29 de junho de 2026
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Revista científica da Sousândrade mapeia problemas do Maranhão

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Em ato festivo, a Fundação Sousândrade (FSADU) realizou, no dia 26/06, o lançamento da nova edição da Revista Científica & Tecnológica, na presença do reitor da Universidade Federal do Maranhão, Fernando Carvalho, cientistas, pesquisadores e professores. São 10 anos da publicação, que integra o movimento de fortalecimento institucional com vistas ao cenário de inovação na produção de conhecimento e articulação entre academia, setor produtivo e poder público. Os temas, mesmo sendo específicos e científicos, podem ser compreendidos por diferentes públicos.

“A Revista Científica & Tecnológica é a ferramenta de divulgação acadêmica e consolida-se como instrumento de valorização da produção científica e de estímulo ao intercâmbio de conhecimentos, reunindo contribuições de pesquisadores do Maranhão, do Brasil e de outros países”, diz o presidente da FSADU, prof. Walter Cézar Nunes, no editorial da publicação, de 134 páginas, com nove artigos científicos e outros de opinião.

Solenidade do lançamento da Revista Científica e Tecnológica da Sousãndrade

A edição comemorativa de 10 anos da publicação foca na aproximação da ciência com a sociedade, promovendo diálogo permanente com o público interno e externo da academia, o que sintetiza o compromisso da Fundação Sousândrade com a abordagem de temas de intrínseco interesse geral. Entre eles estão inovação, educação quilombola, biblioterapia, inclusão, educação de jovens e adultos, formação docente, inteligência artificial, ciência, tecnologia e políticas públicas, refletindo a diversidade e a relevância das pesquisas publicadas por estudiosos do Maranhão e de outros estados.

Solenidade do lançamento da Revista Científica e Tecnológica da Sousãndrade

Comunidades quilombolas

Durante a solenidade, foi apresentado também o novo Portfólio Institucional da Fundação Sousândrade, que reúne informações sobre a atuação da instituição, suas principais áreas de trabalho, indicadores e resultados alcançados na gestão de projetos de ensino, pesquisa, extensão, inovação e desenvolvimento institucional. O evento reuniu autoridades, pesquisadores, representantes de instituições de ensino, órgãos públicos, parceiros, colaboradores e convidados.

O artigo científico “A educação quilombola e os desafios do ensino médio para os jovens do Quilombo Santa Rosa”, de autoria de Sandro Pimenta Galvão e Francilene do Rosário Matos, localizado em Pinheiro, na Baixada Maranhense, traz uma radiografia das comunidades quilombolas no Brasil e no estado.

O texto contextualiza a história e resgata a resistência das comunidades negras à escravidão e suas lutas contemporâneas por conhecimento e direitos, desde o Quilombo dos Palmares, em Alagoas, até os mocambos do Maranhão, hoje concentrados em Alcântara, Itapecuru-Mirim, Penalva e Pinheiro. Ressalta, porém, a precariedade da educação quilombola e da implementação desse direito em escolas sem apoio institucional para aplicar diretrizes que valorizem a identidade cultural nas comunidades negras.

Solenidade do lançamento da Revista Científica e Tecnológica da Sousãndrade

O trabalho da mestre em Educação Natália Cristina Goiabeira dos Santos discute as transformações conceituais e históricas da Educação de Jovens e Adultos no Brasil (Proeja) e sua evolução de uma concepção compensatória e excludente para uma política pública baseada no direito à educação. “O programa rompe com a tradição de ensino aligeirado e voltado apenas à empregabilidade, propondo uma formação que articula escolarização e profissionalização.” Ela conclui que o Proeja representa uma conquista histórica da EJA no Brasil, configurando-se como uma política pública que concretiza o princípio da educação como direito universal e instrumento de transformação social.

Por sua vez, o trabalho intitulado Uso da Música como Biblioterapia, das especialistas no tema por várias universidades brasileiras Mônica Alves Costa e Carla Sousa, analisa 10 canções do rock brasileiro à luz de sua utilização tanto como protagonistas quanto como potencializadoras nas práticas vivenciais em biblioterapia. Afirma que a música pode ser utilizada nas práticas de biblioterapia por meio de suas letras, assim como o texto literário, para o cuidado e o alívio das emoções. Foram listadas as canções “A Palavra Certa”, de Herbert Vianna; “Enquanto Houver Sol”, dos Titãs; “A Estrada”, de Cidade Negra; “Dos Margaritas”, de Os Paralamas do Sucesso; “Ando Só”, dos Engenheiros do Hawaii; “Medo do Medo”, de Os Paralamas do Sucesso; “Cara Estranho”, de Los Hermanos; “O Mundo Anda Tão Complicado”, da Legião Urbana; e “Janaína”, do Biquíni Cavadão.

Outro tema curioso trazido pela Revista Científica da Sousândrade trata da profissionalização do intérprete de Libras em São Luís. O trabalho é das pesquisadoras Maria Rita Araújo Silva Mendes, Antônio José da Silva Mendes e Maria Nilza Oliveira Quixaba. Por falta de números relativos à profissão desde a década de 1980, os pesquisadores adotaram também o método de entrevistas com os pioneiros. Ampliaram a temática sobre o reconhecimento da profissão por meios legais e por cursos, inclusive de bacharelado em Letras-Libras.

Ainda na área da educação, a publicação traz à tona a visão científica de “Educar para a Ressocialização”, dos pesquisadores João Emanoel Galvão dos Santos, Kelly Almeida de Oliveira e Jhonatan Wendell Tavares Ferreira.

Afirma, categoricamente, que “discutir a educação em contexto de privação de liberdade é enfrentar uma das dimensões mais complexas e urgentes das políticas públicas brasileiras”. Diz ainda que a rotatividade dos internos no sistema prisional representa um desafio. “Educar no cárcere é um ato de fé e coragem. É um olhar para quem a sociedade deixou à margem e dizer, com doçura e firmeza: ‘você ainda pode’. É o encontro do saber com o sentir, da letra com a vida.”

O texto que fala da adesão emocional à desinformação à luz da semiótica greimasiana apresenta o estudo científico do caso “Débora dos Santos”. Os autores Vera Lúcia Moraes Araújo Meneses (graduada em Letras-Espanhol) e João da Silva Araújo Júnior (doutor) exploram uma pauta bastante atual, na perspectiva da construção da ideia de verdade sobre aquilo que o leitor lê, sem perceber que está sendo emocionalmente influenciado pela estratégia da desinformação que circula amplamente nas redes sociais por meio do compartilhamento e do engajamento.

O centro do caso é o histórico 8 de janeiro de 2023, quando seguidores do ex-presidente Jair Bolsonaro tentaram dar um golpe de Estado em Brasília, com a invasão e depredação das sedes dos Três Poderes da República. Nos desdobramentos daquele atentado, 1,4 mil pessoas foram presas, com destaque na mídia para a situação de Débora Rodrigues dos Santos. Ela usou um batom para escrever na estátua da Justiça, na Praça dos Três Poderes: “Perdeu, Mané!”. O texto reproduz amplo material e opiniões a respeito do caso e conclui: “Na crise de verificação vivida hoje na internet, interpretar algo como verdade ou mentira envolve muito mais a forma como os enunciados são enunciados e como as representações são construídas”.

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