Brandão promete completar a chapa de Orleans esta semana
Por Raimundo Borges
O Imparcial – Na campanha eleitoral deste ano, a corrida ao Palácio dos Leões, sede do governo estadual, está muito esquisita até agora. Entre os cinco pré-candidatos a governador, nenhum tem colocado clareza nas ideias para o exercício do mandato, as quais interessam diretamente aos eleitores. Planos para o enfrentamento de problemas como saúde, educação, meio ambiente, segurança pública, infraestrutura, economia, emprego e renda são ignorados. Também chama a atenção o modo adotado por cada candidato na relação com o eleitor. Orleans Brandão (MDB) reúne lideranças políticas e multidões por onde passa, enquanto Eduardo Braide (PSD) usa mais as redes sociais e passa a imagem de político diferente.
No outro grupo de pré-candidatos encontram-se Lahesio Bonfim (Novo), Felipe Camarão (PT) e Enilton Rodrigues (PSOL), que não reúnem multidões, cooptam poucas lideranças locais, não dominam tanto as redes sociais e têm baixa articulação estadual. Dos três, Felipe Camarão é o mais atuante nas redes e o que consegue marcar espaço no grupo de oposição ao governo de Carlos Brandão, principal incentivador da candidatura do ex-secretário Orleans. Como há um vazio de ideias sobre planos de governo, o eleitor acaba influenciado pelas pesquisas eleitorais, nem sempre confiáveis, e pela boataria espalhada na internet.
Os padrinhos dos pré-candidatos se tornaram personagens de imensa relevância nessa fase da corrida ao Palácio dos Leões. Carlos Brandão é fundamental como padrinho da candidatura do sobrinho Orleans (MDB). O presidente Lula não só apadrinha a indicação do petista Felipe Camarão, como deve vir ao Maranhão fortalecer a sua campanha. Eduardo Braide não tem padrinho, nem tio, nem presidente da República. O presidenciável do PSD, Ronaldo Caiado, tem baixo grau de conhecimento do eleitorado maranhense, está nanico nas pesquisas e não conta com nenhuma relação política anterior com o ex-prefeito de São Luís.
A tradição ensina que a eleição para senador costuma não prosperar no Maranhão desligada de uma candidatura forte ao governo do Estado. Daí a vantagem de o senador Weverton Rocha (PDT) ser apoiado por Orleans e Felipe Camarão. Já Eliziane Gama (PT) entra no redemoinho da mesma campanha ao lado de oito pretendentes, cada qual buscando consolidar suas posições antes das convenções entre 20 de julho e 5 de agosto. Além dos próprios donos das cadeiras – Weverton e Eliziane –, há um fato curioso: raramente se tem visto o governador não concorrer ao Senado no Maranhão. Portanto, a ausência de Carlos Brandão nesse pleito deixa o ambiente ainda mais imprevisível.
Os deputados federais Roseana Sarney (MDB), André Fufuca (PP), Pedro Lucas (UB) e Duarte Júnior (Avante) se dizem candidatos a senador, mas sem definir por qual chapa. Roseana é do partido de Orleans, que tem Weverton Rocha apoiado também pelo PT de Felipe Camarão. É o único com dois palanques disponíveis. Eliziane também tem o palanque de Camarão, o mesmo de Lula que, porém, não é transferidor de votos no Maranhão. Como Orleans lidera uma coligação de oito partidos e duas federações – União Progressista (PP e UB) e Federação da Esperança (PCdoB, PV e PT) –, a escolha dos candidatos ao Senado e vice-governador fica ainda mais complicada.
Brandão afirmou, no sábado, dia 6, em comício em Peritoró, que a lista completa da chapa majoritária, liderada por Orleans, está sendo analisada “com todo o cuidado”, mas deixou claro que, até o fim desta semana, todos os nomes serão conhecidos. André Fufuca é o preferido do presidente Lula, de quem foi ministro dos Esportes, e Pedro Lucas, o de Brandão. Por sua vez, a deputada Iracema Vale (MDB) tem chance de se eleger para a Câmara Federal, mas é citada no xadrez do pleito majoritário – tanto para vice quanto para o Senado. Ela só não pode ser deputada estadual e pleitear novo mandato na Presidência da Alema, onde já foi reeleita, pois o STF proíbe uma terceira eleição para o mesmo cargo da Mesa Diretora.

