia do prazo de desincompatibilização, deixar o cargo de prefeito da capital maranhense, faltando dois anos e nove meses para o fim, Eduardo Braide avaliou todo o contexto da decisão. Deve ter olhado a história recente de São Luís e a decisão do prefeito Jackson Lago (PDT) em 2002. Ele também renunciou ao segundo mandato, em 5 de abril, passou o cargo ao vice Tadeu Palácio, para disputar o Palácio dos Leões contra o então governador José Reinaldo Tavares, que vinha de vice de Roseana Sarney. Ela renunciou para concorrer ao Senado e venceu com Edison Lobão, e Zé Reinaldo no primeiro turno.

Assim como cada geração tem o seu momento de fazer história e cada momento tem sua geração para recordar a história, as eleições também nunca são iguais no tempo ou no modo de fazê-las. Aquela de 2002, por coincidência, no mesmo 4 de outubro como a de 2026, deu o primeiro solavanco no grupo Sarney, com Jackson Lago quase levando a disputa para o segundo turno – mas venceu em 2006. Nesses 26 anos do século XXI, não é apenas o dinheiro do orçamento que faz mudar a história do voto, mas a conjuntura e as circunstâncias. Razão pela qual o que vai ser contado sobre as urnas do próximo pleito ainda nem chegou como borrão à prancheta dos historiadores da política.

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