18 de agosto de 2026
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Campanha eleitoral começa com um enredo de endoidecer no MA

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Não é fácil compreender, mas as eleições que se aproximam não são um enigma indecifrável pelos 158 milhões de eleitores aptos a eleger o presidente da República, os governadores, senadores, deputados federais e estaduais. Desde 1994, quando as eleições para governador dos estados coincidem com as do presidente, é importante saber qual o grau de impacto delas sobre o voto de cada eleitor. Agora, quando a campanha está apenas começando, o eleitor tem o direito de saber o que está por trás da eleição do Palácio do Planalto e da do Palácio dos Leões. Há quatro anos, as duas eleições ocorreram no Maranhão em situação totalmente diferente da de hoje, entre Lula, Jair Bolsonaro, Flávio Dino e Carlos Brandão.

Em 2026, os mesmos parâmetros aparecem com os candidatos presidenciais em posição invertida. Lula está na Presidência e Jair Bolsonaro em prisão domiciliar por tentar dar um golpe de Estado na transição do mandato anterior. Porém, ele colocou o filho Flávio Bolsonaro na corrida ao Planalto contra quem o derrotou. Logo, o Brasil passa por uma etapa política de dois pesos e duas medidas. Os pesos são os dois candidatos que seguem hoje na frente das pesquisas. É como se estivessem numa via que liga o Planalto ao Brasil, mas com o sinal invertido em relação a 2022. As duas medidas estão no contexto eleitoral e no impacto do golpe frustrado de 2023, que ainda martela a mente do mundo político.

 

Olhando-se pelo lado da influência da disputa presidencial na eleição estadual do Maranhão, novamente os dois pesos e duas medidas realçam com incrível assimetria política. Há quatro anos, a campanha de Lula chegou ao Maranhão em setembro, num comício em São Luís, na Praça Maria Aragão. Na foto principal, estavam o petista entre os felizes candidatos Flávio Dino ao Senado e Carlos Brandão ao governo. Tudo na mais perfeita união, como, aliás, eles foram eleitos. Na vez de Jair Bolsonaro, ele fez motociata em São Luís, participou do evento “Neemias”, da Assembleia de Deus e, em Açailândia, entregou títulos de terra a pequenos agricultores.

O bolsonarismo não era tão forte, como ainda não é marcante no Maranhão. Lula foi eleito com 71% dos votos; Bolsonaro não passou dos 28%. A simetria daquela campanha, sintetizada no slogan “Para o Bem do Maranhão”, era a consagração de uma trajetória iniciada em 2014, com Dino e Brandão eleitos contra o sarneísmo. Tudo bem distante do que ocorre hoje com os mesmos protagonistas. Brandão segue naquele mandato até 31 de dezembro; Flávio Dino está no Supremo Tribunal Federal. Os dois, a partir de 2023, passaram a escalar um afastamento pessoal aparentemente sanável, que acabou em confronto total, recheado de acusações, operações da Polícia Federal, acusações cabeludas e afastamentos de servidores, inclusive do presidente do TCE-MA, Daniel Itapary Brandão, sobrinho do governador.

Se Lula voltar ao estado em campanha, vai encontrar Orleans Brandão concorrendo ao Palácio dos Leões, em empate técnico contra o primo Eduardo Braide (PSD). O PT concorre com Felipe Camarão, contra o MDB dos Brandão e dos Sarney, mas uma parte apoiando Orleans, que apoia Lula. Já o petista tem dois palanques que se digladiam. Camarão tem a metade de um, mas tem Lula por inteiro em sua campanha. E Flávio Bolsonaro, como fica? A principal liderança do PL, Josimar do Maranhãozinho, está condenado e inelegível pelo TSE. O bolsonarista Roberto Rocha, filiado de última hora ao PRTB, disputa o governo, se estapeando com Lahesio Bonfim (Novo), candidato ao Senado com Braide (PSD).

Sem dúvida, no sistema federalista brasileiro, as eleições estaduais e a nacional têm diferentes pesos e medidas, com forte impacto uma na outra. Os cientistas políticos chamam essas desarrumações, a cada quatro anos, de “jogo aninhado”, com uma arena impactando na outra. Como Dino é proibido de fazer política envergando a toga do STF, sua caneta, porém, opera por linhas tortas, mas capazes de interferir em qualquer eleição. O caso maranhense pulou para a esfera nacional, puxando um embaraçoso enredo, difícil de ser entendido por quem é obrigado a votar.

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