17 de agosto de 2026
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Facções usam drones com bombas em guerra por domínio de áreas do Rio

DCM – Facções criminosas passaram a usar drones para lançar explosivos em áreas disputadas no Rio de Janeiro, atingindo carros, casas e moradores que vivem perto dos confrontos. Imagens analisadas pela polícia e registros feitos por moradores mostram ataques com granadas improvisadas e os danos provocados nas comunidades.

Em um dos vídeos obtidos pelo “Fantástico”, da TV Globo, um homem alerta a mãe sobre a aproximação de um equipamento carregado: “Mãe, o drone com a granada aqui, ó! (…) Vai soltar aqui na rua! Soltou.” A gravação registra a explosão logo depois do aviso.

Um ataque gravado pelo próprio drone, cujas imagens chegaram à polícia, mostra criminosos lançando uma bomba caseira contra um carro onde estariam integrantes de uma facção rival. Dois homens correm ao lado do veículo após a explosão, e um deles sofre ferimentos na perna.

Os explosivos também danificaram imóveis. Uma bomba atingiu o telhado de uma casa e destruiu parte da cozinha e de um quarto; em outra comunidade, o artefato caiu em uma árvore de quintal e estourou uma janela. Um morador atingido por estilhaços relatou: “Eu só ouvia esse barulho da hélice e um barulhão, um clarão e todo mundo gritando. (…) Acertou minha perna, o estilhaço acertou minha perna.”

Moradores e criminosos mudam rotina por causa dos ataques aéreos

Durante quase dois meses, o Fantástico acompanhou comunidades dominadas por grupos criminosos e registrou homens com fuzis, barricadas, trincheiras e pontos de venda de drogas perto de residências. Em uma das cenas, uma mulher cuida de um bebê enquanto traficantes armados vendem drogas no térreo do imóvel; em outra, uma festa infantil ocorre perto de um homem armado com fuzil.

Na Favela do Quitungo, na Zona Norte, campos de futebol ficam vazios à noite diante do risco de ataques. Traficantes instalaram coberturas sobre ruas em algumas áreas para tentar impedir o lançamento de explosivos. O delegado Marcos Mota, coordenador da Coordenadoria de Operações com Aeronaves Não Tripuladas, afirmou que os telhados dificultam também o monitoramento policial.

A polícia identifica os artefatos como “bombas tubo”, feitas com PVC, pólvora, parafusos e cacos de vidro. Grupos criminosos também passaram a usar equipamentos para detectar drones e as chamadas bazucas antidrone, capazes de interromper a comunicação entre o aparelho e o controlador. “Você ganha olhos no céu (…) A gente está falando aqui de disputa de espaço aéreo”, disse Mota.

O Disque Denúncia registrou o primeiro relato de drone equipado com granada em 2023 e quatro ocorrências em 2024. Registros posteriores contabilizaram 73 denúncias sobre traficantes e outras 14 sobre milicianos que usariam drones para lançar explosivos. A Secretaria de Segurança Pública do Rio informou que criou uma divisão especializada e espera receber drones e equipamentos antidrone em articulação com o governo federal.

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