Tarifaço e Ataque ao PIX – o que querem os vendilhões bolsonaros
Aureliano Neto*
Nesses momentos tormentosos que estamos a viver, provocados pela ânsia entreguista e de vergonhosa vassalagem dos irmãos Bolsonaro, aliados ao novo Hitler, sem o bigodinho e alourado, Trump, que resolveu transformar a histórica democracia dos EUA em ditadura de seus próprios interesses, em desrespeito à Constituição norte-americana, discutida e votada após a declaração de independência, em 4/7/1776, emendada em 1791, e passando a conter os direitos e liberdades individuais, sob a denominação de Bill of Rights, atualmente postergado ao esquecimento de uma ditadura que opera na defesa de um capitalismo hegemônico, ou que, pelo menos, pensa ainda ostentar esse poder denominador, com interferências danosas nos países em processo de desenvolvimento, desrespeitando a sua soberania.
Antes de mais nada, presto alguns necessários esclarecimentos. Quando entrei para Faculdade de Direito, na Rua do Sol, em frente ao Teatro Artur Azevedo, estávamos em pleno ditadura de 1964. Uma ditadura militar, mas com ostensiva participação civil. Pode e deve ser nominada de ditadura civil-militar. A elite militar e a civil usufruíram dos seus benefícios. Mas o povo, muito pouco ou quase nada. Durante mais de vinte anos, o Brasil se alinhou literalmente com as regras impositivas do capitalismo dos EUA. Deve ser esclarecido que a derrubada do governo de João Goulart teve o apoio norte-americano, porque, segundo Moniz Bandeira, no seu livro O Governo João Goulart – As Lutas Sociais no Brasil 1961-1964, Ed. Civilização Brasileira, 1977, p. 115, “o Governo Goulart não se limitou apenas a reagir em defesa da economia nacional, como no caso das importações de petróleo e de matérias-primas pela indústria farmacêutica, buscando contornar, mesmo em oposição aos Estados Unidos, o déficit do balanço de pagamentos”. Goulart lutou pela soberania nacional e, seguindo essa diretriz de afirmação do Estado brasileiro, estabeleceu relações comerciais com a república Popular da China e se voltou para os países da África e da América Latina, assim ampliando, tanto quanto possível, o intercâmbio comercial com o bloco socialista. Na página 118, Moniz Bandeira ressalta que essas medidas do governo Goulart “de sentido nacionalista, contrariaram os interesses de poderosos cartéis internacionais, particularmente, dos capitais norte-americanos, o que afastava cada vez mais as perspectivas de conciliação com o Governo de Washington”. E diz mais esse grande e erudito historiador: “O imperialismo norte-americano, àquela altura, já estava convencido de que se lhe impunha a tarefa de expelir Goulart do Governo brasileiro…” (p. 119). O golpe de 64, que implantou por mais de vinte anos a ditadura civil-militar teve a participação ativa do governo do Estados Unidos, que passou a colonizar o Brasil.
Durante todo esse período, como operário sindicalizado, estudante, depois advogado, lutei pela restauração da democracia. Não participei da luta armada, mas da luta cívica, para derrubada do regime civil-militar, até que chegamos a este objetivo com a eleição de Tancredo Neves e a posse na presidência do senador José Sarney. Depois de toda essa luta, com grandes avanços democráticos e institucionais, não podemos admitir, nós que temos consciência de nossa brasilidade, que se repita o golpe que foi dado, lá em 64, contra o Governo Goulart, que gerou o regime ditatorial, que teve a participação norte-americana, para prevalência dos seus interesses econômicos.
Dito isso, como uma necessidade histórica esclarecedora, gostaria, como na canção saudosista de Ataulfo Alves, voltar aos meus tempos de luta pela democracia. E assim eu daria tudo que tivesse pra voltar a aqueles tempos, voltar aos tempos dos palanques, pelas diretas-já, contra a ignóbeis e vis cassações de mandatos parlamentares, na luta pelos direitos dos trabalhadores e tantas e tantas lutas, já que não saem de minha lembrança. Ao mesmo tempo, voltando a esses dias de lutas pelo democracia, como ainda, neste nosso pequenino Miraí, ainda tem gente que voto nesses vendilhões de nossa pátria. Ai, meu Deus, como insiste em dizer o poeta, eu era tão feliz, naquele mundo de Judas e vendilhões que com outros lutadores combati.
E vejo a foto de um dos vendilhões, o tal do Flávio que é Bolsonaro, garbosamente risonho, recebendo as mais de trinta moedas, ao lado da bandeira dos EUA. O PIX é uma das vítimas. Afirma a USTR – o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos – que o classificou como prática brasileira irrazoável, porquanto recebe tratamento preferencial no sistema financeiro brasileiro em prejuízo de empresas estrangeiras, especialmente as dos Estados Unidos, que atuam no setor de pagamentos eletrônicos. Pergunta-se: qual o grande mal do Pix? Explica-se: criado em 2020, o Pix avançou rapidamente sobre um mercado que era amplamente dominado por cartões de crédito e débito. Esse crescimento afetou empresas americanas com forte presença global, como Mastercard e Visa, além de serviços digitais de pagamento como Google Pay e Apple Pay. Como sustenta Leonardo Attuch, jornalista e editor-responsável pelo 247, o Pix democratizou o dinheiro, além de ser funcional. E mais: “E funciona porque nasceu para servir à população, não aos interesses dos intermediários financeiros. Pela primeira vez na história brasileira, milhões de pessoas passaram a ter acesso a um sistema de pagamentos gratuito, instantâneo, disponível 24 horas por dia e sem as tarifas que enriqueceram durante décadas bancos e operadoras de cartões.”
(…) “Reduziu custos, ampliou a inclusão financeira, facilitou a vida dos pequenos negócios e aumentou a eficiência da economia nacional. Em poucos anos, tornou-se uma das maiores inovações financeiras do planeta e um exemplo estudado por diversos países.” (…) Por isso: “O governo de Donald Trump decidiu transformar o Pix em alvo político e econômico. O motivo não é difícil de compreender. O sucesso do sistema brasileiro ameaça interesses bilionários de gigantes internacionais dos meios de pagamento, como Visa e Mastercard, assim como outras empresas acostumadas a cobrar taxas elevadas de comerciantes e consumidores em todo o mundo.” (…) “O que está em jogo, portanto, não é apenas um sistema de pagamentos. É uma disputa entre dois modelos. De um lado, um instrumento público, eficiente e gratuito. Do outro, interesses privados internacionais que lucram com cada transação realizada.” Assim, cabe esta opção: quem estiver com os vendilhões, ou seja, com os irmãos Bolsonaro, está também com o ditador Trump, o Hitler louro, sem bigodinho. De outro modo, com o povo brasileiro. Ou aguarde, na esperança do golpe, perpetrado pelo colonizador de sempre. Dessa vez, sem comunismo.
Membro da AML, AIL e AMLJ
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