Sarney em livro de gibi e animação no cinema
Por Raimundo Borges
O Imparcial – Depois de levar o seu livro Dono do Mar para as telas dos cinemas, em 2005, com uma obra literária que mergulha no universo mítico dos pescadores do litoral do Maranhão, misturando o cotidiano da atividade com o folclore regional e o realismo fantástico, agora é o próprio José Sarney que vai ser transformado em um projeto multimídia, com animação cinematográfica e um livro em quadrinhos. O decano da Academia Brasileira de Letras, onde chegou em 1980 com as obras de contos e poesia Norte das Águas (1969) e Marimbondos de Fogo (1978), já fez de tudo na vida jornalística, política, econômica, literária e no poder.
Dono do Mar transita pelas lutas, crenças e mitos dos pescadores do Maranhão, ancorado na vida de Antão Cristório. Criado na dureza das lides do mar, esse homem de personalidade forte perde o filho, Jerumenho, ainda muito jovem, assassinado pela faca de um marido traído, numa festa de bumba-meu-boi. A insuperável perda do filho amado, preparado pelo pai desde a infância para sucedê-lo no trabalho da pesca e no domínio dos segredos do mar, tira para sempre de Antão Cristório a perspectiva de futuro. O pescador dá as costas para o amanhã e, de frente para o passado, conta a sua história.
Sarney, sem dúvida, tem uma trajetória política única no Brasil. De repórter de O Imparcial aos 17 anos a deputado federal, governador do Maranhão, presidente da República e único a presidir o Congresso Nacional por quatro vezes, ele continua escrevendo. Essa figura multifacetada, filho de Pinheiro, na Baixada Maranhense, aos 96 anos ainda articula na política nacional e estadual, onde dominou por 49 anos. Será retratada em uma animação e em um livro em quadrinhos. O projeto, que percorreu a burocracia pública desde 2024, acaba de receber apoio financeiro via Lei Rouanet, com patrocínio de R$ 1 milhão, captado junto à empresa Brisanet, provedora de internet atuante no Nordeste.
O filme de animação, de 52 minutos, e o livro em quadrinhos, de 80 páginas, estão previstos para ser lançados ainda em 2026. O projeto foi aprovado pelo Ministério da Cultura em agosto de 2024 e promete retratar José Sarney não apenas como político, mas também como escritor e membro da Academia Brasileira de Letras. O objetivo é destacar a importância do ex-presidente para a história contemporânea do Brasil, indo além de sua atuação na política. A animação, de média-metragem, busca transmitir ao público uma visão ampla sobre o legado de Sarney, enquanto o livro em quadrinhos oferece uma forma acessível e atraente para uma nova geração de leitores.
Por incrível que pareça, em pleno fim do primeiro quarto do século XXI, os gibis estão vivendo uma verdadeira revolução. A seção desse tipo de leitura nas livrarias está sempre lotada de crianças e jovens em busca de novidades. Por exemplo, a nova numeração das revistas da Turma da Mônica trouxe o número 1 na capa e conteúdo próprio e inédito para a personagem Milena. Os mangás de desenhos japoneses são os gibis mais colecionados no Brasil, juntamente com os clássicos super-heróis da Marvel, inclusive em edições com encadernação de capa dura. O colecionismo moderno prioriza edições de luxo e números históricos de grande importância.
A ideia de levar Sarney ao gibi partiu da Guarnicê Produções, liderada por Joaquim Haickel, aliado de longa data dos Sarney, com fortes laços familiares. Como José Sarney, Haickel é membro da Academia Maranhense de Letras e já foi deputado estadual e deputado federal constituinte em 1987 pelo MDB. O projeto do filme e do gibi pretende valorizar um personagem ímpar na história da política brasileira. Por exemplo, os livros Norte das Águas e Dono do Mar foram traduzidos para o romeno, inglês, francês, alemão, chinês, espanhol, italiano, coreano e búlgaro. Logo, em gibi e em filme de animação, o imortal Sarney tem enorme potencial para atingir diferentes faixas de público que aprenderam a vê-lo mais como político.

