26 de junho de 2026
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Campeão de votos, Josimar é acordado com PF na porta

Por Raimundo Borges

O Imparcial – O deputado Josimar Cunha Rodrigues só tem mesmo diminutivo no sobrenome político de Maranhãozinho, mesmo assim tomado emprestado do município maranhense que comandou entre 2005 e 2012, no qual se tornou empresário e um fenômeno eleitoral raro no Estado do Maranhão. Em 2014, ele foi eleito deputado estadual com a maior votação, filiado ao PR, um partido inexpressivo no Maranhão, com 99.252 votos. Antes, em 2008, aquele jovem de Várzea Grande (CE) estreou na política em Maranhãozinho, município de 14 mil habitantes, também com votação recorde de 85,66% dos votos, fato que o fez ganhar o apelido de “Moral da BR”, pelas festas de reggae que promovia em plena BR-316.

Nesta quinta-feira, 25/06, Josimar do Maranhãozinho acordou com a Polícia Federal batendo à sua porta, com ordem de busca e apreensão autorizada pelo ministro do STF Flávio Dino, eleito governador do Maranhão em 2014, na mesma eleição em que o deputado do PL ganhou mandato na Assembleia Legislativa. Mas o mundo da política não é o mundo real, e os políticos são atores que mudam de papel conforme o enredo e as circunstâncias de cada eleição. Em 2026, Josimar ficou inelegível por condenação no STF a 5,5 anos de prisão (regime semiaberto), juntamente com outros cinco acusados em casos de cobrança de propina sobre emendas Pix para a Prefeitura de São José de Ribamar.

Na eleição seguinte, em 2018, Josimar conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados com a maior votação: 158.360 votos. Não foi diferente em 2022, quando ele prometeu eleger a esposa, Maria Desdete Lima, a Detinha, como campeã de votos. A promessa foi cumprida: ela ficou com 161 mil votos, e ele, em 3º lugar, com 158 mil, atrás de Pedro Lucas Fernandes, com 159 mil votos. Naquele pleito, Josimar apareceu como o candidato mais rico do Maranhão por declarar à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 25,406 milhões, ante R$ 14,591 milhões na eleição anterior, em 2018.

Na “Operação Afluente”, desencadeada pela PF e pelo MPF, o centro das investigações está na suspeita de desvios de emendas parlamentares do antigo “Orçamento Secreto”, depois renomeado para Emendas Pix. Trata-se da apuração de crimes de corrupção por desvios de recursos públicos e lavagem de dinheiro no bojo de uma organização criminosa. As buscas ocorreram em Goiás, no Distrito Federal e no Maranhão. Os alvos seriam empresas contratadas para executar obras superfaturadas com emendas. A PF foi à própria casa do deputado, sócio de uma dessas empresas. A ordem partiu do ministro Flávio Dino.

Foram cumpridos 18 mandados relativos a emendas direcionadas à Codevasf. Segundo a PF, os valores eram direcionados à contratação de empresas vinculadas, direta ou indiretamente, aos investigados. O inquérito se debruça sobre supostos crimes de organização criminosa, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro. Ele, os deputados Pastor Gil (PL) e Bosco Costa, além de outros integrantes do grupo, solicitaram R$ 1,6 milhão à Prefeitura de Ribamar, na gestão de Eudes Sampaio, como contrapartida para liberar R$ 6,7 milhões em emendas do orçamento secreto, na época sem controle e sem fiscalização.

Josimar permanece no mandato, mas está licenciado. O mandato dos três deputados depende da Câmara dos Deputados. No Maranhão, porém, Josimar mantém enorme força política, onde o PL elegeu 40 prefeitos em 2024, além de outros aliados do deputado. Ele estaria articulando uma operação política para retirar a esposa, Detinha, da disputa pela Câmara em troca de uma cadeira na Assembleia Legislativa, com o objetivo de chegar à presidência da Casa em 2027. Seja como for, Josimar tem relevância eleitoral que, obviamente, não será desperdiçada nessa guerra pelos mandatos de governador, senadores e deputados. Ele está inelegível, mas continua guarnecendo seus currais eleitorais na região cortada pela BR-316.

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